sexta-feira, 29 de julho de 2016

O bom, o belo e o verdadeiro


"Em certo sentido, a beleza é a expressão visível do bem, do mesmo modo que o bem é a condição metafísica da beleza." (São João Paulo II, Carta aos artistas)

Não querendo aqui abordar a profundidade filosófica do tema (o qual não possuo), apenas busco refletir o fato de que o Deus todo poderoso, criador do céu e da Terra, ao finalizar cada etapa da sua obra a contemplava e diz a Palavra: "E Deus viu que isso era bom." (Gn 1, 10). Ao sexto dia, ao criar o homem à sua imagem e semelhança, diz a Sagrada Escritura que "Deus contemplou toda a sua obra, e viu que tudo eram muito bom." (Gn 1, 30)
Por quê viu o Senhor Deus que era bom? Por que contempla, agora, ante seus olhos a beleza do que havia gerado harmoniosamente, equilibradamente, céu, firmamento, elementos, seres vivos, o homem...interagindo em sintonia e sinfonia perfeita. E essa beleza se revela na verdade dos fatos: tudo foi feito por Deus por amor e com amor.
No entanto, havia um risco de tudo se perder: a desobediência, o pecado. E, infelizmente, é o que veio a acontecer e toda a criação de lá para cá sofre as consequências de ter sido enredada pelo engano da "serpente", do inimigo de Deus, que personifica o mau, o feio e o falso.
O homem, desde então, degenerado na sua natureza pelo pecado original, segue, assim, contaminado por esse mazela optando pelo mal em detrimento do bem; do feio e grotesco em detrimento do belo, e do falso e mentiroso em detrimento do verdadeiro.
E isso se comprova em muitos exemplos, é o caso de um dono de uma fábrica de determinado produto que para fabricá-lo gerará rejeitos tóxicos.
Este empresário decide por instalar seu empreendimento próximo a um rio numa região de muita vegetação, com abundância de peixes e que abastece cidades próximas. Esta pessoa tem plena consciência que seu negócio produzirá um grande mal àquele lugar (desmatamento, contaminação da água, prejuízo aos moradores locais), a beleza daquele cenário se perderá e danos serão provocados, esta é a verdade.
No entanto, na sua natureza deturpada o dono da empresa raciocina: "Os dividendos que a empresa gerará compensarão os "pequenos" danos que porventura possam ocorrer". Vê-se que, então, que a falta da verdade nesta premissa já deixa claro que a esta pessoa o bom, o belo e o verdadeiro são relativos ou mesmo irrelevantes.
Assim é, também, na vida espiritual; relativize-se ou mesmo negue-se a verdade que o bom e o belo deixarão de ter importância. É o caso da fé no que tange a crer e aceitar a Jesus Cristo, pois a verdade é que: o homem sem Deus está entregue ao pecado e suas consequências sendo, por ele desfigurado e destruído tornando-se incapaz de produzir algo de bom, nem muito menos demonstrar beleza no que se faz.
Não é assim com o traficante? A prostituta? O corrupto? O estelionatário? O incrédulo?..., enfim, são tantos exemplos que fundamentam essa verdade, entretanto, o homem "pós-moderno" imbuído desse desejo perseverante de erradicar Deus de sua realidade migra para esse campo perigoso do total desprezo à vida.
Daí correntes e pensamentos vários, como o abortista, por exemplo, ganharem tanta força por que para os seus defensores, bom é ver uma mulher livre para arrancar do seu ventre o que não deseja, por que belo mesmo é uma mulher com o corpo tomado por piercings e tatuagens e não não amamentando seu bebê, pois a verdade é que mulher feliz é aquela livre para usar do seu corpo como bem entenda.
Contrariamente, o que se verá, futuramente, é a verdade falar mais alto: o bom do aborto agora trás o mau (depressão, vazio, angústia, remorso), almas amarguradas pelas consequências dos seus atos, o que levará a algumas até ao suicídio. Tudo por que em determinado momento perceberam que não havia nada de bom, nem de belo, nas suas atitudes e que a falsa liberdade na verdade era escravidão, eis a verdade.
Aquela mulher adúltera ao se deparar com Aquele que é CAMINHO, VERDADE e VIDA (Jo 14, 6), pôde, naquela experiência salvífica perceber que nada de bom havia na sua prática, e nem de belo também, pois a verdade é que o seu pecado a lançara em tal condição.
Porém, no encontro com o Filho de Deus, co-participe, na obra criadora retornou à história daquela mulher, devolvendo-lhe o que de bom, belo e verdadeiro possuía como filha de Deus e que o inimigo por meio do pecado arrancara.
É fato, então, que se este mundo se desfigura a cada dia entre ódios e intolerâncias, divisões de todo tipo, guerras e ameaças, é por que a Verdade foi banida dos corações e por isso o mau e o horror, ou melhor, terror, imperam angustiando os corações e trazendo perplexidade às mentes que julgavam achar que pela razão, pela conscientização das mentes, se produziria fraternidade, solidariedade e justiça social.
"Contra a verdade não temos poder algum; temo-lo apenas em prol da verdade" (2 Cor 13, 8), e a verdade é que se há um mundo sem bondade e sem beleza ante tantas barbaridades é por que o Deus da Verdade foi escanteado, e sem Ele a fé se esvai e por isso que a fé é fundamental para que se mude este estado de coisas, pois como declarou o Papa emérito Bento XVI em audiência geral no dia 21/11/2012: "A fé nos conduz a descobrir que o encontro com Deus valoriza, aperfeiçoa e eleva o que tem de verdadeiro, bom e belo do homem".

Deus te abençoe em nome do Nosso Senhor Jesus Cristo.

sábado, 23 de julho de 2016

"Do alto estendeu a sua mão e me pegou..." (Sl 17, 17 - Cont. de "Fora da barca corremos perigo!")

Arriscar-se deixar a "barca" da Igreja, a presença de Nosso Senhor Jesus Cristo, é risco certo, e risco de morte, como demonstrado na reflexão anterior, cujo exemplo do Apóstolo São Pedro bem demonstrou.
Naquele momento em que o discípulo bradou: "Senhor, salva-me" (Mt 14, 30), ficava demonstrado o quão desesperador é um afogamento; e os testemunhos falam, unânimes, que é uma sensação das mais terríveis, pois o fato de ver-se querendo livrar-se de uma situação onde por mais esforço que se aplique em nada adiantará e sabendo que a vida será perdida é realmente horrível.
No entanto, há de se refletir que a pessoa tem consciência do risco que corre, visto que é óbvia a consequência de se mergulhar sem saber nadar irá afogar-se, logo, muitos que arriscaram e pereceram foram vítimas da sua irresponsabilidade; irresponsabilidade que se torna ainda maior por saber que não sabe nadar e não conta com ninguém por perto que saiba e possa ajudá-la.
Assim ocorre com os cristãos, espiritualmente falando, pois a maioria sabe, tem consciência, que as "águas" perigosas são as seduções do pecado: vícios, sexualidade irresponsável, materialismo, idolatria a coisas e pessoas... Estes e outros mais são as "águas convidativas", que encantam os olhos, enganam o coração e levam a muitos a mergulharem despreparados, movidos pelos impulsos das paixões desordenadas, seduzidos pela falsa crença que são capazes de vivenciá-las segundos suas capacidades humanas.
A tentação de acreditar no "sei entrar e sei sair" é a "isca" lançada pelo inimigo para atrair as almas incautas que, tomadas pelo desejo de experimentar, mergulham para depois verem-se como São Pedro apavoradas por verem-se mergulhadas numa situação que as afoga e que, por fim, as matará.
A autossuficiência é o combustível da ignorância que potencializa a irresponsabilidade e que inutiliza o freio de prudência levando o homem ao arriscar-se, e assim, o filme continua a repetir-se, e almas e mais almas, inclusive cristãs, vão-se perdendo.
Felizes são aqueles que, semelhantemente a São Pedro,  que do alto de seu desespero encontrarão um socorro, uma mão amiga, um auxílio na hora limite em que as forças e as esperanças estão se esvaindo. Assim foi com o Apóstolo, assim foi com o rei Davi que na sua oração de agradecimento a Deus foi explícito em declarar que foi o Senhor que "Do alto estendeu a sua mão e me pegou, e retirou-me das águas profundas" (2 Sm 22, 17; Sl 17, 17).
Pedro sucumbia nas "águas" da curiosidade, Davi nas "águas" da perseguição de Saul, porém, ambos encontraram uma mão estendida que como declara o salmista na continuidade do Sl 17: "pôs-me a salvo e livrou-me, porque me ama" (vers. 20). Ambos tiveram suas vidas poupadas por que buscaram socorro em quem podia ajudá-los: Deus.
Infelizmente, a maioria perece por não invocar este nome que é socorro presente; preferem seguir firmados na sua ignorância: uns por não crerem, outros por acharem que não são merecedores de auxílio, outros por não terem a oportunidade de lhe ser mostrado quem lhe possa ajudar.
De certo é que o pecado continua a seduzir as almas a deixarem a "barca"; e ao fazerem isso afogar-se-ão, a menos que clamem o auxílio do alto, a única mão que pode salvá-la do risco iminente de morte e trazê-la a salvo para o lugar seguro de onde nunca deveriam ter saído.
São Paulo ensina que do pecado deve fugir-se, pois ele era bem conhecedor dessa realidade e deve ser a prática de todo cristão, pois a obediência em Cristo é vida, a desobediência é morte.
Deus deseja resgatar a todos e sua mão está constantemente estendida; mas o querer de Deus tem que se encontrar com o querer humano, para que assim Ele possa produzir o milagre da salvação.
Deus te abençoe em nome do Nosso Senhor Jesus Cristo.

domingo, 10 de julho de 2016

Fora da barca corremos perigo!

Desde a sua criação, mesmo antes de sua queda, o homem já corria risco neste mundo, tanto que fora advertido por Deus a respeito da "árvore da ciência do bem e do mal" (Gn 2, 16) e seus "frutos" mortais. Mesmo assim, Adão e Eva cedem à tentação e a consequência é a morte (Gn 2, 16).
De lá para cá o ser humano tornou-se ainda mais vulnerável aos "frutos" perigosos do pecado; logo, o homem vive em constante risco de morte, principalmente, ao cair na tentação da autossuficiência e egocentrismo que o leva a viver e agir segundo suas próprias vontades.
As Sagradas Escrituras ao deixarem patente ao homem a gravidade desta forma de agir vai evidenciar, também, que existe uma única maneira de proteger-se de tão grande risco: abrigar-se em Deus e Nele refugiar-se.
Para isso, a figura simbólica da barca vem, no texto bíblico, indicar esse lugar de refúgio, de segurança, e isso já se evidencia no Gênesis na pessoa de Noé que visitado por Deus recebe a ordem de construir uma arca (Gn 6, 14), uma barca, afim de ele, sua família e casais de animais não pereçam ante o dilúvio que viria para exterminar aquela geração corrompida e que não buscava a Deus.
Esta figura da barca novamente retornará no Novo Testamento quando de duas passagens emblemáticas: a da tempestade acalmada (Mc 4, 35-41) e Jesus andando sobre as águas (Mt 14, 23-33).
Na primeira passagem o texto narra Jesus e os discípulos numa barca atravessando um lago quando surge uma grande tempestade que quase afunda a mesma, o que não acontece por que Jesus dá ordens aos ventos e a calmaria é restabelecida.
Na segunda passagem os discípulos estão na barca atravessando o lago, assolados por ventos fortes, quando avistam o Senhor jesus e se apavoram por pensarem ser um fantasma. Pedro ao perceber tratar-se do Senhor pede que possa lhe ir ao encontro o que Jesus autoriza. Porém, no primeiros passos atemoriza-se devido a força das ondas e do vento e começa a afundar. pede socorro ao Senhor que o salva e entrando ambos na barca o vento cessa.
A barca de Noé (Antigo Testamento) e no Novo Testamento denotam lugar de segurança ante as tempestades e procelas que contra ela investem. No entanto, esta barca somente torna-se lugar, refúgio seguro pela presença de um comandante, um chefe, um líder, cuja figura de Noé prefigura a verdadeira segurança que é Deus em seu Filho Jesus Cristo.
Esta "barca" vem a ser a Igreja que navega pelo "mar" da história atravessando tempestades violentas que ao longo dos milênios levanta-se furiosamente contra ela e seus discípulos nela abrigados. Barca esta que não deixará de ser assolada no seu singrar rumo ao porto definitivo que é o céu quando haverá o encontro definitivo com seu dono.
Enquanto isto, o texto bíblico e o Sagrado magistério inspirados pelo Espírito Santo que hoje guia a barca da Igreja, ensinam que todo o que se arvorar deixa-lá, e a segurança que ela oferece, certamente, perder-se-á; logo, é imperioso conscientizar-se que, no peregrinar desta vida, mesmo em meio aos ventos e procelas, permanecer na Igreja é imprescindível.
Esta segurança se fortalece a partir da firme decisão de nãos se afastar da sã doutrina, do Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo e da sua íntima presença que nos exorta a "não nos afastarmos de Jerusalém" sem Ele, ou seja, da sua casa, da sua presença, pois agir contrariamente a esta exortação é pular da barca e ser tragado pelo mar bravio como bem ensina o Papa Emérito Bento XVI em seu livro Jesus de Nazaré: da entrada em Jerusalém à ressurreição
sobre a decisão de Judas Iscariotes de deixar a presença de Jesus e dos demais discípulos para embrenhar-se pela noite tenebrosa.
O Espírito Santo, condutor da Igreja, seja o auxílio de todo homem nesta decisão de permanecer na barca, afim de que o relativismo, o neopaganismo, a apostasia que graçam neste mundo, seduzindo a tantos a saírem da barca, encontre homens e mulheres decididos a permanecerem na segurança da Santa Igreja, via segura rumo ao destino final que é o céu.
Deus te abençoe em nome do Nosso Senhor Jesus Cristo.

domingo, 5 de junho de 2016

Por causa de...? ou, Apesar de...?

O que se constata nestes dias, no que tange ao anúncio do Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo é um desvirtuamento quase que completo daquilo que foi estabelecido e determinado pelo Senhor aos seus Apóstolos e a toda a Igreja.
Este desvirtuamento se observa quando se prega um Evangelho que não mais é utilizado para confrontar o homem com a sua condição real de pecado, e por isso, encontra-se dilacerado pelo mesmo assim como é mostrado Jesus à multidão após a flagelação com a frase de Pôncio Pilatos: "Eis o homem" (Jo 19, 5), como bem explica o Papa Emérito Bento XVI na segunda parte da sua obra "Jesus de Nazaré: da entrada em Jerusalém à ressurreição".
Confrontação à qual se viu tendo que encarar aquela mulher adúltera (Jo 8, 1-11), e que diante de Jesus que a salvara do apedrejamento ouve dele o pedido: "Vai e não tornes a pecar" (vers. 11).
Trata-se, hoje, de um Evangelho que foca na solução dos problemas prementes (enfermidades, dívidas, crises familiares...), ou pior: como guia de auto-ajuda, sem, no entanto, preocupar-se em ir a fundo na causa principal: o pecado (fonte de todos os males e mazelas humanas). É como se alguém quisesse recuperar um móvel corroído por cupins sem se importar com os cupins.
Além disso, todo milagre, toda benção recebida não tem a finalidade de gerar uma mera satisfação pessoal e uma gratidão estéril, mas possui a função de aproximar o agraciado de Cristo, a Ele reconhecer e amar, e por Ele deixar tudo e segui-lo como fizeram Pedro, André, Tiago e João (Lc 5, ).
No entanto, o que se observa são igrejas e seitas, a partir de uma utilização equivocada ou mal intencionada do Evangelho de Jesus buscando estratégias para mais lotar templos e atrair adeptos sedentos por graças particulares do que proporcionar o feliz encontro destas pessoas com o logos de Deus, Jesus Cristo, que, verdadeiramente, é o sentido da vida: amar e servir a Deus (CIC, 396).
Neste afã de atraírem adeptos e não adoradores de Deus que o adorem em "Espírito e em Verdade" (Jo 4, 23) por Ele Jesus, sem esperar nada em troca (como declarava Santa Tereza D'Ávila), sucedem-se invencionices das mais absurdas e ao se observar tais descalabros pergunta-se: "Como pode, em meio a tanto absurdo, Deus agir e tantos milagres acontecerem?"
A resposta primeira é: Misericórdia e Fé. Deus conhece as nossas misérias, conhece a todas, principalmente a desobediência e ingratidão; no entanto, por AMOR aos homens ele vem ao encontro dos miseráveis, principalmente, quando seu nome é clamado com fé viva e coração humilhado. Por isso que Deus diz a Moisés: "Eu vi, eu vi a aflição do meu povo que está no Egito e ouvi os seus clamores por causa de seus opressores. Sim, eu conheço seus sofrimentos." (Ex 3, 7), e movido por esse amor compassivo e misericordioso agiu e libertou os israelitas.
Em segundo: Deus não age por causa de, mas, na maioria das vezes, apesar de. assim, independente da situação de vida que aquele (a) servo (a), líder religioso viva na sua intimidade, ainda que aos olhos dos outros busque demonstrar santidade nas atitudes, mas que aos olhos de Deus não passe de um "sepulcro caiado" (Mt 23, 27), assim mesmo o Senhor age. E age por quê?  Por que é Amor (1 Jo 4, 8. 16).
Essa constatação deve produzir na vida de todo cristão engajado na missão de evangelizar uma consciência de que não é por causa de mim, pois talvez a minha condição de vida seja a mais lastimável perante Deus, mas apesar de mim é que Deus realiza. Muitos santos como Santo Afonso de Ligório tinham esta clara certeza diante de si, daí declarar que "De nós mesmos só temos o nosso nada e o nosso pecado", logo era plenamente consciente que se graças aconteciam na vida das pessoas não eram por causa dele, mas apesar dele. Ser reconhecedor dessa verdade é fator imprescindível para que se destrua a soberba (que campeia em tantos templos e congregações) e se edifique a humildade; esse foi inclusive o itinerário espiritual de todos os santos da Santa Igreja tendo em Jesus e Nossa Senhora exemplos maiores.
Faz-se imperioso, porém, deixar claro que Deus deseja servos, líderes santos, pois 1 Pedro 3, 16 conclama: "Sede santos como vosso Pai é Santo", logo, a santidade não é exceção, mas a regra, e naqueles (as) onde esta santidade verdadeiramente se expressou, como em Santa Tereza D'Ávila em que Jesus ao constatar uma plenitude de santidade e de amor total a Ele declarou: "Todo o pedido que a mim apresentares não ficará sem resposta" (não com essas palavras literais!), o agir de Deus foi por causa de.
Infelizmente, como prevalece o apesar de, que o Senhor Jesus levante homens e mulheres cheios do Espírito Santo, que apesar de fraquezas e falhas desejam ser instrumentos usados pelo Cristo para o bem do próximo, sem invencionices ou deturpações, mas consciente de que se algum bem se faz ou realiza na vida do irmão é apesar de.
Deus te abençoe em nome do Nosso Senhor Jesus Cristo.

segunda-feira, 9 de maio de 2016

Precisamos de anjos!

Na jornada desta vida, ou neste desterro, como referia-se Santa Tereza D'Ávila ao nosso peregrinar, necessitaremos, indubitavelmente, de companhias, boas companhias, santas companhias, anjos que nos sejam auxílio, mão amiga, voz exortativa, coração acolhedor, afim de que completemos a carreira, como dizia São Paulo a Timóteo.
Essas presenças podem se achegar das mais diversas maneiras: pais, irmãos, parentes, cônjuge, filhos, amigos...Todas elas são necessárias, pois foi o próprio Pai que imprimiu essa necessidade na ordem natural do ser humano ao declarar: "Não é bom que o homem esteja só." (Gn 2, 18).
Dessa forma, companhias não são fruto da minha decisão de querê-las, ou não, mas são uma necessidade impressa na alma; e se são imperiosas a mim, onde, como encontrá-las?
Perscrutando a Palavra de Deus no Gênesis, na passagem onde Deus ao se reportar à serpente declara: "Porei ódio entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a dela. Esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar" (Gn 3, 15), constata-se que existem duas descendências: a da mulher e a da "serpente", ou seja, a dos filhos de Deus e dos filhos do mal; a dos que seguem e servem em plena obediência ao Pai, e a dos que O rejeitam.
É de se deduzir, então, que se quero boas companhias que me sejam auxílio na jornada para o céu é patente que somente encontrarei essas boas e salutares presenças na descendência da mulher. Mulher essa que pode ser vista sobre dois aspectos: no sentido da Igreja, Corpo de Cristo, onde todos estão configurados a Cristo-Cabeça e que carregam a obrigatoriedade de nunca, em hipótese alguma, atentar contra a dignidade do próximo como direito, e da obrigatoriedade, sempre, de primar pela dignidade e o bem do irmão como um dever.
Em outro sentido essa "mulher" (Ap 12, 1) é uma pessoa: Maria Santíssima, que gerou Jesus e cujo "ventre", do coração, continua a gerar mais e mais filhos, anjos, para a Igreja, e para o Reino dos céus. Assim, é insofismável que se necessitamos de anjos ao nosso redor quem melhor que a Rainha dos anjos para nos auxiliar?
Por isso que "o Anjo do Senhor (Sl 33, 8), Jesus Cristo, entrega João aos cuidados da Mãe, e não o inverso, para que naquele coração materno um anjo fosse gestado, afim de, posteriormente, tornar-se, juntamente com os demais Apóstolos, anjos de Deus para a humanidade inteira.
É fato que necessitamos de boas companhias, de anjos de Deus, instrumentos abençoados que nos exortem no erro, nos levante na queda, nos reconduza ao caminho certo ao nos desviarmos, que nos amem mesmo em meio às nossas imperfeições, que chorem junto no tempo das provas e se alegrem junto nas vitórias.
Encontrá-los não será tarefa fácil, visto que mesmo na Igreja existem os da descendência do mal, o "joio" misturado ao trigo, e para isso é indispensável o auxílio de Jesus, Nossa Senhora e do Espírito Santo, visto que humanamente poderemos nos enganar e decepcionar.
Precisamos de anjos aqui nesta vida que desde já façam coro conosco nos hinos e louvores que juntos entoaremos, eternamente, com Jesus, Maria, os anjos e santos, perante o Pai, na força do Espírito Santo, no céu.
Deus te abençoe em nome do Nosso Senhor Jesus Cristo.

terça-feira, 19 de abril de 2016

A pior lástima!

As Sagradas Escrituras mostram que a queda de Adão e Eva trouxe males terríveis ao homem como, por exemplo, a perca da imortalidade (Sb 2, 23) ou da dignidade quase igual a dos anjos (Sl 8, 6), ou o fato de viver do suor do rosto e sentir dores de parto (Gn 3, 16-19), ou ainda, qualquer um daqueles tantos males listados por São Paulo na sua Carta aos Romanos 1, 19-32.
Existiria, no entanto, um mal pior que todos estes? Verificando-se as Escrituras: com certeza. Qual seria ele, então?
Analize-se, a partir da definição de Deus expressa por São João em 1 Jo 4, 8. 16 quando afirma e reafirma: "Deus é Amor", logo conclui-se que a obra da Criação foi fruto do amor de Deus, visto que a narrativa do Gênesis inicia-se por mostrar uma "terra informe e vazia" (Gn 1, 2) o que deve, portanto, ter impulsionado a Deus a desejar transformar aquela triste realidade.
Impelido pelo seu grande amor cria todas as coisas e por último a sua obra-prima: o homem (Gn 1, 26) na pessoa de Adão. Ao ver que este se mostra não totalmente satisfeito dá-lhe uma companheira : Eva. Ambos criados por amor e com amor, logo, os primeiros pais trouxeram em sua essência o divino, puro, santo, verdadeiro, perfeito, sagrado amor de Deus que permitiu Adão amar Eva à primeira vista: "Eis agora aqui, disse o homem, o osso de meus ossos e a carne da minha carne" (Gn 2, 23), não com um amor eros (sexual, carnal), mas um amor ágape (pleno, total), capaz de ver um no outro a plena presença de Deus e sua beleza a ponto de nem notar a nudez em que estavam.
No entanto, havia alguém que não se agradava de tal maravilha, de tão belo espetáculo: um Deus que ama suas criaturas em totalidade e que por elas é amado reciprocamente, na mesma intensidade com que ambos se amam. este ser, que por inveja e ódio, pois fora banido da presença deste Amor definitivamente, utilizando-se de uma artimanha, de uma "arma" eficiente (como bem afirmou Beato Papa Paulo VI) que é o pecado, induz Eva à queda e que, por conseguinte, induz seu marido à queda, também.
Esse laço de amor é rompido e o homem sofre a consequência deste ato: morre (Gn 2, 16-17), não no sentido biológico, mas espiritualmente e no sentido de ter perdido esta essência que o fazia plena imagem e semelhança do Criador: o amor. As consequências disso: a vergonha (Gn 3, 7. 10), a cisão (Gn 3, 12), a violência (Gn 4, 1-15) e toda sorte de males (Gn 6, 5). O homem criado para ser todo amor e todo bem, agora é todo pecado, e isso feria a Deus de "íntima dor" (Gn 6, 6).
Dali por diante, todo tipo de mazela se abateu sobre o homem e sua descendência sendo esses males repassados às gerações seguintes muito piores e acrescidos de novos.
Verdadeiramente, a pior lástima na queda de Adão e Eva foi a perda da capacidade de amar com o amor de Deus, daí a tripla consequência: a incapacidade de amar a Deus, sobrevindo, então, a egolatria, a idolatria, o ateísmo, ou um amor a Deus mesquinho e interesseiro; a incapacidade de amar o próximo, sobrevindo, então, a subjugação do outro (escravidão, tortura, humilhação...), a exploração, até o total desprezo manifesto na forma das guerras, do aborto, da eutanásia...; por fim a incapacidade de amar a si mesmo, pois, sem amor a Deus nem a si (daí a proliferação dos vícios), o outro pouco importa.
Por isso que Jesus ao vir em resgate deste homem decaído, trás no bojo da sua mensagem evangélica a imperiosa necessidade de amar, e deixa isso claro quando perguntado pelos fariseus qual seria o maior mandamento, o Senhor assim responde: "Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda tua alma e de todo o teu espírito. (...). E o segundo, semelhante a este é: amarás o teu próximo como a ti mesmo" (Mt 22, 37. 39), fazendo alusão, assim, àquilo que é a essência do homem criado, mostrando a partir dele próprio Jesus o homem que fomos e que devemos voltar a ser.
Mensagem que foi tornada explícita pelo Apóstolo que se identificava como "o discípulo que Jesus amava" (Jo 19, 26; 21, 7) e que na sua Primeira Carta mostra de forma cristalina a identidade do homem renascido a partir de Cristo que é o amor, e isto evidencia-se mais claramente nos capítulos 3 e 4.
Portanto, a perca da capacidade de amar foi a pior lástima, e necessário se faz o seu resgate, e este deve ser o propósito de todo ser humano, pois curas, milagres, prodígios impressionam, mas experimentar o amor de Deus em sua pura essência, verdadeiramente é o que transforma e converte. É o caso de Maria Madalena cuja libertação de demônios () e da prostituição não foi nada perto da experiência do amor de Deus.
Este amor a marcou de tal forma que levou-a a deixar tudo e seguir Jesus até a cruz juntamente com Maria Santíssima e ser a primeira a testemunhar Jesus ressuscitado e tornar-se anunciadora do acontecido aos discípulos, ou seja, a prostituta (que era uma "terra informe e vazia"), agora torna-se anjo, tudo por que um dia teve devolvido o que de mais precioso se pode ter: a capacidade de amar com o amor de Deus, amor que é "derramado nos nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado" (Rm 5, 5).
Deus te abençoe em nome do Nosso Senhor Jesus Cristo.

segunda-feira, 11 de abril de 2016

Na terra ou no mar, evangelizar!

O Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo é claríssimo ao demonstrar que o itinerário da vida cristã passa pelo crer, batizar, testemunhar (evangelizar) e partir.
"Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura..." (Mc 16, 15) é o envio dos discípulos, e da Igreja como um todo, logo, evangelizar é uma premissa obrigatória para todo batizado, uma exigência da parte do Senhor que encontra toda ênfase na frase de São Paulo: "Anunciar o Evangelho não é glória para mim; é uma obrigação que se me impõe. Ai de mim se eu não anunciar" (1 Cor 9, 16).
Portanto, se evangelizar não é opção, mas condição necessária para todo o que professa Cristo, torna-se imperioso ter consciência, também, que evangelizar não escolhe tempo nem lugar, pois quando se refere ao tempo é São Paulo que, na sua Carta a Timóteo, exorta: "Prega a Palavra, insiste oportuna e inoportunamente..." (2 Tm 4, 2).
No que tange ao lugar é o próprio Jesus que evidencia que todo lugar (povo, raça e nação) é lugar propício para a difusão do Evangelho, mesmo que seja na terra ou no mar, pois uma parábola e uma passagem de sua vida são esclarecedoras a respeito dessa realidade.
A parábola é a do semeador (Mt 13, 1-23) onde Jesus mostra a missão de evangelizar comparada ao ofício de semear, pois evangelizar é lançar sementes, sementes estas que Jesus ensina tratar-se da Palavra de Deus (vers. 19) e que deve ser lançada ao "solo" do coração de cada homem na intenção que germine, cresça, floresça e frutifique.
Já a passagem bíblica que mostra o encontro de Jesus com os primeiros discípulos (Pedro, André, Tiago e João) em Lc 5, 1-11 vai evidenciar o evangelizador como pescador, pois após o evento da pesca milagrosa o Senhor faz o convite àqueles homens: "Não temas, doravante serás pescador de homens. E, atracando as barcas à terra, deixaram tudo e o seguiram." (vers. 10-11)
Estes dois trechos bíblicos mostram, então, que se na terra, semeadores, se no mar, pescadores, para indicar a universalidade da missão de evangelizar da Igreja que não escolhe "solo" nem "mar", pois todos são o "mundo" que Jesus fazia menção na passagem do Evangelho de São Marcos.
Outro detalhe ainda a destacar é o fato de que o semeador e o pescador eram profissões comuns e típicas de pessoas mais simples e humildes da sociedade judaica da época, o que indica que o chamado e a resposta sempre virá com mais vigor dos simples, dos pequenos; além de denotar que da terra brota o trigo que vai tornar-se pão e a videira que irá produzir o vinho, assim como do mar saem os peixes, elementos que remetem a ceia, banquete, alimento.
Isso para indicar que a missão de todo evangelizador é levar Jesus Cristo, o Pão da Vida (Jo 6, 35. 48), Aquele que nos convida a "cear com Ele e Ele conosco" (Ap 3, 20) em cada Santa Missa por meio da Santa Eucaristia.
Evangelizar torna-se, então, o ato de levar Jesus Cristo, presença que alimenta e fortalece, não somente o corpo, mas, fundamentalmente, a alma e o Espírito, e se faz presença real na vida e na caminhada de todo o que Nele crê e a Ele busca.
Desta forma, a necessidade de evangelizar se faz sempre necessária em todo tempo e lugar, pois sempre haverá pessoas necessitadas de Cristo como presença que dá sentido a vida e único capaz de saciar toda "fome" de Deus que cada um trás em si. Daí não importar se é "terra" ou "mar", o importante é evangelizar.
Deus te abençoe em nome do Nosso Senhor Jesus Cristo.