sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Fidelidade que obedece

A fidelidade é uma das marcas registradas de Deus; tanto que em II Tm 2, 13 a Palavra diz: "Se formos infiéis...Ele continua fiel, e não pode desdizer-se". Na essência de Deus está a fidelidade; fidelidade esta demonstrada para com o homem na sua forma mais extrema: dar o seu Filho único como penhor da nossa salvação.
Sendo nós criados à imagem e semelança deste Deus fiel, por quê, então, também nós não o somos? Por quê tão facilmente tornamo-nos infiéis ao amor de Deus, à sua bondade, à sua dedicação, ao seu zelo...? Porque a fidelidade nasce de uma amizade sincera e verdadeira, amizade que é sedimentada num amor sincero e verdadeiro.
Infelizmente, tornamo-nos infiéis em virtude do pecado que nos leva a nos rebelarmos, a rejeitarmos esta amizade; por isso que Jesus declara aos discípulos: "Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz seu senhor. Mas chamei-vos amigos, pois vos dei a conhecer tudo quanto ouvi de meu Pai" (Jo 15, 15).
Um amigo fiel agrada e é agradado; ajuda e é ajudado; auxilia e é auxiliado; obedece e é obedecido...Mas, quando diz respeito a esta relação com Deus tudo isso é descumprido, pois não amamos verdadeiramente, logo não se estabelece uma amizade verdadeira da nossa parte para com Ele.
Daí o Senhor Jesus explicitar essa dificuldade de relacionamento na parábola dos talentos (Mt 25, 14-30) onde claramente Ele mostra que da sua parte para conosco existe uma confiança e certeza que se pode cumprir uma missão confiada: multiplicar o bem confiado; bem este que na parábola está demonstrado na forma de ouro, pois um talento equivalia a trinta quilos de ouro; mas este ouro capacidade propagar a Palavra de Deus, a Boa Nova, o Evangelho de Jesus, e assim levar vidas ao arrependimento, à conversão, ao abandono das práticas de pecado para viver as virtudes evangélicas.
Alguns, como narra o texto, são fiéis em multiplicar os talentos confiados; dispuseram-se a partilhar essa riqueza com outros mostrando aos outros que não são egoístas em reter o amor, o bem, a paz, a alegria, a fé, a esperança que receberam de Deus para sí, mas são generosos em repartir cada graça recebida do Pai. São pessoas que na verdade trzem em sí essa face de doação, pois Deus se doou, em Jesus Cristo, ao extremo por cada ser humano.
Ao contrário, os que não privam desta amizade sincera com o Pai não obedecem, não cumprem o propósito que lhes foi confiado, e como aquele último da Palavra: enterram o talento. São pessoas que por medo, receio, timidez, mas muitas vezes por falta de vontade e desejo de ver a graça de Deus chegar ao irmão, acomodam-se na sua vida, mergulhados nas suas próprias preocupações, e assim aquele "talento", aquele "bem", que deveria ser transmitido aos outros fica "enterrado", posto de lado, sufocado pelas vãs preocupações, ou pelo desinteresse mesmo de ver o próximo alcançado pelas benécies de Deus.
Em se tratando de pessoas que não querem, de forma alguma, saber de ter amizade ou proximidade com o Senhor, é compreensível, pois são pessoas distanciadas mesmo. Porém, o que causa surpresa e estranheza são aquelas que tiveram uma experiência pessoal deste amor do Pai, que experimentaram (ou dizem ter experimentado) desta amizade, e agem da mesma forma desinteressada e egoísta que os primeiros que os primeiros, que ainda não conhecem na intimidade esse Deus maravilhoso.
Há esses, "enterradores de talentos", no dia do retorno do "dono dos talentos", do ajuste de contas, ao chegarem de mãos vazias, sem terem produzido nada, ouvirão uma palavra duríssima de rejeição: "Servo mau e preguiçoso!" (vers. 26), e uma sentança terrível: "Jogai-o nas trevas exteriores: ali haverá choro e ranger de dentes" (vers. 30).
Aos primeiros, "multiplicadores de talentos", os que não mediram esforços em fazer este talento produzir frutos na vida do próximo, o Senhor os acolherá dizendo: "Servo bom e fiel, já que foste fiel no pouco, Eu te confiarei muito. Vem regozijar-te com o teu Senhor!" (vers. 21). Há estess está reservado o reino do céu, lugar de alegria e gôzo.
Perseveremos em permanecer neste amor e amizade sinceros e verdadeiros, que confia a nós e em nós para sermos disseminadores dos bens celestes; proclamadores do Evangelho da Salvação, e multiplicadores dos talentos de Deus, sabendo que tudo isso só pode se dar intimamente ligado a Jesus, pois Ele mesmo diz: "Sem mim nada podeis fazer" (Jo 15, 5), pois só Ele é capaz de dar toda orientação para que esses talentos convertam-se, eficazmente, em vidas restauradas e transformadas.
Deus te abençoe no nome do Nosso Senhor Jesus Cristo.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Senhorio dos pais: fonte da honra dos filhos.

O texto de Eclo 3, 1-18 faz uma clara referência a filhos que honram seus pais. O dicionário faz referência a expressão honrar pai e mãe como venerar, reverenciar. Percebe-se que mesmo numa expressão gramatical, etimológica, os termos utilizados concordam com o significado bíblico.
Dentre os vários versículos, aquele que salta aos olhos é o oitavo: "Quem teme o Senhor honra pai e mãe. Servirá àqueles que lhe deram a vida como a seus senhores". O versículo é taxativo quando afirma que um filho só honrará pai e mãe, só terá essa atitude venerável, reverencial, se nele estiver o temor de Deus.
Mas um filho não trás consigo desde o nascimento este temor, mas o adquire a partir do convívio, do exemplo, da prática observada por parte dos seus genitores. E o questionamento é: esses filhos tem observado esse temor de Deus em pais mergulhados nas suas preocupações diárias? Que dão maior importância aos prazeres e satisfações deste mundo, vivendo como disseminadores das práticas absurdas que impõe a TV, as novelas, as músicas, as revistas...? Que se empenham devotamente em cumprir suas obrigações de alimentar, vestir, educar, mas que se eximem totalmente de dar a esses filhos alimento, educação, parâmetros e princípios espirituais?
A mais dura realidade é que, se hoje se observa filhos que não manifestam essas atitudes de honraria para com os pais, é porque não vêem nestes atitudes que os levem a agir de tal forma. O versículo quinto diz que "quem honra sua mãe é semelhante àquele que acumula um tesouro". Mas tem-se observado hoje, mulheres, mães, que estejam se comportando como essa figura preciosa? As mães de hoje tem-se mostrado para os filhos como essa figura divinal segundo o que a Bíblia preceitua?
Os versículos 9 e 10 exortam: "Honra teu pai por teus atos, tuas palavras, tua paciência, afim de que ele te dê sua benção e que esta permaneça em ti até o teu último dia. A benção paterna fortalece a casa de seus filhos...". Percebe-se neste trecho a força da benção de um pai; mas quantos filhos não manifestam mais qualquer importância quanto a essa graça, fruto até mesmo do próprio desprezo de pais por esta prática.
Pais que demonstram, exercem na prática perante seus filhos, e exigem este senhorio, que significa soberania, propriedade, autoridade plena, terão filhos que saberão honrá-los com fidelidade e respeito, até porque compreenderam que exercer essa honradez é um ato mais espiritual que humano.
Porém, é necessário, urgente, que os atuais e futuros pais aprendam e pratiquem o que aconselha a Palavra de Deus em Eclo 30, 13: "Educa o teu filho, esforça-te (por instruí-lo), para que não te desonre com sua vida vergonhosa". Mas não se pode dar o que não se possui; educar um filho nos caminhos do Senhor só consegue quem trilha os caminhos do Senhor; quem segue os Mandamentos e preceitos da Palavra de Deus; que vive os Sacramentos com sinceridade; quem busca a Igreja como lugar de santidade e salvação.
Pais que tem essa consciência formarão filhos que reconhecem seu senhorio como respeito e reverência ao próprio Deus; honrarão seus pais com a certeza que a Palavra de Deus em Ex 20, 12 que diz "Honra teu pai e tua mãe, para que teus dias se prolonguem sobre a terra que te dá o Senhor, teu Deus" se cumprirá; e que, por fim, saberão, também eles, constituir famílias onde serão multiplicadores desse propósito divino, gerando neste mundo uma sociedade com famílias santas e retas a exemplo da família de Nazaré que teve em Jesus um filho que soube honrar e reconhecer o senhorio de seus pais.
Deus te abençoe em nome do Nosso Senhor Jesus Cristo.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Senhorio de Jesus

Ter ou possuir senhorio é o mesmo que ser dono, proprietário, possuidor... Logo, é exercer soberania sobre algo ou alguém. Ser senhor de algo ou alguém é ter posse sobre aquilo que foi adquirido mediante esforço.
Assim, uma pessoa pode dizer-se senhor de um bem (casa, carro, empresa, etc.), porque foi adquirido medinte esforço próprio, passanto, então, a ter autoridade plena de fazer o que quiser com aquele bem.
No que diz respeito ao divino, Deus em todo o Gênesis, principalmente no primeiro capítulo é sempre citodo como Senhor, por quê? Porque com esforço particular "criou todas as coisas", logo Deus exerce senhorio pleno sobre todas as coisas, inclusive o homem.
O pecado rompeu este reconhecimento da soberania de Deus (Catecismo da Igreja Católica, 455) sobre o homem, passando, assim, a tornar-se rebelde a esta soberania. A partir do pecado original, até os dias atuais, a Bíblia e a história mostram essa resistência à autoridade de Deus, tomando assim a liberdade de agir segundo suas convicções mediante considerar-se "dono de si", e assim colhendo as consequências deste desprezo ao Pai.
Deus, porém, em seu extremado amor não mediu esforços em buscar reconquistar junto ao homem esse senhorio; tentou por meio dos profetas, dos reis, até que por fim decidiu dar sua maior prova deste amor: enviar seu Filho único (Jo 3, 16), afim de que em natureza humana o homem pudesse compreender que ter a Deus como dono, proprietário, não significava ser visto ou tido como uma "coisa qualquer", mas ser elevado a uma condição privilegiada, tanto que em algumas passagens bíblicas quando aparece a expressão "de pé" (Zaqueu, a mulher adúltera, Maria e João aos pés da cruz...), significava devolvido à sua verdadeira condição de filho de Deus, restaurado, vencedor.
Aqueles, porém, que não aceitam este senhorio do Pai, que é agora também outorgada a Jesus: "Por isso Deus O exaltou soberanamente e lhe outorgou o nome que está acima de todos os nomes, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho no céu, na terra e nos infernos. E toda língua confesse para a glória de Deus Pai, que Jesus Cristo é o Senhor" (Fl 2, 9-11), após sua Paixão, morte e Ressurreição, vão caminhando como caídos, derrotados, abatidos, mesmo que ana sua arrogância e cegueira não percebam nem reconheçam.
Ao rejeitar o Senhorio do Pai e do Filho, vão servir a outro senhor: satanás (Mt 6, 24) sobre a forma do dinheiro, da fama, do poder, do sucesso, homens..., e assim vão-se afundando numa vida de ilusões e enganos, afastando-se cada vez mais do Senhor da vida e aproximando-se do senhor da morte, morte esta que será inevitável em permanecendo nesta condição.
Jesus é claro nas suas palavras: "Não se pode servir a dois senhores". Reconhecê-Lo como Senhor não é meramente uma decisão instintiva, mas passa por uma experiência que somente o Espírito Santo pode proporcionar, pois é São Paulo que diz em I Cor 12, 3: "...ninguém pode dizer: Jesus é o Senhor, senão sob a ação do Espírito Santo".
O homem precisa reconhecer que renunciar o senhorio, o domínio, a autoridade de Jesus sobre sua vida é optar pelo pecado, e diz a Palavra de Deus: "todo homem que se entrega ao pecado é seu escravo" (Jo 8, 34).
Renuncie o senhorio do diabo e do pecado, e aceite a liberdade que o Senhorio de Jesus proporciona. Clame o Espírito Santo e declare hoje Jesus como seu único Senhor.
Deus te abençoe no nome do Nosso Senhor Jesus Cristo.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Deus confia, e conta com os jovens!

Na contramão daquilo que se pensa e rotula o jovem: irresponsáveis, levianos, inconsequentes,...; Deus mostra, Bíblica e historicamente, que sempre contou com os jovens no seu projeto evangelizador, logo, os trata como parte essencial nesta missão de arrebanhar vidas para o Reino.
Na promessa da vinda do Espírito Santo em Joel 3, 1 a passagem afirma: "Depois disso, acontecerá que derramarei o meu Espírito sobre todo ser vivo: vossos filhos e filhas profetizarão; vossos anciãos terão sonhos, e vossos jovens terão visões". E assim tem sido, mesmo antes da Promessa ser para todos, pois no Antigo Testamento casos com de Samuel (I Sm 3, 1-4) e de Davi (I Sm 16, 11-13) mostram como os jovens são parte do projeto salvífico do Pai.
No Novo Testamento ver-se-á outros exemplos como de Maria Santíssima (Lc 1, 27) que acredita-se, teria em torno de quinze anos ao aceitar a proposta de Deus de conceber e gerar o Salvador (Lc 1, 31); dentre os discípulos, posteriormente apóstolos, havia um muito jovem: João, um dos prediletos de Jesus e tido como "o discípulo amado" (Jo 19, 26).
São Paulo teve como discípulo mais próximo seu Timóteo, que por sua juventude era alvo de desconfiança e desprezo por parte da comunidade, onde Paulo o encorajava: "Ninguém te despreze por seres jovem. Ao contrário, torna-te modelo para os fiéis, no modo de falar e viver, na caridade, na fé, na castidade" (I Tm 4, 12).
Ao longo da história da Igreja o chamado de Deus aos jovens foi imenso: São Francisco (vinte e cinco anos); Santo Antonio (dezesseis anos); Santa Teresa D'Ávila (quinze anos); Santa Terezinha do Menino Jesus (treze anos); Santa Catarina de Sena (seis anos); São Padre Pio (primeiros anos de vida)...Todos tiveram experiências profundas com o Senhor desde a mais tenra idade, e tornaram-se heróis da fé, disseminando a Palavra e o amor de Deus, e escrevendo seus nomes para a eternidade.
Deus não olhou para essas nuances próprias da juventude, mas para o potencial do jovem de acolher o chamado e contagiar a outros. São Francisco por exemplo, contagiou Santa Clara, São Bernardo, dentre tantos jovens amigos seus da época, e todos foram levados à santidade. Assim com tantos outros santos e santas. Logo, o jovem é um terreno, um solo fértil, para a semente da Palavra de Deus cair e gerar trinta, sessenta e cem por um.
Portanto jovem, apesar de críticas e julgamentos pelo seu jeito, agir, pensar, falar, Jesus conta com o seu sim, a sua concordância ao seu apelo constante: "Eis que estou a porta e bato: se alguém ouvir a minha voz e me abrir a porta, entrarei em sua casa e cearemos, Eu com ele e ele comigo" (Ap 3, 20), responda positivamente à este apelo do Senhor que quer contar com tua disposição, sua energia, sua impulsividade, sua garra, sua coragem, sua alegria..., para propagar o Evangelho entre tantos outros jovens que se perdem em meio às falsas delícias e banquetes de alimentos envenenados deste mundo.
O jovem quer a todo custo ser diferente. Seja diferente, seja de Jesus! Dissemine a paz e o amor, lance sementes em meio há um mundo que ensina o ódio, o desprezo, e a lançar pedras.
Deus te abençoe em nome do Nosso Senhor Jesus Cristo.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

"Duplicidade: o grande problema de muitos cristãos!"

"Ai do coração fingido, dos lábios perversos, das mãos malfazejas, do pecador que leva na terra uma vida de duplicidade" (Eclo 2, 14).
O Livro do Eclesiástico nessa passagem faz referência há um dos dilemas daqueles que se propõem caminhar com Jesus: a duplicidade. Uma experiência do amor de Deus trás, a princípio, um desejo de abandono total em Deus, porém, o passar do tempo leva o coração a, novamente, começar a dar espaços para aquilo que era próprio da nossa existência pecadora e distanciada de Deus anterior àquela experiência transformadora.
Aquele que não segue fielmente o conselho de Jesus: "Vigiai e orai para que não entreis em tentação, pois o espírito está pronto, mas a carne é fraca" (Mt 26, 41), vai, em algum instante, ver-se sendo novamente seduzido por aquelas práticas e opções dos tempos de afastamento de Deus; daí começa-se a querer fazer uma tentativa de harmonizar, de conformar, as coisas mundanas às divinas, e assim começa-se a ver comentários como: "Não vejo nada demais..."; "Não tem nada haver..."; "A Igreja tem que se modernizar...", e daí por diante; e a Palavra de Deus é incisiva: "Que união pode haver entre a justiça e a iniquidade; Ou que comunidade há entre a luz e as trevas?" (II Cor 6, 14).
No fundo o que acontece é que os que estão nesta situação não estão conseguindo ter seu olhos, corpo, mente, alma, espírito e coração voltado plenamente para Jesus. Olha-se para o Senhor, mas de "canto de olho", olha-se para as coisas do mundo, e daí, o coração vai enchendo-se de duplicidade; por isso que a Palavra de Deus em Provérbios 23, 26 diz: "Meu filho, dá-me teu coração. Que teus olhos observem meus caminhos".
Um coração não voltado totalmente para Deus vai buscar outros caminhos e, infelizmente, é o que acontece: a sedução das coisas do mundo nas suas diversas expressões, ao final, arrastam muitos de volta para a "velha vida". Não conseguiram vencer tal duplicidade, não foram perseverantes na Palavra, e assim tantos vão ficando pelo caminho, ou tomando outros caminhos.
A duplicidade como mostra Eclesiástico 2 é uma falta do temor de Deus, o que gera no homem esta falsa impressão que amar o mundo e a Deus pode ser possível; a estes o Senhor fala no versículos 16-18: "Ai daqueles que perderam a paciência, que saíram do caminho reto, e se transviaram nos maus caminhos. Que farão eles quando o Senhor começar o exame? Aqueles que temem o Senhor não são incrédulos à sua Palavra, e os que O amam permanecem em sua vereda".
Que o Senhor nos ajude a vencer a duplicidade que ainda há no nosso coração, fruto do pecado que ainda se manifesta, e que só em vígilia e oração aos pés de Jesus é que poderá ser vencido. Um vida totalmente entregue ao Senhor Jesus é o que Ele deseja. Que o Senhor pela força do seu Santo Espírito nos ajude neste duro combate, pois o mundo não relaxa em tentar nos levar de volta para ele.
Deus te abençoe em nome do Nosso Senhor Jesus Cristo.

domingo, 10 de julho de 2011

"Os tíbios,..." (Ap 21, 8)

Segundo os dicionários, tibieza, é a qualidade, condição ou estado de tíbio: estado de fraqueza, de frouxidão, de debilidade, de falta de ardor, de entusiasmo; frieza.
Por quê será que o Senhor Jesus fala deste atributo no livro do Apocalipse quando faz referência àqueles que irão para a condenação eterna? Porque, seja como qualidade, condição ou estado de vida, a tibieza é pecado. E é um pecado que incomoda profundamente o Senhor, tanto que o dicionário fala em frieza, e Jesus, no mesmo livro de Apocalipse diz: "Mas, como és morno, nem frio nem quente, vou vomitar-te" (Ap 3, 16).
O Catecismo da Igreja Católica no parágrafo 2094 diz que esta é "uma das formas de pecar contra o amor de Deus. A tibieza é uma hesitação ou negligência em responder ao amor divino, podendo implicar a recusa de se entregar ao dinamismo da caridade". Logo, aquele que é envolto na condição de tíbio é alguém que não tem predisposição à ser disseminador do amor de Deus, visto que a caridade não se restrige apenas a gestos fortuitos de bondade (doar uma cesta básica, por exemplo), mas fazer transparecer na vida daquela pessoa que recebe aquele gesto caridoso mais que o ato em sí, a presença Daquele que motivou tal ato: Deus.
O Senhor na passagem de Apocalipse deixa claro, portanto, que admite a atitude daqueles "frios", ou seja, que pouco ou nada fazem pelo bem do próximo, visando sempre seus esforços em favor de interesses pessoais: os egoístas; ou os "quentes", aqueles que vivem esse amor de Deus partilhando-o como o próximo com o intuito de levá-lo a experimentar, também, este amor transformador, santificante, libertador.
Os "quentes" são os que, por uma experiência do batismo no Espírito Santo, são tomados de um ardor missionário, um desejo incontrolável de ver essa graça acontecer na vida das outras pessoas, não medindo as consequências.
Porém, existe os "meio termos", os "mornos", esses são inadimissíveis para Jesus; são aqueles que, segundo o Catecismo, "recusam-se a se entregar ao dinamismo da caridade". Até tem boas intenções, mas são pessoas sem atitudes concretas, são os acomodados aos esforços, pois a caridade passa pelo esforço, o sacrifício, a entrega, a disponibilidade. São aqueles que "se puder eu vou", "se não demorar...", "se eu não tiver de falar nada...", ou seja, são os cristão da desculpa, que põem impecilho sempre, o medo, a timidez, sempre são argumentos para justificar a falta de vontade. E isso acontece até no meio daqueles que se dizem "de caminhada".
Porém, o indiferente é o mais detestável. A passagem do homem rico e do pobre Lázaro (Lc 16, 19-31) deixa clara a indignação de Deus para com estes. Uma pessoa que se fecha totalmente ao sofrimento, a dor, à necessidade do próximo, chegando ao ponto de ainda desprezá-lo e humilhá-lo, o Senhor conta o final deste ao fim da parábola.
Assim, vê-se que a tibieza é algo presente na vida do ser humano e que só é retirada quando de uma experiência pessoal de Jesus que é capaz de retirar tal pecado; e muitos estão necessitando serem libertos deste mal, e urgentemente, mesmo dentro da Igreja, de pastorais, grupos de oração, ...pois, concluindo o a passagem de Apocalipse 21, 8 ela diz: "..., os infiéis, os homicidas, os impuros, os idólatras e todos os mentirosos terão como quinhão o tanque ardente de fogo e enxofre, a segunda morte".
Não se deixe levar pela tibieza, pois o amor de Deus nos chama a propagar este amor a outros corações através da caridade. Lembre-se da passagem de Mt 25, 31-46 quando Jesus fala que os que se salvarão foram os que praticaram a caridade, não por medo de ir para o inferno, mas por uma ação do Espírito Santo que nos leva a olhar o próximo com olhar de Deus, pois eles refletem o próprio Deus.
Deus te abençoe em nome do Nosso Senhor Jesus Cristo.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Oração: via de mão tripla.

Uma das grandes dificuldades que se tem de orar com o proveito e eficácia que se deveria ter é que ainda não se compreendeu a dimensão trina da oração. A consequência disso é uma oração imersa num balbuciar de palavras sem ordem nem sentido que, ao final, não cumpre a sua missão.
Por quê, então, não cumpre a sua missão? Analizemos a passagem do Evangelho de São Lucas (Lc 11, 1-4) onde o Senhor Jesus ensina os discípulos a rezar. O Senhor inicia a oração fazendo referência a quem? Ao Pai. Esta é a primeira via: o Pai. E por nunca termos, nem buscarmos, essa intimidade com o Pai, o Abba, o "paizinho", o Pai querido, que Jesus veio nos mostrar, é que já se inicia erroneamente a oração. A dificuldade que se tem de reconhecer que é o Pai, Deus, quem faz tudo e pode tudo, nos leva apenas ao Filho ou ao Espírito Santo; e o próprio Senhor Jesus disse: "Tenho-vos mostrado muitas boas obras da parte do meu Pai" (Jo 10, 32).
A oração tem que chegar ao Pai pelas mãos de Jesus, pois Ele disse: "Ninguém vai ao Pai senão por Mim" (Jo 14, 6). A oração tem que evocar a santidade, a majestade, a bondade, o perdão, a misericórdia de Deus, ou seja, as múltiplas características do infinito amor do Pai.
Posteriormente, Jesus mostra no Pai Nosso, mesmo que de maneira conjunta as outras duas vias: a segunda que é o nosso próximo. Uma oração que se esquece do irmão está impregnada de egocentrismo, ou seja, centrada no próprio eu. Daí, há todo momento, ver-se apenas pedindo, pedindo e pedindo...Ainda falta este amor do Pai, este amor caridoso que tanto São Paulo enfatizava: "Por ora subsistem a fé, a esperança e a caridade, as três. Porém, a maior de todas é a caridade" (I Cor 13, 13). Se se ora por saúde, lembre-se que existem muitos doentes; se se ora pela restauração da família, lembre-se que existem muitas outras famílias precisando ser restauradas, e assim por diante.
Não lembrar-se do outro é egoísmo, e é pecado. Jesus na cruz, nas suas últimas palavras pediu perdão para aqueles que O condenaram e mataram. Às vezes, lembramos muito facilmente do outro na oração em momento de raiva, decepção, traição, chateação, e chega-se, certas vezes, ao cúmulo de pedir que Deus mande castigos sobre aquela pessoa. As palavras de Jesus; as palavras de Estevão quando era apedrejado, tem que nos mostrar o contrário.
A terceira via é, por fim, nós mesmos. Não será por isso que Jesus disse que o maior Mandamento é "Amar a Deus, ao próximo, como a sí mesmo"(Mt 22, 3-39)? A oração deve ser o itinerário, o reflexo do Mandamento de Jesus. Ao contrário do que se pensa deveríamos estar em último lugar: "Quem quiser ser o primeiro seja o último", dizia o Senhor. A preocupação com o bem estar pessoal, familiar, financeiro, afetivo, enfim, essa centralização em sí mesmo, nos tira a visão de que a ordem das coisas não é eu, Deus e o próximo; mas, Deus, o próximo e eu.
O momento chave para a nossa salvação deu-se naquele momento onde Jesus orava no monte das oliveiras e clamava ao Pai: "Pai se é de teu agrado, afasta de mim este cálice! Não se faça todavia, a minha vontade, mas sim a tua" (Lc 22, 42). Jesus colocou o Pai em primeiro lugar e, automaticamente, o próximo, pois a missão de Jesus era salvar o homem. Ele ficou em último lugar; mas, foi vivenciando fielmente aquilo que é o correto que alcançou o êxito na sua missão.
Meditando nessa passagem de Jesus no monte das oliveiras pode-se ver claramente que as três vias vão originar o maior sinal da missão do Senhor: a cruz. Assim, uma primeira conclusão que se pode tirar: oração é sacrifício. Para obter-se uma graça da parte de Deus para o próximo, ou para nós, passa por sacrificar-se; talvez por falta deste entendimento é que muitos abandonam a caminhada, pois para chegar a isso será necessário, muitas vezes, chegar até a negação de sí mesmo.
A segunda conclusão é que na cruz há um ponto de intersecção das três vias. Neste ponto fico o centro irradiador daquilo que toda oração precisa: o amor. E este centro irradiador é o coração. Por isso que em Provérbios 23, 26 Deus diz: "Filho dá-me teu coração". Porque é dele que flui a oração capaz de tocar em Deus, porém, somente um coração livre, curado, feliz, cheio de amor. Um coração triste, amargurado, vazio, infeliz, sem amor, não é capaz de fluir uma oração que vai adorar e bendizer a Deus como Ele merece; ao contrário, muitas vezes será capaz apenas de questionar, criticar e resmungar contra o Pai.
Um coração cheio de amor é capaz de orar pelo próximo como se vê na maravilhosa oração de São Francisco, e de tantos outros santos e santas da Igreja. Portanto, se desejamos êxito na missão pela via da oração e ação, temos que ter essas três vias muito claras na nossa mente e no coração; coração este que tem que estar sarado, curado, liberto, cheio de amor, para que a oração brote eficazmente.
Que com o auxílio do Espírito Santo, que infunde em nós o amor de Deus (Rm 5, 5) e a fé (I Cor 12, 9), necessária para que essa oração seja poderosamente eficaz, alcançemos aquilo que o próprio Senhor Jesus Cristo promete: "Tudo o que pedirdes com fé na oração, vós o alcançareis" (Mt 21, 22).
Deus te abençoe em nome do Nosso Senhor Jesus Cristo.