segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Jesus e o dom da Palavra Eficaz

A Palavra de Deus nunca foi lançada, proferida a esmo, bem como nunca foi pronunciada em vão, mas pelo contrário, sempre com um objetivo, um fim a alcançar, daí o profeta Isaías dizer que "...assim acontece à palavra que minha boca profere: não volta sem ter produzido seu efeito, sem ter executado minha vontade e cumprido sua missão." (Is 55, 11)
Semelhantemente, com Nosso Senhor Jesus Cristo não é diferente, visto ser Ele o Verbo de Deus (Jo 1, 1), a Palavra que se fez carne (Jo 1, 14), e por isso palavra nenhuma proferida pelo Senhor deixou de ter sentido, significado, eficácia, o que leva a afirmar que o que Jesus disse não foi em vão, mas realizou.
Assim, desde a sua primeira fala aos doze anos quando é encontrado pelos pais entre os doutores da Lei no Templo (Lc 2, 46), ao ser interpelado por Nossa Senhora responde: "Por que me procuráveis? Não sabíeis que devo ocupar-me das coisas de meu Pai?" (Lc 2, 49), e já nessa primeira fala o Senhor deixa patente que sua palavra tem razão, tem um por que, que na ocasião não era, de forma alguma, uma resposta mal-educada à mãe, mas um rememorar da missão à qual devia cumprir.
De igual maneira seguirá Jesus, principalmente quando assumir publicamente sua missão. Em todos os Evangelhos, nas mais diversas passagens onde se encontrar Jesus pregando, ensinando, exortando, repreendendo, curando..., ver-se-á esta Palavra eficaz agindo, deixando uma mensagem, realizando um milagre, provocando reações (seja de adesão, seja de repúdio), mas nunca sem resultado.
O dom da Palavra eficaz de Nosso Senhor Jesus Cristo manifesta-se em todas as passagens apresentadas de forma belíssima, carregadas de amor e com um único propósito: que creiam em seu Nome e pela fé sejam salvos. Daí tantos momentos que encantam e impressionam, como por exemplo, os encontros.
Quantos encontros de Jesus com homens e mulheres de todas as nuances que produziram momentos ímpares: com Pedro, a conversão vai se dar a partir de um milagre precedido de uma palavra: "Faze-te ao largo, e lançai as vossas redes para pescar." (Lc 5, 4) e daquele dia em diante o pescador de peixes seria feito "pescador de homens" (Lc 5, 10); com Zaqueu a conversão vai se dar a partir de um convite: "...desce depressa, porque é preciso que eu fique hoje em tua casa." (Lc 19, 5), e o homem ávido pelo dinheiro, ganancioso, agora abre-se para partilhar com o próximo; com Levi (Mateus) a conversão vai se dar a partir de um chamado direto: "Segue-me" (Mt 9, 9), e o cobrador de impostos que somente sabia receber passará a doar, doar a vida por amor a Deus e pelo bem do próximo.
Encanta, também, essa Palavra eficaz produzindo milagres, sinais, prodígios, pois a tempestade foi acalmada com um "Silêncio. Cala-te" (Mc 4, 39); a surdez foi curada com um "Efeta, abre-te" (Mc 7, 34); Lázaro é ressuscitado com um "Vem para fora" (Jo 11, 43); um paralítico com trinta e cinco de prostração restaura a saúde quando ouve: "Levanta-te, toma o teu leito e anda" (Jo 5, 8)
Essa Palavra eficaz estava nas parábolas que continham ali ensinamentos preciosos que ligados à realidade cotidiana da gente daquele tempo que O cercava era acessível e atraente, ainda que aparentemente sem sentido para que confundisse os sábios de então: os fariseus.
A Palavra eficaz de Jesus mesmo suscitando as mais diversas reações: alegria, espanto, perplexidade, ira, temor..., não perdia o foco: revelar o Pai e o seu Reino ao qual todos eram chamados a dele participar.
Essa Palavra eficaz de Jesus foi realmente eficaz porque esteve sempre fundamentada na Verdade, por isso incapaz de ser questionada, objetada, desprezada ou anulada, ainda que os contrários ao Senhor à época o tentasse de todas as maneiras, inclusive tramando e executando sua morte.
Porém, como bem diz o Apóstolo São Paulo: "...Mas a Palavra de Deus, esta não se deixa acorrentar" (2 Tm 2, 9), e assim Ela atravessa os séculos e milênios, produzindo os mesmos efeitos quando usada por homens que a disseminam retamente, sem desvios ou distorções, e assim ela segue o seu curso: produzindo nos corações que a Ela dão crédito, e ao seu Autor que por elas age eficazmente, vida e vida em abundância (Jo 10, 10).
Deus te abençoe em nome do Nosso Senhor Jesus Cristo.

terça-feira, 8 de novembro de 2016

Bem mais que um pirulito

Imagine uma criança que se depara com um homem a chamá-la, fazendo-lhe acenos e com um sorriso conquistador. Não diferente de qualquer criança, a reação será de estranheza, que se mudará em temor e que suscitará uma inevitável fuga da presença daquele estranho.
Assim se comporta todo homem perante Jesus, que a cada dia, seja na individualidade, seja comunitariamente, na Santa Missa, em reuniões de oração, momentos de evangelização...apresenta-se com um convite a uma aproximação, mas que recebe da parte da grande maioria uma fuga carregada de temor como resposta.
No entanto, aquele homem não desiste de uma aproximação, sendo que agora usará de uma estratégia, de um meio mais eficaz que atraia a atenção da criança; e nada mais eficaz que um doce, um pirulito, por exemplo.
A criança, ainda que arredia, ao visualizar aquele belo e saboroso pirulito na mão do homem já não apresenta o temor de antes, nem sairá em fuga, mas, ainda que cheia de desejo, optará por não se aproximar, ainda.
O homem em relação a Cristo se comportará da mesma maneira. Apesar de o Senhor mostrar o "pirulito" do seu amor, do seu perdão, da sua bondade..., ainda encontrará um homem de coração reticente e que continuará, ainda que sem tanto temor, preferindo não se aproximar.
Numa outra oportunidade a criança reencontra o homem, com o mesmo sorriso, mas agora tendo na mão um pirulito enorme como aquele do Kiko do seriado "Chaves". Agora a criança sem temor e cheia de confiança, pois não vislumbra maldade naquele adulto, ouve aquela voz interior que diz: "Vai, confia!", e assim ela vai e pega o pirulito, e aceita o abraço daquele homem que antes tivera tanto temor, e percebe que, na verdade, é um homem maravilhoso, amoroso, acolhedor, e a partir dali criam uma bela amizade.
Da mesma forma, Jesus ao perceber que somente exprimir seu amor, perdão, bondade, não obterá abertura da parte do homem, lança mão de "pirulitos" mais vistosos: os milagres; ou não foi assim que atraiu multidões? Curando, libertando, ressuscitando, alimentando...e assim, as pessoas sentem interesse de aproximar-se, auxiliadas pela voz interior que diz "Vai, confia!", voz que se chama fé.
No entanto, aquela criança já sem medo algum e sabendo que no encontro com o bom amigo terá sempre um pirulito à espera, em dado momento escutará do amigo que o que tem para ela é bem mais que um pirulito, mas que na verdade tem para ela uma fábrica inteira de diversificados tipos de doces e delícias, mas que para ter acesso a ela há uma condição a cumprir: tem que ser santo como ele.
Semelhantemente, o homem que já íntimo do Senhor Jesus e afeito às benéces que Dele recebe, em dado momento receberá este convite a desejar mais que um delícia momentânea, mas alcançar o lugar onde todas as delícias, todas as maravilhas se encontram em abundância: o céu. Porém, para ter acesso a este tão maravilhoso lugar uma condição é exigida: ser santo como Ele é Santo (1 Pe 1, 16).
Alcançar vida de santidade, fazendo aquilo que é a vontade de Deus a nosso respeito: "a nossa santificação" (1 Ts 4, 3), é necessário empenho em cumprir alguns dos pressupostos que o Apóstolo São Pedro exorta a viver ao falar de santidade em 1 Pe 1, 13-24, onde, entre outras coisas pede: sobriedade (vers. 13); renúncia aos desejos do homem velho (vers. 14); temor do Senhor (vers. 17); obediência à verdade e amor fraterno sincero (vers. 22).
Entretanto, como crianças espertas que querem apenas o pirulito, e nem tanto o dono do doce, muitos se aproximam pelos milagres que o Senhor lhes pode proporcionar e não um busca de intimidade com Ele, que é o que Jesus realmente deseja; algo que ainda é piorado com o advento da "teologia da prosperidade" que leva as pessoas a buscarem mais os milagres de Deus e não o Deus de milagres.
Aqueles que progridem nessa busca de santidade serão aqueles que em determinado momento já não farão mais conta dos "pirulitos", pois o próprio Cristo é o seu desejo maior, caso de São Paulo que diz "Não sou eu quem vivo, mas Cristo vive em mim", de Santa Tereza D'Àvila que diz: "Só Deus basta"...; estes alcançaram a união perfeita, estes são os tantos santos e santa que dão exemplo e que hoje gozam da "fábrica das delícias" ao lado do "dono".
Deus te abençoe em nome do Nosso Senhor Jesus Cristo.

sábado, 24 de setembro de 2016

"...por que o que está em vós é maior do que aquele que está no mundo" (1 Jo 4, 4)

A vida é marcada por lutas e batalhas, adversidades que se erguem a todo momento; e, muitas vezes, logo em seguida a ter-se conseguido superar uma delas.
No entanto, a desestabilização que essas realidades provocam estão diretamente relacionadas à forma como se encara tais desafios, pois, na humanidade fraca de cada um o que pior acontece é a dimensão que se dá ao problema.
O "agigantamento" do desafio que se enfrenta está ligado ao fato de que cada pessoa se acha capaz de resolver tudo por suas próprias capacidades sem de ninguém precisar (autossuficiência), e ao perceber a impossibilidade de fazê-lo desespera-se. No entanto, existe maneira de enfrentar tal realidade e superá-la.
Este fato está biblicamente demonstrado na batalha que enfrentavam os israelitas contra os filisteus (1 Sm 17, 1-58), onde a figura de Golias (gigante imbatível), que desafiava e ameaçava a todos daquele exército, era motivo de inquietação e angústia.
Surge, então, Davi, um jovem que levava provisões aos irmãos que estavam no combate e que ao perceber aquele exército acuado ante Golias oferece-se para enfrentá-lo. A princípio é desacreditado, mas recebe a permissão do rei para encarar o gigante.
Primeiramente, é revestido de toa a indumentária de soldado, mas não se sentindo a vontade abre mão de espada e escudo e vai para o enfrentamento com uma funda e aquilo que foi o fundamental: a fé no Deus de Israel.
Davi apresenta-se para o combate e Golias, ao verse perante um jovem sem porte nem armas adequadas, desdenha do oponente que, aos seus olhos, era tão desqualificado. No entanto, o embate tem início e o jovem Davi munido de funda e pedra acerta a fronte de Golias que tomba sem vida e que depois terá a cabeça decepada o que encoraja o restante do exército israelita que, lançando-se sobre os filisteus, os derrota.
O que explica a vitória de Davi, que humanamente tinha plena consciência que o desafio diante de si era impossível de derrotar? A certeza que ao seu lado estava o Deus Todo Poderoso, o Deus dos Patriarcas, o Deus de Moisés que com sua força retirou seu povo do cativeiro do Egito e das mãos de faraó.
A fé neste Deus que o impulsionou, ante a  humilhação que passava o exército, a reagir dizendo: "E quem é esse filisteu incircunciso para insultar desse modo o exército do Deus vivo?" (vers. 26) e nessa fé declara a Golias: "Tu vens contra mim com espada, lança e escudo; eu, porém, vou contra ti em nome do Senhor dos exércitos, do Deus das fileiras de Israel, que tu insultaste. Hoje mesmo, o Senhor te entregará nas minhas mãos" (vers. 45-46), e com isso mostra que mesmo sendo fisicamente pequenino perante o gigante tinha plena certeza que Aquele que combateria  ao seu lado era imensamente maior que Golias.
Este exemplo de Davi é emblemático para mostrar a toda pessoa que se o mundo com suas facetas se agiganta perante nós, o Deus infinitamente maior que habita em cada um deve prevalecer, por isso que São João declara que "o que está em vós é maior do que aquele que está no mundo". E esta certeza que habita nos corações e mentes é a fé que não deixa acabrunhar nem recuar, mas enfrentar.
Agora, o detalhe que faz toda a diferença é reconhecer-se pequeno, e com humildade, ter consciência que só Deus pode. Essa capacidade de rebaixar-se permite Deus elevar-se e a vitória sobre o mundo acontece.
Jesus venceu o mundo apequenando-se; os heróis e heroínas da fé venceram o mundo apequenando-se e confiando totalmente Naquele que era maior Neles.
No mundo está o pecado, em todas as suas formas e nuances, agigantando-se perante nós, querendo nos fazer crer que somos incapazes de vencê-lo, e, certamente por nós mesmos  não o seremos, no entanto, permitindo que Aquele que derrotou o pecado aja, certamente, o pecado e todo e qualquer desafio será derrotado.
Deus te abençoe em nome do Nosso Senhor Jesus Cristo.

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

"Rochedo em lençol de água, pedra em fonte de água viva" (Sl 113, 8)

A magnífica capacidade que Deus possui de subverter a lógica natural das coisas é, e sempre será, algo que maravilha os olhos de quem tem fé, ao passo que seguirá inquietando a racionalidade e pragmatismo dos incrédulos.
Dentre esses tantos exemplos de ações extraordinárias da parte do Todo Poderoso está o que reza Davi nos Salmos 113 (114), 7-8: "Ante a face de Deus, treme, o terra, por quem o rochedo se mudou em lençol de água, e a pedra em fonte de água viva".
Certamente, o salmista faz menção à passagem da história do povo de Israel que ao sair do Egito e passar o Mar Vermelho, adentra o deserto e , em certa passagem, ao ter o povo reclamando da falta de água, Moisés vai ao Senhor que pede que, com sua vara, fira o monte Horeb e deste jorra água" (Ex 17, 1-6)
Esta é uma das tantas passagens que marcaram a história desse povo, mas que tomará nova conotação a partir da vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo, a Pedra Angular (Sl 117, 22; Mt 21, 42). A partir Dele, ver-se-á não um, mais muitos "horebs" verterem água, visto que agora essas "rochas" são homens de coração rijo que se deixaram petrificar pelas suas faltas e iniquidades.
A prefiguração do rochedo que jorra água agora se materializa em cada homem cujo "coração de pedra" (Ez 36, 26) será mudado em um "coração de carne" (vers. 26) e, a partir dessa transformação, dele "manarão rios de água viva" (Jo 7, 38); e o único capaz de realizar tal intento é Jesus: daí ter sido ferido em seu lado no alto da cruz de jorrou sangue e água (Jo 19, 34), demonstrado que Ele é o rochedo, Ele é a pedra que se muda em lençol de água, em fonte de água viva, e que é capaz de propiciar o mesmo a todos que Nele crerem.
Verdadeiramente, ante o poder de Deus e o fato de dominar sobre tudo o que existe, pois tudo foi feito por Ele (Jo 1, 3) e tudo se submete a Ele, não é impossível a este Deus extrair água da rocha mais resistente. No entanto, relativamente ao homem a missão se torna mais complexa, por que a graça só se dará mediante uma permissão: a fé.
Daí a Palavra de Deus dizer que Jesus está à porta e bate (Ap 3, 20), desejando receber essa permissão; permissão que lhe foi dada pela samaritana (Jo 4, 1-42) que tocada pela Palavra do "Rochedo da salvação" (Dt 32, 15; Sl 61, 3) verteu tanta água viva que transbordou a outros tantos da vila em que vivia levando muitos a ter a mesma experiência que tivera.
Pedro (a pedra), Paulo, e tantos outros, num encontro pessoal com essa "rocha" deixaram de experimentar dureza, rigidez, insensibilidade, esterilidade, para experimentar e vivenciar alegria, caridade, afabilidade...
No entanto, a despeito de tão miraculosa restauração ser capaz este Deus, a humanidade nunca se mostrou tão empedernida, tão rija, tão reticente, fruto de uma cultura hedonista, relativista, apóstata que cada vez mais se abraça ao pecado dos prazeres fulgazes e momentâneos devotando a eles total devoção.
A despeito dessa triste realidade, o Pai de misericórdia não desiste de esperar o retorno dos "corações de pedra" que andam a esmo e ao sabor das suas concupiscências, como fora com o filho pródigo; persiste em crer que, como aquele filho, "entre-se em si mesmos" (Lc 15, 17), reconheçam-se os erros, arrependam-se e voltem a Ele.
E naquele abraço de amor, o coração de pedra tornará um novo coração. A rocha estéril voltará a verter água viva, pois quem, além de Deus pode realizar tal prodígio?
Deus te abençoe em nome do Nosso Senhor Jesus Cristo.

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

“Que o vosso fruto permaneça” (Jo 15, 16)

O chamado missionário trás em si algumas exigências das quais uma está destacada pelo Senhor Jesus no seu diálogo com os discípulos na última ceia: gerar frutos. Mas não somente isso, que esses “frutos” permaneçam, persistam, não se degenerem.
                Quando o Senhor declara: “Eu vos constituí para que vades e produzam muitos frutos. E que o vosso fruto permaneça”, Jesus impõe uma exigência que há muitos passa despercebido, ou se não, é tratada com pouca seriedade, visto que o desejo explícito do Senhor é que não apenas se “pregue o Evangelho a toda criatura” (Mt 16, 15), mas que essa pregação gere, verdadeiramente, uma conversão perene, com mudança total, com a substituição de “homem velho” para “homem novo” (Cl 3, 10).
                Assim, não é suficiente a Jesus um anúncio que não produza mudança radical, adesão sincera e imutável a Ele, conversão que não “olha para trás” (Lc 9, 62), desta forma, o Senhor não se contenta com uma evangelização estéril, que não gera vida em abundância no outro, que não retira da pocilga os “filhos pródigos” deste mundo.
                Quem bem entendeu esta palavra de Jesus foi o apóstolo Paulo em 1 Cor 3, 9-15 quando diz no versículo 12 e 13: “Agora, se alguém edifica este fundamento, com ouro, ou com prata, ou com pedras preciosas, com madeira, ou com feno, ou com palha, a obra de cada um aparecerá”. Ora, São Paulo ao afirmar que só existe um fundamento, Jesus Cristo, agora a “edificação” (o homem), ou seja, a obra que se edifica e com que material se edifica é que é o importante, pois claramente ele faz menção à qualidade do material utilizado.
                Observa-se que o Apóstolo vai do melhor material: o ouro, ao mais insignificante: a palha, e que a prova de que a edificação foi realizada com melhor ou pior material é o fogo da provação. Logo, subtende-se que ouro, prata, pedras preciosas terão maior resistência, enquanto que madeira, feno e palha, certamente, não resistirão. Isso vem, então, deixar patente que o “fruto” que permanecerá será aquele que foi gerado com o melhor dos materiais.
                Logo, a pregação, que gerará “edifícios de ouro, prata ou pedras preciosas” é aquela realizada por aquele (a) que tem sua vida totalmente mergulhada em Cristo, que assim como o próprio São Paulo afirma “Eu vivo, mas já não sou eu; é Cristo que vive em mim.” (Gl 2, 20), uma presença plena de Jesus nas atitudes, nas palavras, nas ações, que se observa na vida de tantos outros santos e santas, mas que também está na vida de outros que não necessariamente estão na glória dos altares.
                Estas pessoas tinham a plena consciência que levar Jesus ao outro não é um fazer por fazer, um ir por ir, correndo o risco de produzir uma obra de má qualidade, ou nem mesmo produzir coisa alguma. Os “edificadores” cujos “frutos” permanecem são os que empenham todo o amor recebido de Jesus em benefício daqueles que necessitam experimentar deste mesmo amor.
                Os “edificadores” cujos “frutos” permanecem nunca abrem mão da verdade, da fé e da caridade; da vida de oração e da intimidade com a Palavra de Deus; de ter ao Espírito Santo como auxiliador na sua missão; da consciência que uma pregação ungida edifica, suscita fé e impulsiona aquele (a) que a ouve a dar um passo na direção de Jesus e de uma mudança de vida.
                Um anúncio não pode se contentar com um resultado pífio onde um ou outro toma uma decisão e que pouco tempo depois será visto vivendo a mesma vida de pecado de outrora, mas deve ansiar por alcançar a muitos e testemunhar todos perseverando, firmes no propósito de que haja o que houver não retrocederão, pois a opção por Jesus é definitiva.
                Deus te faça um servo (a) produtor de “frutos” permanentes para a honra e glória do Senhor Jesus.

                Deus te abençoe em nome do Nosso Senhor Jesus Cristo.

sexta-feira, 29 de julho de 2016

O bom, o belo e o verdadeiro


"Em certo sentido, a beleza é a expressão visível do bem, do mesmo modo que o bem é a condição metafísica da beleza." (São João Paulo II, Carta aos artistas)

Não querendo aqui abordar a profundidade filosófica do tema (o qual não possuo), apenas busco refletir o fato de que o Deus todo poderoso, criador do céu e da Terra, ao finalizar cada etapa da sua obra a contemplava e diz a Palavra: "E Deus viu que isso era bom." (Gn 1, 10). Ao sexto dia, ao criar o homem à sua imagem e semelhança, diz a Sagrada Escritura que "Deus contemplou toda a sua obra, e viu que tudo eram muito bom." (Gn 1, 30)
Por quê viu o Senhor Deus que era bom? Por que contempla, agora, ante seus olhos a beleza do que havia gerado harmoniosamente, equilibradamente, céu, firmamento, elementos, seres vivos, o homem...interagindo em sintonia e sinfonia perfeita. E essa beleza se revela na verdade dos fatos: tudo foi feito por Deus por amor e com amor.
No entanto, havia um risco de tudo se perder: a desobediência, o pecado. E, infelizmente, é o que veio a acontecer e toda a criação de lá para cá sofre as consequências de ter sido enredada pelo engano da "serpente", do inimigo de Deus, que personifica o mau, o feio e o falso.
O homem, desde então, degenerado na sua natureza pelo pecado original, segue, assim, contaminado por esse mazela optando pelo mal em detrimento do bem; do feio e grotesco em detrimento do belo, e do falso e mentiroso em detrimento do verdadeiro.
E isso se comprova em muitos exemplos, é o caso de um dono de uma fábrica de determinado produto que para fabricá-lo gerará rejeitos tóxicos.
Este empresário decide por instalar seu empreendimento próximo a um rio numa região de muita vegetação, com abundância de peixes e que abastece cidades próximas. Esta pessoa tem plena consciência que seu negócio produzirá um grande mal àquele lugar (desmatamento, contaminação da água, prejuízo aos moradores locais), a beleza daquele cenário se perderá e danos serão provocados, esta é a verdade.
No entanto, na sua natureza deturpada o dono da empresa raciocina: "Os dividendos que a empresa gerará compensarão os "pequenos" danos que porventura possam ocorrer". Vê-se que, então, que a falta da verdade nesta premissa já deixa claro que a esta pessoa o bom, o belo e o verdadeiro são relativos ou mesmo irrelevantes.
Assim é, também, na vida espiritual; relativize-se ou mesmo negue-se a verdade que o bom e o belo deixarão de ter importância. É o caso da fé no que tange a crer e aceitar a Jesus Cristo, pois a verdade é que: o homem sem Deus está entregue ao pecado e suas consequências sendo, por ele desfigurado e destruído tornando-se incapaz de produzir algo de bom, nem muito menos demonstrar beleza no que se faz.
Não é assim com o traficante? A prostituta? O corrupto? O estelionatário? O incrédulo?..., enfim, são tantos exemplos que fundamentam essa verdade, entretanto, o homem "pós-moderno" imbuído desse desejo perseverante de erradicar Deus de sua realidade migra para esse campo perigoso do total desprezo à vida.
Daí correntes e pensamentos vários, como o abortista, por exemplo, ganharem tanta força por que para os seus defensores, bom é ver uma mulher livre para arrancar do seu ventre o que não deseja, por que belo mesmo é uma mulher com o corpo tomado por piercings e tatuagens e não não amamentando seu bebê, pois a verdade é que mulher feliz é aquela livre para usar do seu corpo como bem entenda.
Contrariamente, o que se verá, futuramente, é a verdade falar mais alto: o bom do aborto agora trás o mau (depressão, vazio, angústia, remorso), almas amarguradas pelas consequências dos seus atos, o que levará a algumas até ao suicídio. Tudo por que em determinado momento perceberam que não havia nada de bom, nem de belo, nas suas atitudes e que a falsa liberdade na verdade era escravidão, eis a verdade.
Aquela mulher adúltera ao se deparar com Aquele que é CAMINHO, VERDADE e VIDA (Jo 14, 6), pôde, naquela experiência salvífica perceber que nada de bom havia na sua prática, e nem de belo também, pois a verdade é que o seu pecado a lançara em tal condição.
Porém, no encontro com o Filho de Deus, co-participe, na obra criadora retornou à história daquela mulher, devolvendo-lhe o que de bom, belo e verdadeiro possuía como filha de Deus e que o inimigo por meio do pecado arrancara.
É fato, então, que se este mundo se desfigura a cada dia entre ódios e intolerâncias, divisões de todo tipo, guerras e ameaças, é por que a Verdade foi banida dos corações e por isso o mau e o horror, ou melhor, terror, imperam angustiando os corações e trazendo perplexidade às mentes que julgavam achar que pela razão, pela conscientização das mentes, se produziria fraternidade, solidariedade e justiça social.
"Contra a verdade não temos poder algum; temo-lo apenas em prol da verdade" (2 Cor 13, 8), e a verdade é que se há um mundo sem bondade e sem beleza ante tantas barbaridades é por que o Deus da Verdade foi escanteado, e sem Ele a fé se esvai e por isso que a fé é fundamental para que se mude este estado de coisas, pois como declarou o Papa emérito Bento XVI em audiência geral no dia 21/11/2012: "A fé nos conduz a descobrir que o encontro com Deus valoriza, aperfeiçoa e eleva o que tem de verdadeiro, bom e belo do homem".

Deus te abençoe em nome do Nosso Senhor Jesus Cristo.

sábado, 23 de julho de 2016

"Do alto estendeu a sua mão e me pegou..." (Sl 17, 17 - Cont. de "Fora da barca corremos perigo!")

Arriscar-se deixar a "barca" da Igreja, a presença de Nosso Senhor Jesus Cristo, é risco certo, e risco de morte, como demonstrado na reflexão anterior, cujo exemplo do Apóstolo São Pedro bem demonstrou.
Naquele momento em que o discípulo bradou: "Senhor, salva-me" (Mt 14, 30), ficava demonstrado o quão desesperador é um afogamento; e os testemunhos falam, unânimes, que é uma sensação das mais terríveis, pois o fato de ver-se querendo livrar-se de uma situação onde por mais esforço que se aplique em nada adiantará e sabendo que a vida será perdida é realmente horrível.
No entanto, há de se refletir que a pessoa tem consciência do risco que corre, visto que é óbvia a consequência de se mergulhar sem saber nadar irá afogar-se, logo, muitos que arriscaram e pereceram foram vítimas da sua irresponsabilidade; irresponsabilidade que se torna ainda maior por saber que não sabe nadar e não conta com ninguém por perto que saiba e possa ajudá-la.
Assim ocorre com os cristãos, espiritualmente falando, pois a maioria sabe, tem consciência, que as "águas" perigosas são as seduções do pecado: vícios, sexualidade irresponsável, materialismo, idolatria a coisas e pessoas... Estes e outros mais são as "águas convidativas", que encantam os olhos, enganam o coração e levam a muitos a mergulharem despreparados, movidos pelos impulsos das paixões desordenadas, seduzidos pela falsa crença que são capazes de vivenciá-las segundos suas capacidades humanas.
A tentação de acreditar no "sei entrar e sei sair" é a "isca" lançada pelo inimigo para atrair as almas incautas que, tomadas pelo desejo de experimentar, mergulham para depois verem-se como São Pedro apavoradas por verem-se mergulhadas numa situação que as afoga e que, por fim, as matará.
A autossuficiência é o combustível da ignorância que potencializa a irresponsabilidade e que inutiliza o freio de prudência levando o homem ao arriscar-se, e assim, o filme continua a repetir-se, e almas e mais almas, inclusive cristãs, vão-se perdendo.
Felizes são aqueles que, semelhantemente a São Pedro,  que do alto de seu desespero encontrarão um socorro, uma mão amiga, um auxílio na hora limite em que as forças e as esperanças estão se esvaindo. Assim foi com o Apóstolo, assim foi com o rei Davi que na sua oração de agradecimento a Deus foi explícito em declarar que foi o Senhor que "Do alto estendeu a sua mão e me pegou, e retirou-me das águas profundas" (2 Sm 22, 17; Sl 17, 17).
Pedro sucumbia nas "águas" da curiosidade, Davi nas "águas" da perseguição de Saul, porém, ambos encontraram uma mão estendida que como declara o salmista na continuidade do Sl 17: "pôs-me a salvo e livrou-me, porque me ama" (vers. 20). Ambos tiveram suas vidas poupadas por que buscaram socorro em quem podia ajudá-los: Deus.
Infelizmente, a maioria perece por não invocar este nome que é socorro presente; preferem seguir firmados na sua ignorância: uns por não crerem, outros por acharem que não são merecedores de auxílio, outros por não terem a oportunidade de lhe ser mostrado quem lhe possa ajudar.
De certo é que o pecado continua a seduzir as almas a deixarem a "barca"; e ao fazerem isso afogar-se-ão, a menos que clamem o auxílio do alto, a única mão que pode salvá-la do risco iminente de morte e trazê-la a salvo para o lugar seguro de onde nunca deveriam ter saído.
São Paulo ensina que do pecado deve fugir-se, pois ele era bem conhecedor dessa realidade e deve ser a prática de todo cristão, pois a obediência em Cristo é vida, a desobediência é morte.
Deus deseja resgatar a todos e sua mão está constantemente estendida; mas o querer de Deus tem que se encontrar com o querer humano, para que assim Ele possa produzir o milagre da salvação.
Deus te abençoe em nome do Nosso Senhor Jesus Cristo.