sábado, 18 de outubro de 2014

Somente a Verdade revela a beleza das coisas

Quando o Supremo Deus, após criar a luz, juntar as águas, trazer à existência os seres vivos (terrestres e aquáticos), decidiu "fazer" o homem e o criou resplandescente de tudo que de mais belo havia, inclusive a verdade.
A plena verdade de Deus estava no olhar, nas palavras, nas ações, enfim, em toda a conduta de Adão e Eva, e enquanto assim permaneceram Adão continuamente olhava para Eva e a mesma expressão lhe vinha aos lábios: "Osso dos meus ossos!" (Gn 2, 23). A verdade da presença do Criador encantava os olhos um do outro, alegrava o coração de ambos, e os impulsionava a glorificar a Deus, e assim seria para com toda a humanidade.
Infelizmente, um ato de desobediência: o pecado, pôs tudo abaixo; a verdade que resplandecia Deus deu lugar à vaidade, ao orgulho, dentre outras tantas baixas virtudes, e um começou a vislumbrar no outro não mais a beleza do Pai, mas as suas "feiúras" particulares, e isso se estendeu a toda a humanidade.
A verdade de Deus que está na autoria de tudo que é criado foi relativizado, e assim, até o belo tornou-se relativo. A consequência disso foi catastrófica, pois, se a verdade é relativa, ou até inexistente, a mentira pose ser verdade, o falso pode ser verdadeiro, o pecado pode ser virtude, o inaceitável pode ser perfeitamente plausível.
Ao se contemplar um rio, por exemplo, a verdade é que o mesmo só é belo quando limpo, vicejante de vida, útil; no entanto, o fato de estar sujo, imundo, poluído, sem vida, torna-se relativo se o que interessa é utilizá-lo como fonte de despejo de dejetos de toda espécie. A verdade é que um homem só é belo quando cultiva em si as melhores virtudes e princípios, no entanto, o fato de mesmo sabendo que usar e abusar das prerrogativas mais reprováveis é inaceitável, torna-as, ao contrário, dignas de exaltação.
Essa deficiência tem uma origem e pode ser corrigida, e foi o que Nosso Senhor Jesus Cristo buscou mostrar na sua breve passagem por este mundo. Quando se olha para o caso de Zaqueu (Lc 19, 1-10), da samaritana (Jo 4, 1-42), da adúltera (Jo 8, 1-11), percebe-se que o Senhor, dentre tantas coisas, devolveu a beleza perdida a estas pessoas a partir do momento em que delas foi retirado o que lhes "enfeiava" e lhes impedia de ver Deus no outro.
São Francisco de Assis foi um desses tantos que ao ser reconciliado com a verdade autêntica passou a perceber a beleza de Deus em todas as coisas, desde uma flor, passando pelos passarinhos, chegando ao próprio ser humano; algo tão factível e tão impactante que ao perceber o desprezo dos homens por tal graça saiu pelas ruas de Assis a bradar: "O Amor não é amado".
A força que o pecado possui é tão tal que no martírio de Jesus onde ao expirar na cruz, segundo o que profetizou Isaías, "...não tinha graça nem beleza para atrair nossos olhares, e seu aspecto não podia seduzir-nos..." (Is 53, 2), ou seja, a Beleza das belezas, a Verdade das verdades estava tão desfigurado que para quem O viu e conheceu era algo aterrador; no entanto, a multidão dos "desfigurados" que presenciavam o fato regozijavam-se no que viam, à exceção de Maria Santíssima e João (Jo 19, 25) e o soldado romano.
É fato: somente Jesus, por meio do seu Santo Espírito, pode restaurar a beleza da vida, a beleza que há na criação, a beleza que existe no outro, a beleza que consiste em ter na Verdade um bem elevadíssimo, verdade que põe às claras o que se traveste de bom e que na verdade é ruim; o que se traveste de bem e na realidade é mal; o que se traveste de certo e na realidade é errado; o que se traveste de seguro, mas na realidade é perigoso...
Em suma, enquanto caminharmos obstinados em não querer buscar e nem aceitar a Jesus como Senhor, que nos dá o Paráclito, o Espírito da Verdade (Jo 15, 26), não seremos capazes de contemplar a beleza perfeita das coisas, assim como como contemplou o Pai Criador quando ao terminar sua obra e contemplá-la declarou que tudo era "muito bom" (Gn 1, 31).
O Espírito Santo te faça verdadeiro e belo. Deus te abençoe em nome do Nosso Senhor Jesus Cristo.

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

O cortejo dos "mortos" ou a procissão dos "vivos"?

A passagem da viúva de Naim (Lc 7, 11-17) nos leva a uma reflexão que suscitará uma decisão; nada de novo quando se trata do Evangelho, visto que todos fazem menção a uma posicionamento, a uma escolha, ou seja, a uma tomada decisão.
Nesta narrativa bíblica o texto sagrado trata de um cortejo fúnebre de um jovem que tem a frente sua mãe, cujo detalhe único a seu respeito é que a mesma é viúva, algo que não é mero detalhe visto que ser viúva na sociedade judaica da época significava não ter vida fácil; e para complicar, ou melhor, para piorar tudo ainda perde o único filho.
Era uma realidade terrível na qual se encontrava aquela mulher, e por isso, ser ela a puxar aquele cortejo entre lágrimas, dor, desespero..., e levando consigo uma multidão que a acompanhava nas suas angústias.
No entanto, narra a Palavra que aquele cortejo cruza com Jesus, que atrás de si arrasta uma multidão de gente, e que ao ver tal cena resolve parar o funeral movido por compaixão para com aquela mãe que sofre. O Senhor toca o esquife proclama uma palavra de ordem: "...levanta-te", e o morto ressuscita.
Surpresa geral, espanto, pessoas atônitas ante tal acontecimento. Uma mãe que até há pouco chorava de angústia, agora chora de alegria. Pessoas rendem glórias; o cortejo acabou, a tristeza acabou; o choro cessou; Deus se manifestou, e Jesus seguiu sua missão, sem alardes, discretamente, mas agora levando atrás de si uma procissão de gente que se tornou ainda maior.
Esta é a reflexão a se fazer, pois existem muitas pessoas vivendo esta realidade: a de seguir o "cortejo" das suas perdas. Homens, mulheres, famílias choram por ver sendo levado num "caixão" o que de mais "precioso" possuía: bens materiais, fama, sucesso, pessoas amadas, negócios..., mas de certo é que pela vida de todos chegará o instante em que cruzarão com Aquele que na sua compaixão e misericórdia pode mudar este cenário.
Neste momento deverá entrar em ação um componente importante: a fé, pois crer que Jesus pode mudar esta realidade é fundamental. Alguns, infelizmente, não darão crédito ao senhor, e resolutos na sua decisão de confiar apenas na sua crença de que nada, nem ninguém, poderá mudar a situação, preferirão seguir em frente, juntamente com a multidão dos que optaram pela incredulidade.
Entretanto, haverão os que darão ouvidos ao apelo do Senhor, permitindo-O agir. O resultado será ver uma realidade que, humanamente seria insolúvel, ser modificada diante dos seus olhos; assim aconteceu com Bartimeu (Mc 10, 46-52) e o final da passagem diz que ele "foi seguindo Jesus pelo caminho." (vers. 52). Foi mais um que deixou o cortejo dos "mortos" para seguir a procissão dos "vivos", dos "ressuscitados".
Esta, então, é a proposta do Senhor Jesus para a humanidade, relembrando o que Deus propunha a Israel na passagem de Êxodo 30, 19: "...ponho diante de ti a vida e a morte, a benção e a maldição. Escolhe, pois a vida...". Diante de cada homem estão as duas alternativas, e a cada um, em seu livre arbítrio, cabe a escolha, sendo que Deus indica a melhor das duas, e a melhor é optar por Aquele que afirma: "Eu vim para que as ovelhas tenham vida e para que a tenham em abundância." (Jo 10, 10).
Escolhe, pois a Vida; escolhe, pois, Jesus; abandone o cortejo dos "mortos" e venha ser parte da procissão dos "vivos" que seguem Jesus, "semeando entre lágrimas, recolhendo com alegria" (Sl 125, 5) e trilhando o caminho para a glória celeste.
Deus te ajude a fazer a melhor escolha e te abençoe em nome do Nosso Senhor Jesus Cristo.

sábado, 20 de setembro de 2014

Zaqueu e Bartimeu: duas histórias, um mesmo final!

Em certo momento, o Evangelho de São Marcos (Mc 10, 46-52) narra uma passagem da vida de um homem chamado Bartimeu; o Evangelho de São Lucas (Lc 19, 1-10) faz menção a uma passagem da vida de um outro homem: Zaqueu.
O que há de interessante? O que há de importante nas vidas desses dois personagens? O final da história mostrará. Os dois possuem diferenças e semelhanças nas suas trajetórias: quanto às diferenças o texto bíblico mostra que Bartimeu possuía uma deficiência física (cegueira) e era mendigo, enquanto que Zaqueu não possuía qual quer deficiência (apesar de que era de baixa estatura, mas não dá pra afirmar que era anão!) e era rico. Quanto às semelhanças, os dois eram conterrâneos: eram da cidade de Jericó; além disso viviam a triste experiência da exclusão.
Bartimeu era excluído pela própria condição de mendigo, provavelmente, alguém maltrapilho, sujo, mal-cheiroso..., condições que provocavam, pressupõe-se, repulsa e desejo de distanciamento. Do outro lado Zaqueu que era excluído, não pelo aspecto degradante, mas pela posição e cargo que exercia (cobrador de impostos), o que certamente, provocava no povo raiva e indignação, além do mesmo sentimento de repulsa e distanciamento.
Ser, portanto, tão desprezado deveria ser motivo para carregarem consigo ódio, desprezo, indignação, lamúrias, e uma séria de outros sentimentos. No entanto, estes homens iriam demonstrar mais uma característica coincidente que iria se manifestar num momento em especial: eles tinham fé.
O momento especial foi quando se depararam com o Senhor Jesus; Bartimeu ao ouvir a barulheira causada pela multidão que seguia a Jesus indaga: "O que está acontecendo?", e ao lhe responderem que era Jesus que vinha passando não teve dúvidas em clamar o socorro do Senhor. Narra a Palavra que ao ouvir os apelos de Bartimeu Jesus se aproxima e questiona: "O que queres que Eu te faça?", e de pronto responde: "que eu veja!", e a graça acontece.
Zaqueu também ficou sabendo que Jesus iria passar pela cidade, porém, como mero curioso, não fez barulho, mas preferiu subir numa árvore e ficar distante. Não contava ele, que seria visto pelo Senhor e ouviria o pedido que lhe transformaria para sempre: "Desce depressa por que preciso estar hoje em tua casa!". Zaqueu o recebeu e foi o suficiente para que a graça acontecesse na sua vida, também.
O que permitiu a esses dois homens receberem tal graça? A fé. A partir do instante que creram em Jesus e abriram seus corações, o Senhor pôde agir e a mudança aconteceu, a conversão aconteceu, e aqueles dois homens que tinham em comum a rejeição, a exclusão como realidade nas suas vidas, puderam, a partir daquele encontro, verem suas histórias recontadas.
Isto porque Jesus nunca realiza uma graça específica, ou seja, Ele não apenas curou a cegueira de Bartimeu, ou a ganância de Zaqueu, mas o Senhor os curou por completo. Naquele encontro foram perdoados, curados de todos os sentimentos ruins, de todas as lamúrias, palavras de maldição, enfim, a transformação interior foi tal que ambos passaram a seguir a Jesus.
Estas duas histórias mostradas pelas Sagradas Escrituras vêm mostrar que certas situações acontecem independente da nossa vontade: caso de Bartimeu; outras vezes, o próprio indivíduo e o responsável por chegar aquela situação: caso de Zaqueu. Mas o que importa é que sendo responsável, ou não, Deus, em algum momento, irá perpassar a nossa trajetória e o fundamental é que se esteja atento há este momento e que não deixe a graça passar.
Felizmente, não foi o caso de Bartimeu e Zaqueu, mas infelizmente o que se observa, também, é uma grande quantidade de pessoas que vivendo a triste realidade da exclusão, o da auto-exclusão, preferem agarrar-se à vaidade e ao orgulho é optar por recusar a "mão estendida" que se lhe apresenta, até mesmo a de Jesus. Ao optar por este caminho percorrerá uma estrada de rancor, ódio, amargura que o levará a um triste fim.
Esta não é a vontade de Deus, pois Jesus declarou que veio para que todos tivessem "vida em abundância" (Jo 10, 10) e era justamente o que faltava a Bartimeu e Zaqueu, mas passaram a tê-la a partir do momento que deram uma chance a si próprios ao abrirem seus corações e deixarem Jesus agir.
Faça o mesmo você também, e experimente o maior de todos os milagres: a graça de de ser amado e resgatado por Deus.
Deus te abençoe em nome do Nosso Senhor Jesus Cristo.

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Não serão ideologias...será o Amor!

Desde a queda de Adão e Eva (Gn 3, 6), o homem privou-se de várias características que o tornavam semelhança de Deus, entre elas, a capacidade de desejar e fazer o bem ao outro, visto que por amor foi criado e por amor deveria agir, propagando, disseminando este dom aos seus semelhantes.
No entanto, vaidade, orgulho, ódio, indiferença..., dentre tantos outros maus sentimentos tomaram parte na natureza humana levando este homem a chegar ao ponto de subjugar ao outro por achar-se superior.
Este fato já se mostra evidente nos primeiros Livros das Sagradas Escrituras quando, ainda no Gênesis, a narrativa da vida de José, filho de Jacó, mostra que este é vendido como escravo pelos próprios irmãos, tudo fruto de inveja, ciúmes, ódio.
Esta triste realidade perpassa não somente a história do povo de Deus, mas de toda a humanidade, mesmo a pagã, e chegará visível até o tempo de Jesus quando vem a este mundo e encontra seu povo subjugado por um outro povo: o romano.
Naquele instante, os israelitas esperavam por um homem, um Messias, que com habilidades de guerreiro, valente e forte, aos moldes do grande rei Davi, expurgaria das suas vidas e da sua realidade aquela condição de humilhação.
Este Homem veio, "mas os seus não o receberam" (Jo 1, 11), porque sua proposta foi inteiramente contrária ao que se esperava; depararam-se com uma mensagem que defendia que o fim do opróbio viria não pela "força dos carros ou dos cavalos" (Sl 19, 8), mas pela força do coração, pela força do amor. Amor de Deus que antes de libertar o corpo, liberta a alma, e era o que Jesus tentava dizer, foi o que buscou ensinar; muitos, porém, não O compreenderam e por isso foi rejeitado e morto.
No entanto, muitos como Zaqueu, por exemplo, tiveram a oportunidade de experimentar essa proposta de Jesus quando, ao abrir as portas de sua "casa" (seu coração, sua vida), pôde constatar o que significa verdadeiramente ser livre.
Jesus voltou ao Pai e deixou sua Igreja a cargo de continuar a difusão desta mensagem transformadora, libertadora, mas o pecado tem sua força também, e afrontando a Palavra de Deus, seguiu levando ao longo dos séculos seguintes homens a portarem-se para com os outros da mesma maneira: opressora, subjugante...
No século XIX surge uma nova forma de relação que ara alguns nada mais é que uma nova forma de opressão e humilhação de homens para com homens: o capitalismo. Para alguns pensadores é uma nova forma vil de tratamento dos que possuem muito (burgueses) para com os que nada tinham (proletários); essa relação odiosa não colaborava para que um "mundo melhor" existisse: sem classes, sem dominados e dominadores, pobres e ricos, pequenos e grandes.
Em meio a esta realidade surge, então, uma corrente que defende a erradicação deste modelo temerário, para isso, a princípio torna-se necessária uma revolução do proletariado que pela força das armas teria que se insurgir contra os defensores de tal regime; surge assim a ideologia comunista, defendida por Karl Marx, conhecida, também, por marxismo.
Esta ideologia que ao longo do século XX foi sofrendo mudanças quando perceberam que a força das armas não surtira resultados satisfatórios. Passaram, então, a investirem na revolução cultural, na mudança de mentalidade, pois somente gerando uma humanidade conscientizada é que se debelaria por completo o capitalismo e tudo o mais que denotasse qualquer relação de poder, inclusive a religião, inclusive o cristianismo.
Todavia, o que se observa em mais de um século que esta ideologia vem sendo propagada pelo mundo é que mostrou-se ineficaz e até temerária, visto que produziu verdadeiras atrocidades nas nações onde foi implantada.
E por quê mostrou-se ineficaz? Por que o Senhor Jesus deixou claro na sua passagem por esta terra: a profunda mudança não ocorrerá de fora para dentro, como deseja a ideologia marxista, mas de dentro para fora, como viu-se com Zaqueu, e tantos outros casos durante o período em que Jesus propagou seu Evangelho, e em todos estes milênios de história cristã.
Somente um coração, uma alma restaurada pelo amor de Deus, livre de suas más inclinações, será capaz de ver o outro como importante, como especial, pois vê nele a imagem do próprio Deus e por isso sua vida é importante e digna de todo cuidado e zêlo.
Um mundo melhor não acontecerá mudando mentes (Jesus poderia ter utilizado deste recurso com Zaqueu), mas acontecerá a partir do momento que a "Verdade vos libertar" (Jo 8, 32). Daí não ser exagero afirmar: a verdadeira revolução para que o mundo melhor aconteça, e a Civilização do Amor, a que se referia São João Paulo II, exista, só se dará a partir de um encontro pessoal com o Senhor Jesus Cristo, pois não serão ideologias a produzir a mudança, será o Amor, como bem reconheceu o Apóstolo São João ao declarar: "Nós sabemos que fomos transladados da morte para a vida, porque amamos nossos irmãos." (I João 3, 14).
Deus te abençoe no nome do Nosso Senhor Jesus Cristo.

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Pacíficos, sim; pacifistas, não!

"Não, Paz não é pacifismo, não esconde uma concepção vil e preguiçosa da vida; mas, proclama sim os valores mais altos e universais da vida : a verdade, a justiça, a liberdade e o amor."; esta frase é parte da Mensagem do Papa Paulo VI de 1967 onde proclamava que o dia 1º de janeiro de 1968 seria o Dia Mundial da Paz.
Para nós cristãos é importante resgatar o que o Papa Paulo VI estava querendo dizer, pois a sua mensagem é esclarecedora em deixar ao evidenciar que a Paz pregada por Jesus em nada tem haver com a proposta pacifista que se propaga mundo afora.
No Sermão da Montanha (Mt 5, 1-11) o Senhor Jesus faz menção à necessidade que se tem de paz quando diz ao povo: "Bem-aventurados os pacíficos, porque serão chamados filhos de Deus!" (vers. 9); o Senhor mostra que ser pacífico é uma das características dos filhos de Deus, logo é um dos tantos bens que adquirimos ao aderir ao Evangelho de Cristo. Isto, portanto, evidencia que entre as tantas consequências da queda do homem no Éden, a perca da harmonia, do entendimento, do respeito entre as pessoas e povos, a deterioração dos "altos e universais valores da vida" que destaca Paulo VI, foi somente um dos tantos desastres que se abateram sobre a humanidade chegando ao ponto de lançarem-se em guerras uns contra os outros.
Jesus veio a este mundo num momento onde seu povo não vivia em paz, pois era subjugado pelos romanos; no entanto, segundo o que se observa nas palavras dos fariseus quando decidem-se por prender e condenar o Senhor à morte, é que naquele momento viviam, não em paz, mas num ambiente de "pacifismo" para com os romanos.
O pacifismo decorre, de certa forma, de um tratado de não agressão (ainda que não formal) entre duas partes que na verdade não se toleram, e até mesmo se odeiam; é como se um dissesse ao outro: "Eu não te suporto, e sei que você também não me suporta, então, vamos firmar um acordo de "paz" e sigamos sem agressões!".
Esta, provavelmente, seria a situação que viviam os judeus e romanos, ambos se odiavam, mas buscavam manter um convívio "tolerável". No entanto, o grande problema do pacifismo é que este "acordo" vive sob tensão por não ter uma base sólida, e por ser uma linha tênue qualquer ato ou atitude de um dos lados pode romper este "acordo".
Quando Jesus vem ao seu povo mostra, então a eles que a Paz verdadeira pode acontecer, é concreta, no entanto, necessita ser fundamentada numa base sólida, e esta base sólida é o próprio Jesus (Ef 2, 14), e a Santa Igreja entendeu isso, e nos ensina isso quando oramos: "...Eu vos deixo a Paz, Eu vos dou a MINHA Paz...". Assim, tratados, armistícios, protocolos de intenções, nada disso produzirá Paz no mundo, mas apenas pacifismo.
Quando Zaqueu (Lc 19, 1-10) deixou de viver o pacifismo para com a população de Jericó que o odiava, e vice-versa? Quando um dia foi encontrado por Jesus que o convidou para uma conversa. Ao abrir as portas de sua casa, e principalmente do seu coração, Zaqueu foi convertido, transformado radicalmente, não por uma ideologia, mas pelas palavras carregadas de verdade, justiça, liberdade e amor, e perdão, que emanavam dos lábios do Senhor por ação do Espírito Santo.
Daquele diálogo saiu agora um homem pacífico, que entendeu que a maior dádiva que existe é ser capaz de amar o próximo e promover-lhe em vez de submetê-lo. O gesto seguinte daquele cobrador de impostos injusto foi de devolver o dobro, até o quádruplo se necessário aos que prejudicara. Zaqueu sepultou o pacifismo e passou a ser um homem pacífico, um filho de Deus.
Este é somente um exemplo que torna concreta as palavras do Papa São Pio X: "Querer a Paz sem Deus é impossível"; no entanto, o mundo se nega a compreender tal verdade, daí ver-se a tentativa de estabelecer um pacifismo entre EUA e Rússia, Palestinos e Israelenses; capitalistas e comunistas..., tudo em vão, pois é um mero acordo de cavalheiros que não se sustenta.
A única possibilidade deste exemplos antagônicos e tantos outros que se ver surgir no século XXI: brancos x negros, homossexuais x heterossexuais..., somente acontecerá em Jesus como está profetizado em Isaías 11, 6-9: "Então o lobo será hóspede do cordeiro, a pantera se deitará ao pé do cabrito, o touro e o leão comerão juntos, e UM MENINO pequeno os conduzirá; a vaca e o urso se fraternizarão, suas crias repousarão juntas, e o leão comerá palha com o boi. A criança de peito brincará junto à toca da víbora, e o menino desmamado meterá a mão na caverna da áspide. Não se fará mal nem dano em todo o meu santo monte. Porque a terra estará cheia da ciência do Senhor, assim como as águas recobrem o fundo do mar."
O detalhe negativo é que o inimigo de Deus sabe disso, e ver essa profecia de Isaías cumprida não é a sua intenção; por isso tem levantado ideologias e filosofias totalmente anti-cristãs que mostram o cristianismo não como solução, mas como um entrave para que o pacifismo aconteça e um "mundo melhor" surja sobre a Terra.
Por isso Jesus deixou claro: "Não julgueis que vim trazer a paz à terra. Vim trazer não a paz, mas a espada" (Mt 10, 34). Não é que Jesus seja contra a Paz, mas é que o triunfo da "Sua Paz" significa a derrota do mal, e o Mal sabendo disso sempre se levantará de forma violenta como o foi e está sendo até os dias atuais.
Viva, portanto, a verdadeira paz de Jesus e rejeite o pacifismo, mesmo sabendo que talvez um preço tenha que ser pago por tal opção e que Deus nos ajude a sermos perseverantes até o fim.
Deus te abençoe em nome do Nosso Senhor Jesus Cristo.

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

"Porque Ele disse e tudo foi feito, Ele ordenou e tudo existiu." (Salmos 32, 9)

Existem vários aspectos da ação sobrenatural de Deus no mundo e nas pessoas, mas nada supera o poder da sua Palavra -  não somente a palavra escrita no Livro Santo -, mas a Palavra proclamada, a palavra pronunciada, aquela que proferida é a extensão do próprio Deus.
O Gênesis narra a Criação sempre iniciando com a frase: "Deus disse..." (Gn 1, 3.6.9.11.14.20.24.26.29) e ao que proclamava tudo se realizava, daí o próprio Davi no Salmos 32, 9 declarar: "Porque Ele disse e tudo foi feito, Ele ordenou e tudo existiu." (Salmos 32, 9), porque em Deus existe essa potência capaz de transmutar o invisível em visível, o inexistente em existência...
Ao longo das Sagradas Escrituras constata-se toda a imensa força da Palavra de Deus, a Criação por si só já seria suficiente, no entanto, ao percorrer-se o Antigo Testamento não são poucas as passagens que servem de exemplo. Como não ser tocado pela força desta Palavra quando nos lábios de Elias que ao ser que ao ser mandado por Deus para ser sustentado por uma viúva encontra a mesma em extrema penúria ao ponto de dizer que só possuía um pouco de óleo e farinha os quais os usaria para prepararia para si e para o filho antes de morrerem (I Reis 17, 12), ouve do profeta a seguinte palavra: "Porque eis o que diz o Senhor, Deus de Israel: a farinha que está na panela não se acabará, e a ânfora de azeite não se esvaziará, até o dia em que o Senhor fizer chover sobre a face da terra." (I Reis 17, 14) e o resultado foi que "A farinha não se acabou na panela nem se esgotou o óleo da ânfora, como o Senhor o tinha dito pela boca de Elias" (I Reis 17, 16).  
Como não ser tocado pela força desta Palavra quando nos lábios de Eliseu que ao ser interpelado pelo general sírio Naamã a fim de ser curado de lepra, ouve do profeta a seguinte palavra: "Vai, lava-te sete vezes no Jordão e tua carne ficará limpa." (II Reis 5, 10) e depois de relutar resolve fazê-lo e o resultado foi que "sua carne tornou-se tenra como a de uma criança" (II Reis 5, 14).
Agora, quando se adentra o Novo Testamento e se depara como os Evangelhos onde agora está manifesto "o Verbo que se fez carne" (Jo 1, 1), é que se observa a tamanha força da Palavra de Deus. São passagens emblemáticas e que forçosamente nos leva a refletir sobre essa ação extraordinária; é o caso das curas (cegueira, lepra...), Jesus nem declarava uma palavra de ordem - sê curado -, por exemplo, mas como no caso dos dez leprosos (Lc 17, 12-19) apenas ordena "Ide, mostrai-vos ao sacerdote" (vers. 14), e a cura aconteceu; as ressurreições (filho da viúva de Naim, da filha de Jairo, de Lázaro), este último o Senhor apenas fala: "Lázaro, vem para fora!" (Jo 11, 43), e o milagre aconteceu.
Refletir o poder da Palavra do Senhor é refletir o milagre eucarístico que assim como o Senhor proclamou na Santa Ceia sobre o pão e vinho dizendo: "Isto é o meu corpo...isto é o meu sangue..." (Lc 22, 19-20), pela palavra do sacerdote o milagre se repete em cada Santa Missa.
Por que Ele disse, a carne apodrecida do leproso se restaura de forma espetacular, assim como a carne decomposta de um morto; isso significa, biologicamente falando, constatar que células mortas, moléculas já inertes voltam ao funcionamento normal de forma inexplicável; um pão que é puro carboidrato se transmutar em carne, o que significa dizer que agora também contém proteínas, lipídios; água (inorgânica) muda-se em vinho (orgânico), logo, a Palavra de Deus não segue a racionalidade e a regra normal das coisas e por isso são tão grandiosas.
Por estas e outras é que São Paulo diz que ela é "viva e eficaz", em todos os sentidos e por isso "digna de fé", de ser acolhida, vivida e respeitada, recordando-se mais uma vez que aqui faz-se menção não somente ao Livro mas àquela Palavra destacada em Isaías 55, 11: "...assim acontece à palavra que minha boca profere: não volta sem ter produzido seu efeito, sem ter executado minha vontade e cumprido sua missão."

Deus te abençoe em nome do Nosso Senhor Jesus Cristo.

sábado, 2 de agosto de 2014

O poder do louvor

Certamente, toda oração chega ao coração de Deus; no entanto, as dificuldades e vicissitudes desta vida nos leva a orar ao Pai apenas com o objetivo de pedir. É bem verdade que Nosso Senhor Jesus Cristo deixou para todos os fiéis a recomendação de pedir favores a Deus, que é "bom e misericordioso" (Sl 102, 8), como está escrito em Mt 7, 7: "Pedi e se vos dará."; entretanto, Jesus não ensinou somente a pedir, mas o que se observa mais corriqueiramente, é que se a maioria das orações que se faz a Deus são de petições esquece-se que existe, também, uma oração que deveria ter maior destaque nos momentos de intimidade com o Senhor: a oração de louvor.
Na passagem do Salmos 149, 6, Davi diz: "Tenham nos lábios o louvor de Deus...", logo, louvar ao Senhor deveria ser aquilo que de mais constante deveria-se fazer, pois o acordar é motivo de louvor, o lar e a família que se tem são dignos de louvor, o alimento que se põe à mesa é digno de louvor, o trabalho que dá o sustento (mesmo que não seja o ideal!) é digno de louvor, os amigos, a escola, a Igreja, tudo é digno de louvor, o repouso ao final de um dia exaustivo e difícil, mas que foi cumprido com honestidade e correção, é digno de louvor...
E por quê isso? Por que louvar ao Senhor é reconhecer que em todas as coisas Deus age em nosso favor e por isso é digno de ser reconhecido em toda a sua glória, majestade, poder e soberania. O trecho do cântico de Moisés em Deuteronômio 32, 3-4.6 deixa patente essa verdade quando diz: "Por que vou proclamar o nome do Senhor, dar GLÓRIA ao nosso Deus! Ele é o ROCHEDO, perfeita é sua obra, JUSTOS, todos os seus caminhos; é Deus de LEALDADE, não de iniquidade, Ele é JUSTO e RETO. (...). Não é Ele teu PAI, teu CRIADOR, que te fez e te estabeleceu?" Observe-se quantos características de Deus Moisés destaca e louva.
Semelhante a Moisés, as Sagradas Escrituras vão mostrar muitos outras louvores ao Deus Todo Poderoso, por exemplo, o cântico de Ana (I Sm 2, 1-10); o cântico de Davi (II Sm 22, 2-51); o cântico de Judite (Jt 16, 1-17); O Salmo 135 de Davi; o cântico de Sidrac, Misac e Abdênago (Dn 3, 52-90); o cântico do Magnificat de Nossa Senhora (Lc 1, 46-55).
O detalhe é que nestes exemplos dados o louvor brotou nos lábios desses servos e servas de Deus não somente nos momentos bons, onde tudo corria bem, ou num momento de alegria como o de Maria Santíssima que se encontrava em graça por estar a gestar o Salvador; mas brotou, também em momentos de grande adversidade, como na passagem de Paulo e Silas em At 16, 16-26 que narra que os dois após serem presos e julgados injustamente por um argumento mentiroso são condenados a serem açoitados em praça pública e depois jogados num cárcere inferior. Porém, segundo o texto sagrado, "pela meia-noite, Paulo e Silas rezavam e cantavam um hino a Deus, e os prisioneiros os escutavam. Subitamente, sentiu-se um terremoto tão grande que se abalaram até os fundamentos do cárcere. Abriram-se logo todas as portas e soltaram-se as algemas de todos". (vers. 25-26)
Esta passagem é fundamental para se compreender o poder do louvor, o que acontece a alguém que em vez de lamuriar-se ou lastimar-se bendiz a Deus e deposita Nele total confiança, e recebe como resposta aquilo que nem precisou pedir, pois Deus sabe e conhece cada necessidade do homem. O simples fato de manifestar ao Senhor um reconhecimento agradecido de sua soberania já será o bastante para que os favores se manifestem, pois Deus é fiel e justo.
Agora a pergunta que se faz é: porque nem todo louvor manifesta sua plena eficácia como deste homens e mulheres da Bíblia? Uma possível resposta está em duas passagens da Sagrada Escritura: a primeira é Eclesiástico 15, 9: "O louvor não é belo na boca do pecador...", logo, deduz-se que terá maior eficácia um louvor que sai de um coração puro, reto, santo, justo...característica comum a todos os exemplos acima citados. A segunda passagem é dos Salmos 8, 3: "Da boca das crianças e dos pequeninos sai um louvor que confunde vossos adversários, e reduz ao silêncio vossos inimigos". Da boca de "pequeninos", ou seja, de todos aqueles que souberam renunciar o orgulho, vaidade, egoísmo, inveja, vontade própria, autossuficiência, arrogância, prepotência...e, reconhecendo seu nada, e infinita majestade do Senhor se rebaixaram, reconhecendo sua insignificância, como o caso de Santa Tereza D'Ávila que se auto descrevia como um "verme", e assim se cumpre as palavras de Jesus que "o que se humilhar será exaltado" (Mt 23, 12).
É o exemplo de São João Batista que dizia: "Importa que Ele cresça e que eu diminua" (Jo 3, 30) que deve ser seguido, pois o louvor flui com poder na vida do que renuncia ao pecado, reconhece sua pequenez, tem a Deus como Senhor, e busca ser cheio do Espírito Santo. Certamente, todo o que assim proceder "verá a glória de Deus" (Jo 11, 40).
Deus te abençoe em nome do Nosso Senhor Jesus Cristo.