domingo, 16 de março de 2014

Carne e Espírito: inversamente proporcionais

Aprende-se ao estudar Física que existe no nosso cotidiano eventos como velocidade e tempo que são grandezas inversamente proporcionais, ou seja, se um aumenta o outro diminui, e vice-versa; assim, se eu quero chegar em determinado local em mais rápido, terei que, obrigatoriamente, aumentar a velocidade e assim diminuir o tempo.
As Sagradas Escrituras mostram que existem duas realidades em nós que são inversamente proporcionais: a carne e o espírito. O Apóstolo São Paulo é quem mais fez menção a essas naturezas e a impossibilidade de entendimento entre as mesmas, deixando claro que valorizar uma significará subjugar a outra; e isto está evidenciado, por exemplo, na passagem de Romanos 8, 3-6: "O que era impossível à lei, visto que a carne a tornava impotente, Deus o fez. Enviando, por causa do pecado, o seu próprio Filho numa carne semelhante à do pecado, condenou o pecado na carne, a fim de que a justiça, prescrita pela lei, fosse realizada em nós, que vivemos não segundo a carne, mas segundo o espírito. Os que vivem segundo a carne gostam do que é carnal; os que vivem segundo o espírito apreciam as coisas que são do espírito. Ora, a aspiração da carne é a morte, enquanto a aspiração do espírito é a vida e a paz."; também na passagem de Gálatas 5, 16-17 onde diz: "Digo, pois: deixai-vos conduzir pelo Espírito, e não satisfareis os apetites da carne. Porque os desejos da carne se opõem aos do Espírito, e estes aos da carne; pois são contrários uns aos outros. É por isso que não fazeis o que quereríeis."
Essas duas passagens são esclarecedoras: se valorizo um, desvalorizarei o outro; daí a importância do jejum neste período quaresmal, pois através dele submeto a carne e seus apetites, ou seja, quando me proponho a subjugar aquilo que me prende, e até escraviza, como bebedeiras, prostituição, vícios, dependência do que quer que seja, principalmente, quando esses apegos excessivos bloqueiam minha intimidade com Deus. Logo é fato: o apego à carne deixar triunfar o pecado. A quaresma, então, é uma proposta de uma reaproximação com o Senhor, é um meio de buscar fazer com que o espírito triunfe. Nesta ótica, o jejum torna-se, assim, apropriado para este período.
Na passagem do Evangelho de São Mateus 6, 16 quando Jesus ensina: "Quando jejuardes, não tomeis um ar triste como os hipócritas, que mostram um semblante abatido para manifestar aos homens que jejuam. Em verdade eu vos digo: já receberam sua recompensa.", está implícito que Ele fala da abstenção de alimentos, no entanto, a Igreja propõe que neste tempos modernos, faça-se jejum de outras coisas como, por exemplo, novelas, internet, celular, computador, etc., porém, tendo-se na mente que é um propósito de libertação daquilo que prende, vicia, escraviza, com o intuito de valorizar o espírito, e por conseguinte, aproximar-se de Deus e ter intimidade com Ele.
Primar pelo espírito requer empenho, sacrifício, penitência, daí o auxílio necessário da oração e do Espírito Santo, pois nossa vontade humana, somente, é incapaz de realizar tal libertação; daí a necessidade de se utilizar este tempo de quaresma como proposição inicial neste caminho de conversão que entre outras coisas é a renúncia ao excessivamente carnal em favor do indispensavelmente espiritual.
Deus te abençoe em nome do Nosso Senhor Jesus Cristo. 

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

“Conservar a unidade do Espírito no vínculo da paz” (Ef 4, 3)



A necessidade da unidade é parte obrigatória para o êxito de determinado projeto, seja ele em que área for: familiar, profissional, enfim, em todas as àrea, inclusive na espiritual. Por isso que Jesus na sua oração última com os discípulos (oração sacerdotal), antes de ser preso e morto, faz um pedido ao Pai: “Dei-lhes a glória que me deste, para que sejam um, com nós somos um: Eu neles e Tu em mim, para que sejam perfeitos na unidade e o mundo reconheça que me enviaste e os amaste, como amaste a mim.” (Jo 17, 22-23).
O Senhor é taxativo quando mostra que o caminho do êxito da missão passa pela unidade. E não é uma unidade mais ou menos, tem que ser uma unidade “perfeita”. E por que isso? Por que o mal trabalha em unidade, e isto está em evidência na passagem de At 4, 27-28 na oração de São Pedro: “Pois, na verdade, se uniram nesta cidade contra o vosso santo servo Jesus, que ungistes, Herodes e Pôncio Pilatos com as nações e com o povo de Israel, para executarem o que a vossa mão e o vosso conselho predeterminaram que se fizesse.” Este trecho bíblico não deixa dúvidas que o mal se une para combater contra Jesus e os seus, daí o povo de Deus também ter de andar em unidade.
Antes de Pentecostes esta unidade ainda não era evidente entre os discípulos, basta lembrar a passagem em que a mãe de Tiago e João pede privilégios para os filhos (Mt 20, 21) o que irritou os demais; existe, ainda a passagem da primeira aparição de Jesus após a ressurreição onde Tomé não estava entre os demais (Jo 20, 24)  porque já não cria nas promessas do Senhor; também mostra a falta de unidade a passagem que fala de Judas Iscariotes onde este é chamado de ladrão (Jo 12, 6).
No entanto, após Pentecostes o que irá se observar? O texto de At 4, 42-47 em um primeiro momento fala que “todos os fiéis viviam UNIDOS...” e em outro momento diz que todos estavam “UNIDOS de coração...”, e o responsável por isso era o Espírito Santo. Logo, a UNIDADE da Igreja, do Movimento da RCC, dos grupos de oração, não poderá acontecer de forma “perfeita” senão pela ação do Espírito Santo.
O Espírito Santo é indispensável por quê? Por que essa unidade pode até ser buscada pela via do empenho humano, no entanto, satanás pode destruí-la facilmente, basta plantar uma inveja, uma discórdia, uma palavra sem discernimento, e esta unidade vem abaixo. Agora, quando esta é buscada com o auxílio do Espírito Santo não há investida maligna que a possa destruir, pois o Espírito Santo irá sempre trabalhar para que as invejas, as discórdias, as atitudes que possam romper essa unidade não prevaleça. Jesus, certamente, foi auxiliado pelo Espírito Santo para contornar a situação instalada no grupo pela proposta da mãe de Tiago e João.
Quando a Igreja, o grupo se une pela ação do Espírito Santo caem por terras divisões, confusões, brigas, contendas, invejas, partidos, tudo que é fruto da carne como está descrito em Gl 5, 19-21; unidos no Espírito o grupo tem força para enfrentar o mal e as perseguições como se vê na passagem de At 4, 29-30 e At 12, 11-12.
Essa passagem da libertação de Pedro é pertinente, principalmente, quando se fala de liderança. É tido e sabido que, para se destruir um grupo, basta destruir o “cabeça”, o líder. Por isso que a unidade nasce da necessidade de se preservar a liderança, no entanto, ao contrário disso, o que se vê são grupos indo à ruina por que irmãos se unem, não para defender e lutar para que o líder se mantenha de pé, mas para que caia e não se levante mais. Esta é uma prova clara que o Espírito Santo não está guindo estas pessoas, mas somente a carne, somente a vontade humana.
Sabe-se, portanto, que a UNIDADE no Espírito Santo é fundamental, agora, ela se fortalece, segundo mostra o Apóstolo São Paulo, “no vínculo da paz”. Sabemos que o que une um tijolo ao outro é o cimento; desta forma, o “cimento” que sela e faz tornar-se forte a unidade é a paz. São Paulo era consciente que um grupo de pessoas batizadas no Espírito Santo não perdem por completo certas características particulares, logo atitudes e ações provocam antipatia, mal estar, daí o apóstolo exortar a necessidade de “suportar” (Cl 3, 13) uns aos outros.
Quando cada um busca estar em paz com o outro a unidade aflora, o Espírito Santo age com maior força e a graça de Deus se manifesta com toda intensidade. Foi assim na Igreja primitiva, foi assim nos primeiros séculos, foi assim diante das tantas perseguições e será assim até a volta gloriosa do Nosso Senhor Jesus Cristo. Como exortava São Paulo aos Coríntios: “Por fim, irmãos, vivei com alegria. Tendei à perfeição, animai-vos, tende um só coração, vivei em paz, e o Deus de amor e paz estará convosco” (II Cor 13, 11).

A Revelação de Deus é comunicativa, dialógica e performativa.



Deus, como Criador, nunca desejou ser distante do homem, a criatura, mas sempre quis estar próximo, ter contato, interagir, e agir para o bem daquele que é sua obra-prima.
Essa verdade está evidente nas Sagradas Escrituras desde o Gênesis quando, ao criar Adão e Eva, Deus vinha ter com eles todos os dias como está narrado na passagem onde diz “...Senhor Deus que passeava no jardim, à hora da brisa da tarde...” (Gn 3, 8); logo, Deus vinha encontrar-se com as suas criaturas, o que evidencia uma proximidade.
Mesmo após a queda de Adão e Eva pelo pecado cometido, Deus não deixou de revelar-se, de buscar manter proximidade com o homem, e isso é constatado nas narrativas de vários personagens bíblicos como Noé, Abraão, Moisés, Davi, Isaías, Jeremias, dentre outros, até que um dia Ele resolve retornar a esta terra, agora na pessoa do Filho amado: Jesus, para definitivamente, deixar mais uma vez evidente a toda a humanidade: “Eu sou um Deus que se revela, que quer ser íntimo e que quer ter a possibilidade de realizar transformação, mudança”.
Nesse contexto, a narrativa bíblica que mostra o encontro de Jesus com a samaritana (Jo 4, 1-42) fundamenta o que foi anteriormente exposto, pois o Senhor revela-se ao tomar a iniciativa da conversa: “Dá-me de beber” (vers. 7); por isso que o Documento 97 da CNBB, no parágrafo 10, diz que a Revelação é comunicativa, ou seja, Deus sempre toma a iniciativa em relação ao homem como deixa claro o Catecismo da Igreja Católica. É o que se observou no caso de Moisés ao observar aquela sarça ardente (Ex 3, 2), ou na passagem da Anunciação quando Maria se depara com o anjo Gabriel (Lc 1, 26-28).
A partir da comunicação Deus quer ir além de apresentar-se, mas quer estabelecer um diálogo, daí o mesmo Documento 97 dizer que a Revelação é dialógica. Jesus estabeleceu um diálogo com a samaritana (vers. 9-26) que, a princípio deu-se envolvida em receios e contestações, como também aconteceu com Moisés (Ex 3, 4-15), e Maria (Lc 1, 30-38).
Tendo a possibilidade do diálogo, Deus pode chegar onde realmente deseja: transformar aquela vida e fazê-la capaz de ser instrumento de transformação para outros; daí o Documento 97 dizer que a Revelação é performativa, ou seja, tem uma capacidade de mudar, transformar; e é o que aconteceu à samaritana quando percebeu que aquela vida de prostituição e adultério nunca lhe trouxera alegria alguma; no entanto, as palavras de Jesus a libertou, transformou, e essa experiência levou-a a contagiar a muitos outros (vers. 29-30).
O diálogo de Deus e Moisés o fez acreditar que poderia ser o libertador do povo de Israel, e mais que um pastor de ovelhas, seria o pastor de uma nação. Também o diálogo de Maria e Deus, na pessoa do anjo, levou-a a acreditar que poderia ser, mais que mãe de filhos “normais”, mas ser mãe do Salvador.
Dessa forma, como catequistas, precisamos refletir e buscar pautar as nossas ações nessa verdade: “Deus quer se revelar a todos”, e levar a todos a crerem que “Sou Eu quem fala contigo” (vers. 26). Assim, a nossa ação catequética necessita caminhar no sentido de REVELAR DEUS, JESUS, àqueles que buscam a catequese, e para isso é fundamental que cada catequista, no desempenho de sua missão, seja, a princípio, a sarça ardente, o anjo, Jesus.
A cada temática abordada o ideal seria o catequizando perceber no catequista, em nós, Jesus “puxando a conversa” (fase comunicativa), Jesus “trocando idéias” (fase dialógica), para que, a partir dali, surja naquela criança, jovem ou adulto, um despertar para uma intimidade com o próprio Jesus. Certamente, isto acontecendo, a consequência (assim se espera!) será a transformação, a mudança (fase performativa). Mudança não somente da razão, mas do coração e da alma, pois foi o que aconteceu àquela mulher à beira do poço.
Naquele encontro, Jesus não lançou sobre ela normais e preceitos afim de humilhá-la ou recriminá-la, mas buscou mostrá-la que, antes de tudo, era amada e preciosa para Deus como está escrito na passagem de Isaías 43, 4. Assim, uma catequese meramente normativa, doutrinária será enfadonha e sem atrativo, mas a partir do momento que se torne uma catequese capaz de REVELAR  um Deus que é próximo, que acolhe, que ama e que deseja proporcionar o vida em abundância (Jo 10,  10), ainda que normativa e doutrinária, será interessante, envolvente e atrativa.
No entanto, para que isso passe da utopia à realidade, é imprescindível que cada catequista busque ser íntimo do Senhor com o auxílio do Espírito Santo, pois, se um dia Deus Pai se revelou em pessoa, depois se revelou em Cristo, agora, no tempo da Igreja, Ele se revela por meio do ESPÍRITO SANTO. E por meio deste Espírito teremos capacidade de dialogar com Deus e por Ele sermos transformados. Quando isso acontece, as ações fortalecem as palavras e surge, então, o “TESTEMUNHO AUTÊNTICO”, como nos exorta o Documento 94 da CNBB, no parágrafo 33, quando diz: “Neste redescobrir missionário, emerge, em primeiro lugar, o papel de cada pessoa batizada em todos os lugares e situações em que se encontrar. Trata-se do TESTEMUNHO PESSOAL, base sobre a qual o explícito anúncio haverá de ser construído. (...). Este, portanto, é um TEMPO DO TESTEMUNHO!”. Este testemunho autêntico que é o que a Igreja nos cobra é o que fará, verdadeiramente, a nossa missão ter êxito.

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

"A Verdade escondida"

Convidado a pregar recebi este tema: "A Verdade escondida" a partir do texto bíblico de I João 1, 5-10 que diz: "A nova que dele temos ouvido e vos anunciamos é esta: Deus é luz e nele não há treva alguma. Se dizemos ter comunhão com ele, mas andamos nas trevas, mentimos e não seguimos a verdade. Se, porém, andamos na luz como ele mesmo está na luz, temos comunhão recíproca uns com os outros, e o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo pecado. Se dizemos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e a verdade não está em nós. Se reconhecemos os nossos pecados, (Deus aí está) fiel e justo para nos perdoar os pecados e para nos purificar de toda iniqüidade. Se pensamos não ter pecado, nós o declaramos mentiroso e a sua palavra não está em nós."
A princípio não compreendi a relação texto-tema, mas orando ao Espírito Santo veio, então o discernimento: a Verdade sabemos que é uma pessoa, tem nome, revelou-se, e declarou isso em João 4, 16 quando afirmou: "Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida..."; essa pessoa é Jesus, que como diz o texto quer ser luz, quer iluminar nossa vida, nossos passos, porém, é impedido de fazê-lo em virtude do pecado. 
Caminhar na Verdade, ou seja, optar por Jesus é saber, antes de tudo, que na vida espiritual não se tem um meio termo, pois Jesus mostra isso em várias passagens quando diz que "Dizei somente: Sim, se é sim; não, se é não. Tudo o que passa além disto vem do Maligno." (Mt 5, 37), ou quando diz "Ninguém pode servir a dois senhores, porque ou odiará a um e amará o outro, ou dedicar-se-á a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e à riqueza. (Mt 6, 24), dentre tantas outras citações. Assim, optar pela luz significa renegar as trevas, ou seja, optar por Jesus e o reino de Deus é renegar ao maligno e a perdição.
No entanto, ao pecarmos preterimos a luz e as trevas vão tomando lugar, e quanto mais trevas menos Jesus se manifesta, e assim, a Verdade vai tornando-se escondida. Quando as trevas sobressaem percebe-se as características daquela pessoa: raiva, inveja, rancor, maldade, orgulho, desprezo pelo próximo, insensibilidade, egoísmo..., daí São João afirmar que "se dizemos que não temos pecados, enganamo-nos...", pois as atitudes contradirão a fala.
Agora, ao contrário destes, aqueles que optam pela "Luz do mundo" (Jo 8, 12) que é Jesus, os frutos também aparecem, e João mostra no texto uma dessas características: "...temos comunhão recíproca uns com os outros...", ou seja, a caridade, o desejo de fazer o bem, de ajudar o próximo sobressai; o individualismo dá lugar ao bem comum. Além disso, os que estão na luz e que tornam Jesus visível passam a serem obedientes, tementes a Deus, e desejam fazer de tudo para não ofendê-lo.
Porém, como alcançar a luz? Como trazer este Jesus escondido à tona? A resposta está em Jo 16, 7-8 onde o Senhor diz: "Entretanto, digo-vos a verdade: convém a vós que eu vá! Porque, se eu não for, o Paráclito não virá a vós; mas se eu for, vo-lo enviarei. E, quando ele vier, convencerá o mundo a respeito do pecado, da justiça e do juízo."; logo, é o Espírito Santo (Paráclito) o único capaz de convencer alguém que necessita abandonar o pecado para ter comunhão com a Luz que é Jesus, pois ao acontecer esse ação do Espírito acontecerá o diz João no texto: "Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo pecado" e a Verdade escondida tornar-se-á visível.
Portanto, clame ao Espírito Santo e que ele o (a) convença que pecados existem, trevas existem e precisam ser retiradas, e que ao acontecer isso a Verdade que é Jesus ilumine sua vida e lhe faça verdadeiramente livre e feliz.
Deus te abençoe em nome do Nosso Senhor Jesus Cristo.





terça-feira, 19 de novembro de 2013

Sede misericordiosos!



Jesus ao iniciar seus ensinamentos aos discípulos no famoso Sermão do Monte (Mt 5, 1-12) começa falando sobre “bem-aventurados” ou seja, felizes, pois o reino de Deus é lugar para pessoas felizes, e que conhecerão a verdadeira felicidade ainda nesta terra, porém, seguindo os preceitos que o Senhor discorrerá até o final do versíulo 12 (doze).
Em Mt 5, 7 Jesus diz: “Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia”, logo, um dos pressupostos para a felicidade é ser misericordioso. Porém, o que é misericórdia? As Sagradas Escrituras mostram que misericórdia é o supremo amor de Deus que se inclina no sentido de fazer o bem ao homem mesmo sendo este não merecedor de nada.
Logo, mesmo não sendo merecedores das benécies do Pai a temos todos os dias em profusão, o Senhor Jesus nos exorta a agir para com o outro da mesma maneira. Assim sendo, para que se consiga ser misericordioso com alguém são necessárias algumas posturas e atitudes que algumas parábolas contadas por Jesus evidenciam.
Uma dessas parábolas é a do bom samaritano (Lc 10, 25-37) onde o Senhor ao ser questionado por um doutor da Lei sobre “quem é o meu próximo?” (vers. 29) Jesus conta, então, esta parábola que, resumidamente, fala de um homem que é atacado durante uma viagem por ladrões e é deixado desacordado, quase morto; passam pelo homem três pessoas: um sacerdote, um levita e um samaritano (vers. 30-33) e somente o samaritano pára e ajuda o ferido (vers. 33-35). Ao final, Jesus pergunta: “Qual desses três parece ter sido o próximo daquele que caiu na mão dos ladrões?” (vers. 36) e a resposta do doutor foi: “Aquele que usou de misericórdia para com ele.” (vers. 37). Jesus conclui dizendo: “Vai, e faze tu o mesmo.” (vers. 37)
Nessa parábola Jesus deixa evidenciado que para ser misericordioso, assim como o samaritano, devemos ser movidos por compaixão (vers. 33). Jesus sempre agiu movido por compaixão, e não por pena, pois a diferença entre um e outro é que a compaixão nos impulsiona a agir em favor do necessitado, enquanto que a pena toca, mas não nos move a fazer algo por aquele precisa. Possivelmente, o sacerdote e o levita sentiram pena do moribundo, talvez por isso não agirem.
O bom samaritano, no entanto, agiu por compaixão e agiu por quê? Por que a compaixão nos mostra que devemos nos colocar no lugar do outro. Jesus veio e sofreu o que sofreu foi porque viu a nossa miséria e se pôs no nosso lugar, e assim deveríamos nós agirmos, também; logo, se faltam atitudes de misericórdia da nossa parte para com o próximo é porque ainda não estamos sendo capazes de nos colocarmos no lugar do outro.
Na parábola do servo cruel (Mt 18, 23-35) Jesus deixa evidente essa necessidade de colocar-se no lugar do outro. Na parábola um servo deve muito ao patrão e ao ser ameaçado de ser vendido com toda a família humilha-se e recebe o perdão da dívida (vers. 23-27), porém, quando este servo encontra-se com um outro servo que lhe devia ao ver o devedor humilhar-se não o perdoa e ainda o manda para a prisão (vers. 28-30). O senhor ao saber do ocorrido questiona-o porque não agiu com a mesma compaixão (vers. 31-33) e também condenou-o a prisão.
Ser misericordioso, portanto, é ter compaixão, é colocar-se no lugar do outro, é ter consciência que mesmo não sendo perfeitos como Jesus somos chamados a imitá-lo, e se Ele, mesmo na cruz sendo rejeitado e ridicularizado compadeceu-se e clamou perdão por todos nós, assim devemos agir, também, mesmo sabendo que somos miseráveis que mais precisam da misericórdia do que somos capazes de agir misericordiosamente.
Ser misericordioso é ser bem-aventurado, pois o bem produz verdadeira felicidade e paz, pois promover o outro, erguer o outro, certamente alegra o coração de quem assim age e, mais ainda, o coração de Deus.
Deus te abençoe em nome do Nosso Senhor Jesus Cristo.

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Esperança em Deus: Certeza e não possibilidade!



Os Salmos de Davi, em várias passagens, faz referência à ESPERANÇA e a CONFIANÇA. Quem já leu as Sagradas Escrituras sabe que Davi foi implacavelmente perseguido pelo rei Saul devido saber que havia perdido a preferência de Deus que havera ungido Davi como rei para substituí-lo.
A perseguição sofrida por Davi levou-o a encontrar-se, em dados momentos, tendo que esconder-se em cavernas (I Samuel 22, 1; 24, 1) e fingir-se de louco (I Samuel 21, 13) afim de sobreviver; e foi em meio a estas situações extremas que nas suas orações e clamores deixava explícito que confiar e esperar seria a única maneira de sair vencedor sobre aquele momento de provação e tribulação.
Conosco, assim como com Davi, não será diferente, pois o que a Palavra quer nos mostrar é que esperança e confiança são duas atitudes que caminham juntas, porém a sua eficácia dependerá da postura que se toma perante as situações.
Saul apesar de ter sido escolhido e ungido por Deus passou, em determinado momento, a colocar sua esperança e confiança em si mesmo, esquecendo-se de Deus; isso é próprio da maioria dos homens visto que é fruto da nossa natureza pecadora e fraca o que muito agrada ao inimigo de Deus e desagrada ao Pai. Porém, a conseqüência de se colocar toda esperança em si próprio é que ela não se sustenta por muito tempo e logo se esvai, e o resultado será a desesperança, a princípio, e o desespero em último estágio.
Vendo-se desesperançado, ou desesperado, duas possibilidades podem ocorre: desistir ou buscar o auxílio de alguém. Saul buscou auxílio até na bruxaria (I Samuel 28, 7-15), e assim agem muitos; não buscam em Deus, mas no primeiro que proponha uma solução imediata, e quem serão essas pessoas? As Sagradas Escrituras mostram quem são nos Salmos 39, 5: “Feliz o homem que pôs sua esperança no Senhor, e não segue os idólatras nem os apóstatas”. Apóstatas são aqueles que abandonaram a fé, logo os desesperançados ou desesperados vão buscar solução longe de Deus e, certamente, não lograrão êxito.
Davi foi feliz porque em meio a todas as adversidades que estava passando preferiu não colocar sua esperança em si mesmo, mas totalmente em Deus, como está explicitado nos Salmos 36, 3-7 onde diz: “Espera no Senhor e faze o bem; habitarás a terra em plena segurança. Põe tuas delícias no Senhor, e os desejos do teu coração Ele atenderá. Confia no Senhor a tua sorte, espera Nele, e Ele agirá. Como a luz, fará brilhar a tua justiça, e como o sol do meio dia o teu direito. Em silêncio, abandona-te ao Senhor. Põe tua esperança Nele.”
Mas para ter essa esperança plena em Deus é necessária uma virtude que, certamente, Davi possuía vivamente: a fé, pois é o Apóstolo São Paulo que diz em Hebreus 11, 1: “A fé é o fundamento da esperança...”, ou seja, assim como se tem consciência que uma casa não subsistirá em pé se não estiver erguida sobre um fundamento sólido, da mesma maneira nenhuma esperança subsistirá se não tiver a fé como fundamento, sustentáculo.
A fé de Davi permitiu esperar e confiar na providência divina e na solução para a perseguição que vivia; assim, sem fé não haverá esperança viva, esperança que é certeza como afirma São Paulo na seqüência de Hebreus 11, 1: “...é uma certeza a respeito do que não se vê.”
Portanto, esperança é certeza e não uma possibilidade, não é um “quem sabe” ou “talvez”. Daí compreender-se tantos desesperançarem-se ou desesperarem-se: “não tem fé viva num Deus que é certeza de vitória”.
Davi tinha certeza, em virtude de sua fé, no Deus que tudo pode mesmo quando as vezes se sentia fraquejar como mostra a passagem do Salmos 41, 12: “Por quê te deprimes, ó minha alma, e te inquietas dentro de mim? Espera em Deus, porque ainda hei de louvá-lo: Ele é minha salvação e meu Deus”; e assim deve ser com todos nós, mesmo fraquejando mantendo essa esperança e confiança constante em Deus, pois “o meu socorro virá do Senhor, Criador do céu e da Terra.” (Salmos 120, 2)
Assim, ter esperança é ter certeza de que se há um "Deus que é por nós, quem será contra nós?" (Rm 8, 31) Renove-se a vossa esperança e confiança no Deus que é fiel, que tudo pode, e que tudo faz na vida daqueles que nele confiam.
Deus te abençoe em nome do Nosso Senhor Jesus Cristo.