quarta-feira, 18 de setembro de 2013

"Amigos, não tendes acaso alguma coisa para comer?" (Jo 21, 5)



O trecho do Evangelho de São João capítulo 21 é riquíssimo pelas diversas mensagens nele contidas. Os versículos de 1 a 6 aos quais quero me ater apresentam parte desta rica mensagem.
 Diz o texto sagrado no versículo 2 que estavam juntos Simão Pedro e mais seis dos doze discípulos, e no versículo 3 Pedro toma uma decisão: “Vou pescar”. Responderam-lhes eles: “Também nós vamos contigo”. Partiram e entraram na barca” A missão da Igreja é “pescar” homens, como bem já havia dito o Senhor a São Pedro na primeira pesca milagrosa (Lc 5, 10), naquela oportunidade seguiram o líder: Jesus. Agora, ao dizer São Pedro “vou pescar” os demais dizem: “vamos contigo” e seguem o líder.
Uma passagem esclarecedora sobre a liderança de Pedro, o primeiro Papa da Igreja, e nós como discípulos do Senhor temos que atentar para essa verdade: a barca (a Igreja) tem um líder aqui na terra: o Papa. Atualmente é o Papa Francisco, e se ele diz “vou pescar” a nossa missão de discípulos de Cristo é responder a ele: “vamos contigo”.
Da segunda parte do versículo 3 ao versículo 6 a Palavra narra: “Naquela noite, porém, nada apanharam. Chegada a manhã, Jesus estava na praia. Todavia não O reconheceram.” Perguntou-lhes Jesus: “Amigos, não tendes acaso alguma coisa para comer? “Não”, responderam-lhe. Disse-lhes: “Lançai a rede ao lado direito da barca e achareis”. Lançaram-na, e já não podiam arrastá-la por causa da grande quantidade de peixes”.
Aqueles homens entram na barca e vão pescar noite a dentro. A Sagrada Escritura em I Jo 5, 19 diz que “o mundo todo jaz no maligno”, ou seja, a influência do inimigo neste mundo tornou este mundo trevas, e a barca que é a Igreja segue seu curso de “seguir pescando” em meio a estas “trevas”, sujeita a tempestades violentas (Mc 4, 35-41), no entanto, o texto mostra que “a barca”, a Igreja, vence a noite, a escuridão e seus perigos, e chega a salvo à “praia”, que é o destino final: o reino dos Céus, e lá encontrará o Sumo Pontífice, o Sacerdote Supremo, o Rei dos Reis.
Por isso que segurança para atravessarmos as trevas desta vida, somente na segurança da “barca de Jesus”: a Igreja e unidos ao nosso pastor: o Papa e seus Bispos. Renegar esta autoridade, é fazer como bem lembra o Papa Emérito Bento XVI (em seu livro Jesus de Nazaré: da entrada em Jerusalém a Ressurreição) ao falar de Judas na passagem da Santa Ceia, onde reflete que Judas Iscariotes ao abandonar a “barca” e Jesus,  envereda pela noite sem segurança e encontra a morte.
Agora, ao chegarem à praia, Jesus os questiona se “tem alguma coisa para comer”, ou seja, se “pescaram” alguma coisa e eles respondem que nada conseguiram. Aqui dois grandes ensinamentos: o primeiro é que ao se chegar diante de Jesus, no dia do “acerto de contas” seremos cobrados sobre “os peixes”, as vidas que ganhamos ao cumprir o que mandou: “Ide e evangelizai” (Mc 16, 15), pois esta é a missão de todo cristão católico: evangelizar e levar pessoas a Jesus.
No entanto, esta “pescaria” só será eficaz se Jesus estiver na “barca”, também. São Pedro e os demais foram pescar, como muitos também vão, porém, ir pescar somente com o talento, a habilidade, o conhecimento bíblico apurado, a retórica eficiente, sem Jesus na “barca” a pesca será infrutífera. Daí se pressupor por que tantos se frustram quando vêem que sua missão foi mal sucedida: foram com garra, boa vontade, mas sem Jesus para lhes dizer onde e como “lançar as redes” e a culpa maior está, justamente, na dificuldade de ouvir o Senhor, de deixá-lo falar!
O Senhor fala pela Palavra, pelo Papa, pelo Sagrado Magistério, pela ação do Espírito Santo, mas como boa parte não aprimora essa escuta incorrerão no risco de trazerem “redes vazias”; e mãos vazias o Senhor não aceitará no dia que cada um estiver diante Dele. O Senhor aguarda a todos para o banquete (Ap 3, 20 e a parábola do banquete), mas só terá direito a ele aqueles que não enterraram o talento (Mt 25, 25), aqueles que tiveram a capacidade de entender que a “pesca” só acontece dentro da “barca”.
Aos que forem fiéis até o fim, aos que compreenderam que salvação é individual, mas se aperfeiçoa e fortalece quando é levada ao irmão; a esses  o Senhor dirá:  “Vinde benditos de meu Pai!” (Mt 25, 34)
Deus te abençoe em nome do Nosso Senhor Jesus Cristo.

quinta-feira, 25 de julho de 2013

O mundo ensina a lançar pedras, Jesus ensina a lançar sementes!

Este é o centésimo texto que publico neste blog que criei  como forma de agradecer a Deus pela graça de ter sido chamado por Ele chamado a "vir para o meio", e assim partilhar esta alegria de ter descoberto um Jesus que é Vivo e que, verdadeiramente, é capaz de fazer a diferença na vida daquele que abre o coração e permite que o Senhor haja.
Lembrei-me, então, da parábola do semeador (Mt 13, 1-8) onde o Senhor Jesus ensina os discípulos sobre a necessidade de lançar sementes e colher frutos (trinta, sessenta e CEM por um), assim, refletindo sobre este tempo da humanidade resolvi ponderar sobre este antagonismo que se observa entre um mundo que ensina a lançar pedras e um Deus que ensina a lançar sementes.
São tantos textos que talvez esteja sendo repetitivo sobre a temática, porém, quando vislumbro este mundo (no sentido bíblico de pessoas, humanidade) onde o individualismo, o materialismo, a vaidade, o consumismo exacerbado, a ganância do ter supera a do ser, produz homens cada vez mais insensíveis ao outro chegando ao ponto do total desprezo, observo que esta insensibilidade chega a tal ponto que "lançar pedras" já tornou-se quase que inerente à natureza do homem pós-moderno.
Pedra é algo que geralmente tem conotação de dureza e sem vida, além de ter a capacidade impedir, machucar e até matar, tanto que na Bíblia uma das formas de penas de morte era por apedrejamento. Hoje, o "apedrejamento" pode se dar, e é fato, quando há posicionamento firme em relação a questões como valores morais e cristãos; apedreje-se aqueles que são pelo família como Deus a fez; pela fidelidade a uma só pessoa; pela sexualidade segundo parâmetros bíblicos; pela honestidade; pela defesa da vida "desde a sua concepção até seu natural declínio" (como defende o Papa emérito Bento XVI)...O mundo está a produzir em larga escala especialistas em lançar pedras, visto que para o que incomoda ou atrapalha é necessário "por uma pedra sobre o assunto".
Agora a semente tem conotação de vida, de geração de vida; é algo que carrega em si a possibilidade não de bloqueio, mas de continuidade de vida; daí o Senhor Jesus Cristo exortar os discípulos, e por consequência, toda a Igreja a serem semeadores, a serem disseminadores Daquele que é Caminho, Verdade e VIDA (Jo 14, 6). A "semente" que como o próprio Senhor ensina é a Sua Palavra necessita encontrar "terra boa", visto que muitas cairão à beira do caminho e serão comidas, outras cairão entre os espinhos e serão sufocadas e outras cairão entre as pedras e não sobreviverão.
Lançar pedras é fácil, pois só é necessário um alvo; porém, lançar sementes é necessário que se prepare um terreno. Lançar pedras é obter resultado imediato, já lançar sementes é esperar o tempo da germinação, do crescimento, para depois vir a colheita. Lançar pedras é inerente ao que odeia, e lançar sementes é inerente ao que ama.
Portanto, se o mundo aprimora-se na arte de "apedrejar" é porque vivemos um tempo de ódio e intolerância: gays x heteros; roqueiros x o resto; feministas x machistas; ateus x os que tem fé, e por aí vai. Jesus ensina que a arte de "semear" é antes de tudo acolher, compreender, ajudar, amar. Quando se faz isso, à luz do Evangelho com o auxílio do Espírito Santo o semeadura é eficaz e a colheita é maravilhosa: trinta, sessenta, cem por um, e assim, e somente assim, poder-se-á mudar esta realidade triste e dolorosa. Mas para isso é necessário seguir aquilo que o Senhor Jesus pede: "...não podeis tampouco dar frutos, se não permanecerdes em mim" (Jo 15, 4).
Busque Jesus e seja mais um a semear as boas novas de Deus. Deus te abençoe em nome do Nosso Senhor Jesus Cristo.

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Indolência: entrave para o crescimento espiritual.

A passagem da Carta de São Paulo aos Hebreus 5, 11-14 mostra o Apóstolo expressando sua chateação com uma comunidade que, mesmo formada por pessoas de longo tempo de convertidos, ainda se mostram como iniciantes na fé.
Porém, esta não é uma preocupação que se evidencia somente em relação aos Hebreus, pois São Paulo escreve sobre o mesmo aos Coríntios e aos Efésios, também, principalmente, sobre a necessidade de crescimento espiritual.
O texto vai mostrar no versículo 12 São Paulo reclamando que aqueles irmãos já eram para estar avançados no conhecimento de Deus, a ponto de dizer: "A julgar pelo tempo já devieis ser mestres!", porém esta indolência, que o dicionário ensina tratar-se de preguiça, negligência, mas no texto bíblico também significa acomodação, apatia, ainda leva aquele povo a ser tratado pelo Apóstolo como "crianças" (vers. 13) na fé.
 Segundo o texto São Paulo mostra algumas consequências desta indolência. A primeira é que não há crescimento na fé (crianças espirituais) com isso ele reclama que por serem "crianças" ainda alimentam-se de "leite" (vers. 12), ou seja pelo pouco aprofundamento na fé não podem ser alimentados com "alimento sólido" (vers. 12), assim como um bebê que suporta apenas o leite materno.
A causa desse não crescimento São Paulo vai mostrar em I Cor 3, 1-2 quando diz àquela comunidade: "A vós, irmãos, não vos pude falar como a homens espirituais, mas como a carnais, como a criancinhas em Cristo. Eu vos dei leite a beber, e não alimento sólido que ainda não podíeis suportar. Nem ainda agora o podeis, porque ainda sois carnais.". A causa é a carnalidade da maioria, pois a própria Palavra diz que "as coisas da carne são hostis às do Espírito", assim, se ainda se vive segundo a carne o Espírito tem dificuldade de aprimorar a pessoa daí não haver crescimento, aprofundamento, contrariando aquilo que o Senhor Jesus Cristo exorta a todos: "Ide para águas mais profundas".
A segunda consequência da indolência, como explicita São Paulo, é o não aprofundamento na Doutrina (vers. 13), daí muitos não entenderem a dimensão de muitas verdades evangélicas como por exemplo a questão do Matrimônio onde poucos entendem que quando Jesus diz que "se tornarão uma só carne" (Mt 19, 6) significa que homem, mulher e Deus, tornam-se uma união indivisível semelhante ao que acontece na Santíssima Trindade, e que como a Trindade o homem não separa, no Matrimônio "o que Deus uniu o homem não separe" (Mt 19, 6). Porém, a falta de vontade de buscar este alimento sólido impede de compreender coisas profundas como esta.
A terceira consequência da indolência, que não está evidenciada no texto paulino, mas é fato é que o indolente não produz fruto, visto que assim como uma criança não é capaz de converter alguém, pois não tem profundiade espiritual, assim também acontece com aquele que não busca este aprofundamento que vem pela intimidade com o Espírito Santo, vida de oração, conhecimento das Sagradas Escrituras e da Doutrina da Igreja.
Para vencer a indolência somente com o auxílio do Espírito Santo, por isso que São Paulo ao escrever sobre o tema aos Efésios faz a seguinte oração: "Por esta causa dobro os joelhos em presença do Pai, ao qual deve a sua existência toda família no céu e na terra, para que vos conceda, segundo seu glorioso tesouro, que sejais poderosamente robustecidos pelo seu Espírito em vista do crescimento do vosso homem interior." (Ef 3, 14-16). É o Espírito Santo que faz superar toda indolência e auxilia no processo de crescimento espiritual levando cada um a deixar a "infância" espiritual para tornar-se "homens" espirituais.
Deus te abençoe em nome do Nosso Senhor Jesus Cristo.


sábado, 25 de maio de 2013

Da água para o vinho



O primeiro milagre do Senhor Jesus Cristo em Caná (Jo 2, 1-11) quando transforma água em vinho levou ao surgimento do dito popular: “Mudou dá água para o vinho!”; essa frase pode ser aplicada para alguém que passou de uma índole má, ruim, reprovável, para uma índole boa e louvável, ou vice-versa.
No entanto, quando se aplica à ação do poder de Deus na vida de alguém sempre será do ruim para o bom; do pior para o melhor; do reprovável para o aceitável...e a passagem das bodas vai prenunciar isso quando o Senhor Jesus ao longo do seu Ministério irá transformar muitas “talhas de pedra” (corações de pedra) que contém uma “água sem atrativo” em “corações de carne” (Ez 36, 26) que contém um “vinho atrativo” (o Espírito Santo, o amor de Deus).
O que diferencia a água do vinho? A água sabemos que é uma das substâncias mais importantes para a vida: somos gerados na água, nosso organismo necessita de água para a maioria da reações biológicas; ela é necessária para regulação da temperatura, como lubrificante, no transporte de nutrientes, somente para citar alguns exemplos. Porém, a água em si pelas suas propriedades (incolor, insípida e inodora) não tem atrativo algum.
Incolor quer dizer “sem cor”. Uma vida sem cor é vista naquelas pessoas sem felicidade, desanimadas, incrédulas, abatidas, pessimistas que não conseguem vislumbrar nada de bom adiante, e certamente, estas pessoas não atraem, não contagiam, não despertam interesse em ninguém.
Insípido quer dizer “sem gosto”. Uma vida sem sabor é vista também nas pessoas incolores, sendo que estas o que fazem, o que realizam quando levadas ao experimento de alguém não desperta desejo de provar mais, de repetir; é o tempero que faltou no alimento. Por isso o Senhor nos chama a ser “sal da terra” (Mt 6, 13).
Inodoro quer dizer “sem cheiro”. Uma vida longe de Deus não é capaz de exalar bom odor, ao contrário o pecado provoca o “mau cheiro” da alma; por isso que ao contrário São Paulo em uma de suas cartas refere-se aqueles que seguem a Cristo como sendo possuidores de um “perfume de Cristo” (II Cor 2, 15).
Agora o vinho possui as três propriedades daí o Senhor Jesus mostrar que transmutar água em vinho, no que tange ao homem, significar mudar do estado do sem atrativo para o atrativo, do desprezado para o valorizado, do imprestável para o importante. Jesus fez isso com Zaqueu, com os discípulos, com a samaritana, com Maria Madalena, Saulo e tantos outros.
Mudar da água para o vinho é necessário “deixar fazer o que Ele disser”, é deixar a Palavra agir, é deixar o Espírito Santo agir. A Palavra e o Espírito transformaram a água em vinho; a Palavra e o Espírito transformaram radicalmente, milagrosamente, a história daqueles que a Jesus deram permissão para que Ele fizesse.
Muitos, porém, sentem dificuldades em dar essa permissão; a estes é recomendável que peçam auxílio de alguém em particular: Maria Santíssima, afinal foi ela quem recomendou aos serviçais: “façam o que Ele vos disser” (Jo 2, 5), logo ela saberá como ajudar, pela sua intercessão, nesse processo, pois ela mesmo viveu isso quando passou de “pobre serva” a “Bem-aventurada” (Lc 1, 48). Todos os grandes santos da história da Igreja tiveram nela esse auxílio e não foram frustrados, tornando-se “vinhos” de delicioso sabor, úteis para dar sabor a outras vidas.
Esse é o desejo do Senhor que passemos dá água para o vinho, para isso é necessário permitir que Jesus haja, que tenha liberdade para fazer, pois São Paulo já afirmava que Ele “faz novas todas as coisas”.
Nossa Senhora interceda e auxilie nessa firme decisão de não mais ser água sem graça, mas vinho de agradável sabor para a honra e glória de Jesus. Deus te abençoe em nome do Nosso Senhor Jesus Cristo.

terça-feira, 23 de abril de 2013

Jesus: o aprisco seguro!

Estes dias a Santa Liturgia faz menção à figura de Jesus, que se denomina de O Bom Pastor (Jo 10, 1-18) uma linda pregação onde o Senhor se apresenta como aquele é a única segurança para toda a humanidade imersa num mundo inseguro, visto que São João é taxativo em afirmar que "o mundo todo jaz sob o maligno" (I Jo 5, 19), e se o mundo é campo de atuação do mal, nele não se pode encontrar um lugar de plena segurança, de refúgio, de proteção, pois esses beneplácitos só se encontram em Jesus.
Quando se aborda, então, esta temática da segurança remete-se, pois, à realidade cruel em que está imersa a sociedade atual no que tange a este aspecto da vida quotidiana. Nos períodos eleitorais é item básico das promessas dos candidatos a questão da segurança, porém observando-se que ao serem eleitos ficam aquém do que prometem, pois a segurança que as pessoas necessitam não virá somente a peso de leis que, diga-se de passagem, não são plenamente obedecidas.
A segurança que todo cidadão e cidadã espera desfrutar tornar-se-á efetiva quando perceberem que a violência e o descalabro são, em sua maior parte, fruto de um mal espiritual, que tem nome, e que por isso só será debelado com o auxílio e atuação de um Bem Espiritual, que tem nome: Jesus Cristo. Isto fica claro nessa parábola do Bom Pastor quando o Senhor mostra que todo homem é ovelha frágil, presa fácil para o "lobo" enganador, destruidor, devido a um aspecto que Jesus também deixa evidente: a falta de escuta da voz correta.
O inimigo de Deus como um dublador pode travestir sua voz nas mais diferentes vozes; e assim, confusas, não conseguem distinguir a Voz que não se camufla sob outras vozes, porque se o primeiro usa a tática do escamotear-se para atrair e capturar, o segundo usa a prática de mostrar-se como é verdadeiramente para conquistar e salvar. Jesus, diz o Evangelho, que ao olhar a multidão sentiu compaixão "porque era como ovelhas que não tem pastor" (Mc 6, 34); o Senhor deve ter pensado: "Como Eu poderia arrastar esse povo para o mal devido ao seu despreparo e desconhecimento". Certamente, alguém sob a ação do inimigo faria isso, mas aquele que é a Verdade e a Vida age de forma diferente, no Senhor eles encontraram segurança verdadeira, pois Ele é o aprisco seguro.
O mundo necessita reconhecer esta verdade: Jesus é este lugar "das verdes pastagens e das águas refrescantes" (Sl 22, 2), é este abrigo seguro que afirma o Salmista quando diz que "a nossa proteção está no nome do Senhor que fez o céu e a terra" (Sl ). E como reconhecer esta voz? Pelas Sagradas Escrituras quando Jesus diz: "Aquele, pois, que OUVE as minhas palavras e as põe em prática é semelhante a um homem prudente que edificou a sua casa sobre a rocha..." (Mt 7, 24); pela oração: "Quando orares, entra no teu quarto, fecha a porta e ora ao teu Pai em segredo; e teu Pai, que vê num lugar oculto, recompensar-te-á." (Mt 6, 6); pela Igreja: "Ao ouvirem essas coisas, ficaram compungidos no íntimo do coração e indagaram de Pedro e dos demais apóstolos: Que devemos fazer, irmãos? Pedro lhes respondeu: Arrependei-vos e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para remissão dos vossos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo." (At 2, 37-38).
Desta forma, a voz do Bom Pastor ressoa segura à procura das "ovelhas" que a reconheçam, pois Ele mesmo afirma: "...as ovelhas ouvem a sua voz. Ele chama as ovelhas pelo nome e as conduz à pastagem. (...). Eu sou o bom pastor. Conheço as minhas ovelhas e as minhas ovelhas conhecem a mim..." (Jo 10, 3.14). Por fim, refletindo nesta passagem bíblica vinha ao meu coração que precisamos ser colaboradores do Bom Pastor, sendo voz Dele na vida de outras ovelhas que permanecem vagando neste mundo de inseguranças, passíveis de serem vítimas da voz enganadora daquele que existe para "furtar, matar e destruir" (Jo 10, 10).
Nestes tempos faz-se imperiosa a necessidade de buscar a segurança Naquele que é a voz que não engana, e que "pelos caminhos retos nos leva, por amor de seu nome" (Sl 22, 3). Busque seguir essa voz e abrigue-se no Senhor Jesus, o nosso aprisco seguro.
Deus te abençoe em Nome do Nosso Senhor Jesus Cristo. 

quarta-feira, 20 de março de 2013

Para elevar, tem que se rebaixar!

Estava a preparar o ensino para a turma de catequese e o tema era a Instituição da Eucaristia quando ao meditar sobre a passagem do lava-pés (Jo 13, 1-17), onde o Senhor Jesus Cristo mostra aos discípulos que para exercer o ministério sacerdotal tem que haver despojamento, humildade e espírito de serviço, veio ao meu coração esta palava: "aquele que quiser me elevar com dignidade, deve rebaixar-se com humildade".
Esta fala não se resume apenas ao ministério presbiteral, mas se alarga a todo cristão que deseja ser autêntico discípulo de Jesus, buscando "fazer o que Ele vos disser" (Jo 2, 5). Desta forma, o lava-pés muito nos mostra que, elevar o próximo e fazê-lo retornar ao seu lugar de dignidade de filho de Deus, necessita que desçamos até seu patamar de miséria, pois a Sagrada Escritura mostra exemplos de Jesus e de outros homens de Deus que a graça acontece na vida do outro a partir deste gesto humilde.
Dentre as muitas conversões realizadas pelo Senhor Jesus tem-se, por exemplo, a passagem da conversão de São Mateus (Mt 9, 9) que se encontrava, segundo o texto bíblico, numa coletoria de impostos, lugar que para a maioria dos judeus era um ambiente desprezível; após o convite "segue-me", Jesus vai sentar-se com Mateus e outras pessoas tido como pecadoras e é criticado  pelos fariseus por isso (Mt 9, 10). A resposta de Jesus é que "não são os que estão bem que precisam de médico, mas sim os doentes" (vers. 11), logo, deixa evidente que para elevar Mateus à dignidade de filho de Deus teve que rebaixar-se à condição do mesmo.
A passagem da mulher adúltera (Jo 8, 1-11) é outro exemplo onde Jesus ao sentar-se desce ao nível daquela mulher que, com certeza estava no chão pelos seus pecados; e quando termina a confusão ficam apenas Jesus e a mulher de pé, e ela, salva da morte é restaurada. Por fim, o máximo do rebaixar-se ensinado por Jesus é observado na sua paixão e morte de cruz; ao descer ao nível mais reles, ao ponto de ser tido como maldito (Gl 3, 13) o Senhor resgata a muitos.
Os apóstolos também deram exemplo: São Paulo, por exemplo, diz a Timóteo: "Pelo que tudo suporto por amor dos escolhidos, para que também eles consigam a salvação em Jesus Cristo, com a glória eterna" (II Tm 2, 10), mostra ele que aceita os sofrimentos como forma de alcançar a salvação dos escolhidos, o que também fica demonstrado na passagem de Atos 16, 16-33 em que São Paulo juntamente com Silas após uma serem castigados em praça pública e lançados no "prisão inferior" (vers. 24) louvam a Deus e o resultado será, posteriormente, a conversão do carcereiro e de sua família (vers. 33).
Certamente, o rebaixamento de São Paulo, assim como de tantos santos e santas da Igreja, foram o sinal visível da presença de Jesus que tocaram muitos corações levando-os a tomarem a decisão por aderirem a Cristo. Assim, todo aquele que faz o que fez São João Batista que disse: "Importa que Ele cresça e que eu diminua" (Jo 3, 30) cumpre esse propósito de elevar Jesus elevando o próximo a uma estatura de dignidade, de devolução ao seu lugar de filho.
Assim, o ensinamento deixado pelo Senhor no lava-pés quando diz: "Dei-vos o exemplo para que, como Eu vos fiz, assim façais também vós" (Jo 13, 15) foi para os apóstolos, mas extensível a toda a Igreja e foi compreendendo isso que muitos rebaixando-se até o martírio, puderam ver pessoas tiradas da condição de escravos do pecado, para serem restaurados em suas vidas. Sejamos nós, também, continuadores deste mandato de Jesus: "...façais também vós".
Deus te abençoe em nome do Nosso Senhor Jesus Cristo.

segunda-feira, 4 de março de 2013

Acima do lugar comum manifesta-se as maravilhas de Deus.

É incrível como as Sagradas Escrituras mostram passagens onde grandes acontecimentos relevantes ao Cristianismo, e na vida particular de alguns personagens bíblicos, se passa num "lugar alto", num "lugar acima", num "nível acima do comum". Esta elevação cima do lugar comum se mostra necessária, segundo o que parece mostrar a Bíblia, como a forma de alcançar experiências e graças especiais. 
Acima do lugar comum onde estava Abraão afim de cumprir o pedido de Deus para que sacrificasse Isaac (Gn 22, 2) e lá ouve a voz de Deus dizendo que não continuasse o ato, pois havia demonstrado que realmente amava ao Senhor, e a consequência foi a reafirmação da promessa de que seria pai de grande multidão (Gn 22, 15-17); após a libertação do cativeiro no Egito encontra-se Moisés acima do lugar comum (alto do Monte Sinai) onde estava o povo de Israel preocupados e a reclamarem-se; lá recebe as Tábuas da Lei (Ex 20, 1-21) como os Mandamentos que rejeriam a conduta daquela nação. Acima do lugar comum está Elias (I Rs 19, 9-18) fugindo da violência, da idolatria desenfreada e da fome onde recebe a ordem de voltar e por fim aquele tempo de penúria e miséria. Acima do lugar comum está Eliseu quando junto a um servo seu que se mostra apavorado pelo cerco do exército inimigo pede a Deus que lhe dê uma visão e, então, vê as montanhas tomadas por um exército de anjos (II Rs 6, 17) que irão colaborar para a vitória de Israel.
No Novo Testamento, acima do lugar comum Jesus no Monte das Oliveiras falando aos discípulos sobre a sua Doutrina (Mt 5-7); acima do lugar comum está Jesus no Monte Tabor (Mc 9, 2-7) para mostrar a Pedro, Tiago e João que Ele era a Lei, que Ele era o Profeta dos profetas, que o céu é lugar de paz, mas para alcançá-lo é necessário sacrifício; acima do lugar comum está Jesus no andar superior daquela residência em Betânia (Lc 22, 12-13) quando institui a Eucaristia que será agora o "verdadeiro maná" que alimentará o cristão na sua peregrinação por esta vida; acima do lugar comum está Jesus na cruz (Jo 19, 30) onde a morte é vencida, o homem é justificado e o acesso a Deus é restabelecido.
Acima do lugar comum estavam os discípulos no cenáculo (At 1, 13; 2, 1-4) quando em Pentecostes o Espírito Santo dá início ao tempo da Igreja; acima do lugar comum estava São Pedro quando ressuscitou a Tabita (At 9, 36-43); acima do lugar comum foi levado São Paulo ao ser arrebatado ao terceiro céu (II Cor 12, 2) e receber revelações de Jesus que o tornaram um dos grandes apóstolos da Igreja.
Pode-se, assim, observar que é saindo do lugar comum desta vida onde somente se encontra as vãs preocupações, os males do mundo, o esquecimento de Deus, é que se tem acesso às revelações, aos milagres, as maravilhas de Deus, à escuta de Deus; isto se mostra como verdade na passagem de Isaías 2, 1-5 onde o profeta diz no vers. 3: "Vinde, dirão eles, subamos à montanha do Senhor..." (acima do lugar comum), "...Ele nos ensinará seus caminhos, e nós trilharemos as suas veredas..."; ou seja, subir a um lugar alto e escutar a voz de Jesus; e qual será a consequência? O vers. 4 responde: "...De suas espadas forjarão relhas de arados, e de suas lanças, foices", ou seja, o pecador tendencioso a disseminar o pecado que é arma de morte será transformado em homem que irá transformar-se em semeador e ceifador pela arma da Palavra de Deus e do amor.
Jesus durante sua vida pública apresentou a nós a maneira de ir acima do lugar comum: a oração. Em Mc 11, 24 o Senhor diz: "Tudo o que pedirdes na oração, crede que o tendes recebido, e ser-vos-á dado"; esta é a maneira de subir ao monte, de estar acima do lugar comum onde se encontra apenas confusão, contendas, tribulações, discórdias, males, barulho...para num diálogo sincero e amigo, para que no silêncio da alma, escute-se a voz do Senhor com atenção, semelhante ao que fazia Maria (Lc 10, 38-42) que entendeu que acima do lugar comum das preocupações, onde estava Marta, escuta-se a voz inconfundível do Deus da Vida cuja "uma só palavra seremos salvos" (Mt 8, 8).
Nas dificuldades e lutas da vida, hoje mais que nunca, é imperioso que se exercite esses momentos de ir acima do lugar comum por meio da oração, e nesse encontro com Jesus ouvir suas palavras que são Espírito e Vida (Jo 6, 63) capazes de fazer maravilhas, de realizar grandes coisas em nós como fez na vida de tantos que exercitaram essa prática.
Deus te abençoe em nome do Nosso Senhor Jesus Cristo.