O sentimento de pertença é algo fundamental para o ser humano, pois envolve bem-estar emocional e espiritual. Assim, pertencer a algo, ou a alguém, é mais que uma mera opção: é uma necessidade. Mas, como saber se pertenço a algo, ou a alguém? E a Deus, como posso ter tal certeza?
Um comercial de TV mostrava uma garota (com estilo roqueira) rodeada por parentes e ao correr os olhos de um canto a outro da mesa apenas reclamava de não se sentir parte daquelas pessoas, daquela família; sem esperar, alguém se aproxima e lhe serve um prato com macarronada (o macarrão preto) em forma de guitarra. A jovem abre um sorriso e neste instante muda sua percepção reconhecendo-se agora, como parte, como pertencente àquele grupo.
A pergunta que fica é: ser reconhecido, saber que alguém conhece os meus gostos pessoais e os realiza, que sou importante, é sinal de pertença? Pois assim se sentiu a garota: - nossa eles sabem o que eu gosto! Eu pensava que não! Que máximo, eu sou importante!...., e assim, pode-se aplicar este questionamento a outros âmbitos da vida, entre eles, na relação com Deus.
Afinal, saber que Deus me ama, e que é capaz de tudo por mim, até de permutar reinos (como evidencia Is 43, 4), me faz pertença de Deus? Analise mais esta comparação; onde o sentimento de pertença se manifesta mais forte, mais pungente: na casa dos sonhos que ganhei de presente de casamento dos meus pais, ou na casa dos sonhos que construí mediante esforço particular, ainda que tenha tido alguma colaboração deles?
Certamente, para a grande maioria a segunda opção é a correta, e por quê? Por que a pertença está diretamente ligada ao ato de fazer, devolver, responder, doar, servir... Assim, saber que dentro da família que vivo sou amado, sou querido, sou relevante, me faz especial e pertencente a ela, responder a essa carinho, pela doação, pelo serviço me fará muito mais pertencente ainda, pois os laços se estreitam e se fortalecem quando a uma ação há uma resposta equivalente ou até maior. E assim se dá nas relações de amizades, profissionais, matrimoniais, e sem dúvida, transcedentais (com Deus).
Isto talvez explique a problemática das relações nas famílias modernas, pois ao que se percebe o sentimento de pertença àquele núcleo por parte dos seus integrantes somente se faz observar se há agrados, mimos, presentes, realização de desejos, e tudo numa dimensão de que mediante o gesto carinhoso realizado "não fez mais que a obrigação", ou seja, em sendo meu pai ou mãe não está cumprindo mais que a obrigação de me prover do que desejo, e vice-versa.
Semelhantemente, acontece para com o Pai. Em sendo eu filho de Deus que é amor (I Jo 4, 8) e "o dono do ouro e da prata", nada mais natural do que me prover do que necessito e assim o máximo que posso ter como resposta é uma palavra de agradecimento quando a tenho, pois no caso da passagem dos dez leprosos (Lc 17, 11-19), nove não tiveram esta consideração com Jesus.
No entanto, mesmo sabendo-me amado, querido, precioso, respondo a este comportamento na mesma intensidade e verdade, aí sim, fundamenta-se esta pertença, pois ao gesto que me agradou quero devolver com gesto até melhor.
É o que se pode depreender da passagem de Zaqueu (Lc 19, 1-10) ao ser encontrado por Jesus: naquele encontro quando abriu a porta da sua casa a Jesus, Zaqueu percebera o quanto era amado, querido, desejado, precioso, e automaticamente responde ao Senhor por meio do seu arrependimento e, principalmente, pelo gesto concreto de devolver o dobro, e até o quádruplo do que retirara daquela gente. A sua postura agradou sobremaneira o Senhor Jesus, e Zaqueu percebeu ainda mais forte no seu coração que era pertença de Deus.
O mesmo pode-se crer do acontecido com Maria Madalena, que ao ser liberta de demônios (Mc 16, 9) retribuiu ao Senhor com seu seguimento fiel fazendo-a a primeira a vê-lo ressuscitado. Quanto mais o servia, mais pertença Dele ela sentia, pois tinha certeza que lhe alegrava o coração.
Desta forma, não de maneira afirmativa e taxativa, mais a luz de uma reflexão pessoal que aberta está a concordâncias e discordância, a certeza de pertença a Deus se faz mais verossímil e insofismável quando respondo ao seu amor com amor e com o meu servir, pois servir é pertencer e pertencer é servir.
Deus te abençoe em nome do Nosso Senhor Jesus Cristo.
quinta-feira, 27 de agosto de 2015
terça-feira, 18 de agosto de 2015
O "alimento" que movia Jesus!
Na passagem do encontro de Jesus e a samaritana (Jo 4, 1-42), após o diálogo que levou aquela mulher a conversão a ponto de sair daquele encontro pregando a todos do vilarejo ter encontrado o Messias, o Senhor é encontrado pelos discípulos junto ao poço de Jacó, e ao lhes oferecerem comida Jesus faz um comentário que intriga aqueles homens: "Tenho um alimento para comer que vós não conheceis." (vers. 32)
A resposta do Senhor leva os discípulos a uma dedução meramente humana: "Alguém lhe teria trazido de comer?" (vers. 33). Instantemente, Jesus lhes diz: "Meu alimento é fazer a vontade daquele que me enviou e cumprir sua obra." (vers. 34). Assim, Jesus evidenciava aos seus seguidores que existia um alimento diferenciado que o movia: anunciar o Evangelho, revelar o Pai e resgatar a humanidade.
Toda essa passagem se dá ao meio dia e, realmente, Jesus tinha sede (pois pedira água à mulher!) e fome, também; no entanto, mais que anseio de saciar suas necessidades orgânicas o Senhor deixa claro que uma "fome" maior o movia, o impulsionava, a ponto de, mesmo cansado e fatigado não deixa passar a oportunidade de ao encontrar aquela mulher necessitada de Deus, resgatá-la.
É a mesma "fome" que move tantas pessoas quando se entregam devotadamente a alcançar uma meta um propósito: é assim com o artista que deseja fama e sucesso; é assim com o profissional, o empresário, que também vê no seu esforço uma missão a cumprir. Em todos estes exemplos não importar a ocasião, não importa a situação (cansaço, fadiga), não perderão a oportunidade de mostrar o que pretendem.
A diferença entre esses exemplos dados e o de Jesus é que no caso do artista, do profissional, do empresário, esta "fome" de alcançar uma meta é para proveito próprio, para satisfação pessoal, logo está carregada muitas vezes, de individualismo e egoísmo, pois não tem a pretensão de edificar outros.
Ao contrário, a "fome" de Jesus de fazer a vontade do Pai, e cumprir a missão que lhe fora dada, não é para exaltação nem proveito pessoal, tanto que em muitas passagens Jesus curava, libertava, e pedia silêncio, segredo (Lc 8, 56), ausentava-se em seguida. Esta postura mostrava a finalidade altruísta, Ele empenhava-se para beneficiar o outro, edificar o outro, como foi com a samaritana.
A "fome" que Jesus possuía era saciada por este alimento diferenciado que se chama caridade: fazer o bem, salvar almas, converter vidas...era uma "fome" tão pulsante que mesmo no alto da cruz, destroçado por chagas e dores, ainda pôde uma última vez, colocar em prática esse anseio ao salvar aquele ladrão arrependido (Lc 23, 43).
Com todas as suas forças, e mesmo sem força alguma, conseguiu cumprir o que viera realizar: mostrar àquele povo o rosto amoroso do Pai e seu coração misericordioso à humanidade inteira ao resgatá-la pelo terrível, mas glorioso sacrifício da cruz.
Ao dizer aos seus Apóstolos as palavras de ordem: "Como o Pai me enviou, Eu vos envio a vós" (Jo 20, 21), palavras que continuam através da Igreja e chega a cada um de nós, o Senhor Jesus nos exorta a termos a mesma "fome" que o impulsionou, a mesma vontade que lhe impeliu, e o buscar o mesmo "alimento" que o ajudar a cumprir sua missão, afim de que também nós possamos, agora: pregar o Evangelho, revelar o Filho e continuar colaborando para que muitos se salvem.
Deus te abençoe em nome do Nosso Senhor Jesus Cristo.
A resposta do Senhor leva os discípulos a uma dedução meramente humana: "Alguém lhe teria trazido de comer?" (vers. 33). Instantemente, Jesus lhes diz: "Meu alimento é fazer a vontade daquele que me enviou e cumprir sua obra." (vers. 34). Assim, Jesus evidenciava aos seus seguidores que existia um alimento diferenciado que o movia: anunciar o Evangelho, revelar o Pai e resgatar a humanidade.
Toda essa passagem se dá ao meio dia e, realmente, Jesus tinha sede (pois pedira água à mulher!) e fome, também; no entanto, mais que anseio de saciar suas necessidades orgânicas o Senhor deixa claro que uma "fome" maior o movia, o impulsionava, a ponto de, mesmo cansado e fatigado não deixa passar a oportunidade de ao encontrar aquela mulher necessitada de Deus, resgatá-la.
É a mesma "fome" que move tantas pessoas quando se entregam devotadamente a alcançar uma meta um propósito: é assim com o artista que deseja fama e sucesso; é assim com o profissional, o empresário, que também vê no seu esforço uma missão a cumprir. Em todos estes exemplos não importar a ocasião, não importa a situação (cansaço, fadiga), não perderão a oportunidade de mostrar o que pretendem.
A diferença entre esses exemplos dados e o de Jesus é que no caso do artista, do profissional, do empresário, esta "fome" de alcançar uma meta é para proveito próprio, para satisfação pessoal, logo está carregada muitas vezes, de individualismo e egoísmo, pois não tem a pretensão de edificar outros.
Ao contrário, a "fome" de Jesus de fazer a vontade do Pai, e cumprir a missão que lhe fora dada, não é para exaltação nem proveito pessoal, tanto que em muitas passagens Jesus curava, libertava, e pedia silêncio, segredo (Lc 8, 56), ausentava-se em seguida. Esta postura mostrava a finalidade altruísta, Ele empenhava-se para beneficiar o outro, edificar o outro, como foi com a samaritana.
A "fome" que Jesus possuía era saciada por este alimento diferenciado que se chama caridade: fazer o bem, salvar almas, converter vidas...era uma "fome" tão pulsante que mesmo no alto da cruz, destroçado por chagas e dores, ainda pôde uma última vez, colocar em prática esse anseio ao salvar aquele ladrão arrependido (Lc 23, 43).
Com todas as suas forças, e mesmo sem força alguma, conseguiu cumprir o que viera realizar: mostrar àquele povo o rosto amoroso do Pai e seu coração misericordioso à humanidade inteira ao resgatá-la pelo terrível, mas glorioso sacrifício da cruz.
Ao dizer aos seus Apóstolos as palavras de ordem: "Como o Pai me enviou, Eu vos envio a vós" (Jo 20, 21), palavras que continuam através da Igreja e chega a cada um de nós, o Senhor Jesus nos exorta a termos a mesma "fome" que o impulsionou, a mesma vontade que lhe impeliu, e o buscar o mesmo "alimento" que o ajudar a cumprir sua missão, afim de que também nós possamos, agora: pregar o Evangelho, revelar o Filho e continuar colaborando para que muitos se salvem.
Deus te abençoe em nome do Nosso Senhor Jesus Cristo.
sábado, 8 de agosto de 2015
Quando o homem cansa do próprio homem!
Desde semana passada duas notícias me chamam a atenção: uma delas alvo da maciça atenção da mídia mundial, a outra, alvo do maciço desprezo da mídia mundial. A primeira notícia que causou uma comoção mundial foi a morte de Cecil. Mas quem é Cecil? Trata-se, não de um cidadão trabalhador, pagador de impostos, pai de família, ou um jovem estudante que tinha sonhos e projetos, mas de um leão, sim, um leão.
Cecil era o leão símbolo do Zimbábue, um país africano, que foi atraído e morto por um dentista americano que tem como hobby a caça. A morte de Cecil tem mobilizado o mundo; companhias aéreas baixaram decreto que não mais transportarão animais vítima de caça; cidadãos de vários países, inclusive americanos, exigem a prisão e deportação do caçador assassino para o país natal do animal afim de que seja exemplarmente punido.
A vida do branco, capitalista, insensível e criminoso transformou-se num inferno; já não trabalha, abandonou a sua casa e encontra-se escondido, pois a indignação que produziu põe a si, e seus familiares, em perigo, e o trabalhador, pagador de impostos, pai de família é assim trucidado.
No entanto, concomitantemente ao acontecido a Cecil, nos Estados Unidos, terra do homem mau, explode uma denúncia terrível da parte de um grupo pró-vida que, por meio de conversas gravadas, descobre que uma clínica de abortos (a maior da América) estava vendendo partes dos fetos abortados, indo contra a Lei daquele país que proíbe tal prática com punições severas. Nos vídeos uma das dirigentes da clínica deixa claro até o seu intuito com tal prática: comprar um carro de luxo caríssimo!
Comoção nacional? Indignação geral? Atos inflamados como no caso do leão morto? Não! Nada! Nenhuma reação da mídia, há não ser a de dar voz aos acusados que defendem-se dizendo que tudo não passa de montagens grosseiras. Por aqui, pela terra brasilis, nenhuma nota, nem de rodapé de jornal, nem um desprezível comentário sobre o acontecido, há não ser na internet onde notícias como essa não se deixam cair no desprezo.
Por quê dois tratamentos tão diferentes? Por quê dois pesos e duas medidas? Por quê um leão (e aqui não faço apologia à caça indiscriminada somente com intuito de satisfação pessoal!) ter tanta atenção e seres humanos, não? Por que, infelizmente, esta realidade é um exemplo concreto daquilo que foi a tônica do pontificado do grande, mas desprezado, Bento XVI, alvo das suas mais severas críticas: o relativismo.
O relativismo veio para defender que "depende do ponto de vista de cada um", logo, o que é certo pra você, para mim não é; o que é bom pra você pra mim não é, e assim por diante. Da mesma forma a Vida humana que para Deus tem valor incalculável e por isso deve ser defendida a todo custo, para este mundo relativizado não é.
Esta prática está causando um mal terrível ao ser humano, pois o homem relativiza a importância do próprio homem, e com isso parece que ao homem é mais fácil ter afetividade, amor, consideração a um animal, do que manter tais virtudes para com os da própria espécie. O que, infelizmente, a mim se mostra gravíssimo é o fato de que o homem está cansando do próprio homem. Daí não ser difícil, então, compreender atitudes tão diferentes no caso do leão e dos fetos.
Esta realidade é fruto, sem dúvidas, do cada vez maior afastamento do homem de Deus, da apostasia, pois se Deus no evento da Criação cria tudo inclusive os animais, deixando por último o homem é porque o homem tem uma dignidade muito mais elevada do que os demais seres, logo, os animais como Cecil tem seu valor, mas ser alçado ao grau de significação do homem não é correto.
Agora, o homem que tem dignidade acima de todos os seres para Deus, pelo menos como foram criados, não tem, ou não deveria ter, superioridade ou inferioridade em relação ao outro, pois foram feitos para serem iguais; iguais no sentido de saberem que são amados na mesma medida por Deus, deveriam amar na mesma intensidade; iguais no sentido de saberem que se são perdoados na mesma medida por Deus, deveriam perdoar na mesma intensidade; iguais no sentido de saber que se suas vidas são preciosas para Deus, deveriam zelar pela vida do outro na mesma intensidade....
Essa elevação do homem em relação às demais criaturas está evidenciada nas Sagradas Escrituras na passagem de Mt 6, 25-34 onde Jesus ao ensinar sobre a presença cuidadora do Pai toma como exemplo as aves: "Olhai as aves do céu: não semeiam nem ceifam, nem recolhem nos celeiros e vosso Pai celeste as alimenta" (vers. 26), mas ao referir-se ao homem, no mesmo versículo, declara: "Não valeis vós muito mais que elas?". Assim não há dúvidas o homem possui um valor muito mais elevado. No entanto, esse distanciamento de Deus, fruto de uma cultura paganizada que trabalha para esse afastamento demonizando e desacreditando os ensinamentos evangélicos, tem produzido essa inversão no princípio das coisas naturalmente deixadas pelo Senhor Deus.
Se o homem se fadiga do próprio homem estará aberto o caminho para a catástrofe. E os sinais disso já se observa até no lugar onde menos se pensaria acontecer: a família, onde pais se cansam rápido dos filhos, filhos dos pais, irmão de irmão tornando o lar, em vez de um ambiente de partilha, unidade, respeito e amor, numa ilha de indiferença, brigas, contendas e divisões.
Deus Pai, no seu Filho Jesus Cristo, na ação do Espírito Santo ajudem a este mundo relativizado a voltarem seus olhos ao alto, afim de que façam o caminho de retorno ao princípio correto de todas as coisas, para que assim tudo volte ao seu normal, pois se assim estivesse, aquele caçador pensaria melhor se valeria a pena matar Cecil por mero prazer exibicionista, e os homens que se sensibilizam pela morte do animal, sensibilizariam-se com maior intensidade para com esta atrocidade chamada aborto.
Deus te abençoe em nome do Nosso Senhor Jesus Cristo.
quinta-feira, 6 de agosto de 2015
Uma árvore de frutos bons (Mt 7, 17)
Todo conhecedor da Palavra de Deus já deve ter percebido, ou se ainda não, que passe a saber que "frutificar" é uma prerrogativa inserida por Deus na realidade do homem; tanto que ao criar Adão e Eva a ordem que lhes dá é: "...frutificai - disse Ele - e multiplicai-vos..." (Gn 1, 28).
Esta ordenança perpassa toda a criação, logo, todos são chamados a dar frutos, mas no nosso caso, que frutos?, pois Jesus no sermão da montanha (Mt 5-7) ao relembrar esta obrigação do homem faz saber aos que o ouvem que existem dois tipos de "árvores" (boas e más), e que de cada uma delas se gera um tipo próprio de fruto (bom ou mal): "Toda árvore boa dá bons frutos; toda árvore má dá maus frutos." (Mt 7, 17)
Obviamente, Nosso Senhor nos convida a sermos "árvores" que dão "bons frutos", frutos de respeito, perdão, misericórdia, caridade e salvação; frutos que edificam a nossa vida e, por conseguinte, a do próximo; que lhes devolve a dignidade de filhos de Deus perdida pelo pecado e que acarreta aos mesmos sofrimento, dor, perdição, tornando-os, assim, "árvores de frutos maus".
A obrigatoriedade de frutificar tem um peso tal para Deus que a passagem de Mt 21, 18-19 não deixa dúvidas, pois nela o texto bíblico narra que Jesus "de manhã, voltando à cidade, teve fome. Vendo uma figueira à beira do caminho, aproximou-se dela, mas só achou nela folhas; e disse-lhe: "jamais nasça fruto de ti". E imediatamente a figueira secou". Em Lc 13, 6-9, Jesus utilizando-se de uma parábola faz, novamente, menção à árvore que não frutifica e a consequência para ela: "Disse-lhes também esta comparação: "Um homem havia plantado uma figueira na sua vinha, e, indo buscar fruto, não o achou. Disse ao viticultor: Eis que três anos há que venho procurando fruto nesta figueira e não o acho. Corta-a; para que ainda ocupa inutilmente o terreno?"
Árvore que não frutifica na obra de Deus não serve, daí a necessidade de gerar, de produzir; mas como fazê-lo? A resposta o Senhor mostra em Jo 15, 1-8 quando ao comparar-se a uma videira diz: "Eu sou a videira verdadeira , e meu Pai é o agricultor. Todo ramo que não der fruto em mim, Ele o cortará; e podará todo o que der fruto, para que produza mais fruto. Vós já estais puros pela palavra que vos tenho anunciado. Permanecei em mim e Eu permanecerei em vós. O ramo não pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira. Assim também vós: não podeis tampouco dar fruto, se não permanecerdes em mim. Eu sou a videira; vós, os ramos. Quem permanecer em mim e Eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer."
O Senhor é enfático: "Quem permanecer em mim e Eu nele, esse dá muito fruto" e o ramo que não der frutos será lançado fora. Não há como ser mais claro: o Senhor Jesus nos pede, exige frutos, agora, eles só acontecerão se estivermos ligados à "videira" que é o Cristo, hoje na sua Igreja, que por meio do Espírito Santo faz gerar essas "árvores" de frutos bons. É Cristo-Igreja (o viticultor) que na sequência da passagem de Lc 13, nos versículos 8 e 9 diz ao homem (Deus): "Senhor, deixa-a ainda este ano; eu lhe cavarei em redor e lhe deitarei adubo. Talvez depois disso dê frutos. Caso contrário, mandarás cortá-la."
O "adubo" é a Sagrada Escritura, é o Sagrado Magistério, são os Sacramentos, que pela ação do Espírito Santo geram essas "árvores" de bons frutos, os frutos do Espírito citados pelo Apóstolo São Paulo na passagem de Gálatas 5, 22-23 que são "caridade, alegria, paz, paciência, afabilidade, bondade, fidelidade, brandura, temperança."
Tem-se, portanto, que ter diante dos olhos, incrustrados na mente e no coração essa verdade que precisamos ser as árvores que gerarão frutos, cujas sementes precisam serem semeadas na vida dos irmãos para que gerem outros frutos a "trinta, sessenta, cem por um." (Mt 13, 8)
Una o "ramo" da sua vida a videira verdadeira que é Jesus, permaneça Nele, e que o auxílio e força do Espírito Santo (a "seiva") que possibilita a árvore que é você frutificar, te faça produzir os frutos que o Senhor deseja.
Deus te abençoe em nome do Nosso Senhor Jesus Cristo.
Esta ordenança perpassa toda a criação, logo, todos são chamados a dar frutos, mas no nosso caso, que frutos?, pois Jesus no sermão da montanha (Mt 5-7) ao relembrar esta obrigação do homem faz saber aos que o ouvem que existem dois tipos de "árvores" (boas e más), e que de cada uma delas se gera um tipo próprio de fruto (bom ou mal): "Toda árvore boa dá bons frutos; toda árvore má dá maus frutos." (Mt 7, 17)
Obviamente, Nosso Senhor nos convida a sermos "árvores" que dão "bons frutos", frutos de respeito, perdão, misericórdia, caridade e salvação; frutos que edificam a nossa vida e, por conseguinte, a do próximo; que lhes devolve a dignidade de filhos de Deus perdida pelo pecado e que acarreta aos mesmos sofrimento, dor, perdição, tornando-os, assim, "árvores de frutos maus".
A obrigatoriedade de frutificar tem um peso tal para Deus que a passagem de Mt 21, 18-19 não deixa dúvidas, pois nela o texto bíblico narra que Jesus "de manhã, voltando à cidade, teve fome. Vendo uma figueira à beira do caminho, aproximou-se dela, mas só achou nela folhas; e disse-lhe: "jamais nasça fruto de ti". E imediatamente a figueira secou". Em Lc 13, 6-9, Jesus utilizando-se de uma parábola faz, novamente, menção à árvore que não frutifica e a consequência para ela: "Disse-lhes também esta comparação: "Um homem havia plantado uma figueira na sua vinha, e, indo buscar fruto, não o achou. Disse ao viticultor: Eis que três anos há que venho procurando fruto nesta figueira e não o acho. Corta-a; para que ainda ocupa inutilmente o terreno?"
Árvore que não frutifica na obra de Deus não serve, daí a necessidade de gerar, de produzir; mas como fazê-lo? A resposta o Senhor mostra em Jo 15, 1-8 quando ao comparar-se a uma videira diz: "Eu sou a videira verdadeira , e meu Pai é o agricultor. Todo ramo que não der fruto em mim, Ele o cortará; e podará todo o que der fruto, para que produza mais fruto. Vós já estais puros pela palavra que vos tenho anunciado. Permanecei em mim e Eu permanecerei em vós. O ramo não pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira. Assim também vós: não podeis tampouco dar fruto, se não permanecerdes em mim. Eu sou a videira; vós, os ramos. Quem permanecer em mim e Eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer."
O Senhor é enfático: "Quem permanecer em mim e Eu nele, esse dá muito fruto" e o ramo que não der frutos será lançado fora. Não há como ser mais claro: o Senhor Jesus nos pede, exige frutos, agora, eles só acontecerão se estivermos ligados à "videira" que é o Cristo, hoje na sua Igreja, que por meio do Espírito Santo faz gerar essas "árvores" de frutos bons. É Cristo-Igreja (o viticultor) que na sequência da passagem de Lc 13, nos versículos 8 e 9 diz ao homem (Deus): "Senhor, deixa-a ainda este ano; eu lhe cavarei em redor e lhe deitarei adubo. Talvez depois disso dê frutos. Caso contrário, mandarás cortá-la."
O "adubo" é a Sagrada Escritura, é o Sagrado Magistério, são os Sacramentos, que pela ação do Espírito Santo geram essas "árvores" de bons frutos, os frutos do Espírito citados pelo Apóstolo São Paulo na passagem de Gálatas 5, 22-23 que são "caridade, alegria, paz, paciência, afabilidade, bondade, fidelidade, brandura, temperança."
Tem-se, portanto, que ter diante dos olhos, incrustrados na mente e no coração essa verdade que precisamos ser as árvores que gerarão frutos, cujas sementes precisam serem semeadas na vida dos irmãos para que gerem outros frutos a "trinta, sessenta, cem por um." (Mt 13, 8)
Una o "ramo" da sua vida a videira verdadeira que é Jesus, permaneça Nele, e que o auxílio e força do Espírito Santo (a "seiva") que possibilita a árvore que é você frutificar, te faça produzir os frutos que o Senhor deseja.
Deus te abençoe em nome do Nosso Senhor Jesus Cristo.
terça-feira, 28 de julho de 2015
Pecado: dois sintomas, uma consequência.
Por mais que este mundo secularizado, pautado por um relativismo moral que busca inculcar nas consciências que tudo depende do ponto-de-vista pessoal, afim de que tudo se submeta ao crivo particular com o objetivo de servir ao prazer pessoal sem limites, queira tratar, também, o pecado segundo essa premissa relativista, não tem conseguido êxito no seu intento.
A tentativa de relativizar o pecado ao ponto de quase glamuralizá-lo não tem sentido efeito, pois, por mais que tentem até sacralizá-lo, a verdade (que destrói até os fundamentos todo argumento mentiroso do relativismo) é que, ele é uma "arma" eficiente utilizada pelo inimigo com uma única finalidade: destruir almas. Por isso o Papa Paulo VI certa vez declarar que "o pecado não é uma deficiência, mas uma eficiência." (Audiência geral, 15/11/1972)
No Éden, travestido de serpente, o inimigo injetou este mal no homem, que segundo São Paulo em Romanos 5, 12 vem sendo transmitido a toda humanidade, pois, "...como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim a morte passou a todo gênero humano, porque todos pecaram...".
Este mal, este "veneno" inoculado nas nossas almas manifesta dois sintomas: primeiro, a vontade de pecar mais, pois é fato que o que vive o pecado dos vícios (bebidas, drogas, sexo...) vai tornar a cometê-los; assim é com a mentira, a fofoca, a corrupção, o adultério, a fornicação... e numa recorrência cada vez maior, ao ponto de ver-se, em dado momento, escravizado por tal prática; daí Jesus alertar que "...todo homem que se entrega ao pecado é seu escravo" (Jo 8, 34).
O segundo sintoma deste "veneno" do pecado é a insensibilidade à Deus e sua mensagem. Se alguém em pecado torna-se altamente sensibilizado por certa prática, o inverso se observa quanto ao que se se refere à mensagem evangélica. Um exemplo prático pode-se observar quando se tenta evangelizar um alcoólatra. Terminada a mensagem recorrerá a bebida novamente. Por quê? Por que está insensibilizado pelo pecado; a mensagem não penetra ao coração e não produz efeito.
Mesmo num encontro evangelístico, poucos são os frutos de conversão, porque a insensibilidade causada pelo pecado não permite a mensagem adentrar ao mais profundo da alma, principalmente daqueles que ainda tentam seguir Jesus olhando para a vida mundana ou tentando fazer concessões à mesma.
Infelizmente, os dois sintomas, se não tratados, levarão a uma mesma consequência: a morte. É o que afirma São Paulo em Romanos 6, 23 quando diz que "o salário do pecado é a morte". É o que aconteceria com a samaritana que Jesus encontra junto ao poço de Jacó (Jo 4, 1-42) e que no diálogo que mantém com o Senhor este lhe revela sua prática adúltera (o primeiro sintoma), e se voltava a pecar, mesmo sendo conhecedora da Lei de Moisés é porque a insensibilidade (segundo sintoma) já era patente, mesmo sabendo que corria o risco de acontecer o que quase aconteceu com a mulher adúltera de Jo 8, 1-11.
No entanto, tanto a samaritana, como a adúltera, como tantas outras pessoas ao longo destes mais de dois milênios, não tiveram a morte como destino porque encontraram-se co Aquele que é o único "antídoto" para tão mortífero veneno. Tiveram um encontro pessoal com Jesus, aquele que "tira o pecado do mundo" (Jo 1, 29), Aquele que afirma que "se portanto, o Filho vos libertar, sereis verdadeiramente livres" (Jo 8, 36).
Contra todo relativismo enganador, contra todo pecado, arma eficiente do inimigo para matar e destruir (Jo 10, ), somente Jesus, que ao ser aceito como Senhor e Salvador tem poder para libertar de todo pecado, livrar da morte eterna, converter e salvar.
Liberte-se das ideias enganadoras, liberte-se de todo pecado, acolha Jesus em sua vida e seja muito mais feliz.
Deus te abençoe em nome do Nosso Senhor Jesus Cristo.
A tentativa de relativizar o pecado ao ponto de quase glamuralizá-lo não tem sentido efeito, pois, por mais que tentem até sacralizá-lo, a verdade (que destrói até os fundamentos todo argumento mentiroso do relativismo) é que, ele é uma "arma" eficiente utilizada pelo inimigo com uma única finalidade: destruir almas. Por isso o Papa Paulo VI certa vez declarar que "o pecado não é uma deficiência, mas uma eficiência." (Audiência geral, 15/11/1972)
No Éden, travestido de serpente, o inimigo injetou este mal no homem, que segundo São Paulo em Romanos 5, 12 vem sendo transmitido a toda humanidade, pois, "...como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim a morte passou a todo gênero humano, porque todos pecaram...".
Este mal, este "veneno" inoculado nas nossas almas manifesta dois sintomas: primeiro, a vontade de pecar mais, pois é fato que o que vive o pecado dos vícios (bebidas, drogas, sexo...) vai tornar a cometê-los; assim é com a mentira, a fofoca, a corrupção, o adultério, a fornicação... e numa recorrência cada vez maior, ao ponto de ver-se, em dado momento, escravizado por tal prática; daí Jesus alertar que "...todo homem que se entrega ao pecado é seu escravo" (Jo 8, 34).
O segundo sintoma deste "veneno" do pecado é a insensibilidade à Deus e sua mensagem. Se alguém em pecado torna-se altamente sensibilizado por certa prática, o inverso se observa quanto ao que se se refere à mensagem evangélica. Um exemplo prático pode-se observar quando se tenta evangelizar um alcoólatra. Terminada a mensagem recorrerá a bebida novamente. Por quê? Por que está insensibilizado pelo pecado; a mensagem não penetra ao coração e não produz efeito.
Mesmo num encontro evangelístico, poucos são os frutos de conversão, porque a insensibilidade causada pelo pecado não permite a mensagem adentrar ao mais profundo da alma, principalmente daqueles que ainda tentam seguir Jesus olhando para a vida mundana ou tentando fazer concessões à mesma.
Infelizmente, os dois sintomas, se não tratados, levarão a uma mesma consequência: a morte. É o que afirma São Paulo em Romanos 6, 23 quando diz que "o salário do pecado é a morte". É o que aconteceria com a samaritana que Jesus encontra junto ao poço de Jacó (Jo 4, 1-42) e que no diálogo que mantém com o Senhor este lhe revela sua prática adúltera (o primeiro sintoma), e se voltava a pecar, mesmo sendo conhecedora da Lei de Moisés é porque a insensibilidade (segundo sintoma) já era patente, mesmo sabendo que corria o risco de acontecer o que quase aconteceu com a mulher adúltera de Jo 8, 1-11.
No entanto, tanto a samaritana, como a adúltera, como tantas outras pessoas ao longo destes mais de dois milênios, não tiveram a morte como destino porque encontraram-se co Aquele que é o único "antídoto" para tão mortífero veneno. Tiveram um encontro pessoal com Jesus, aquele que "tira o pecado do mundo" (Jo 1, 29), Aquele que afirma que "se portanto, o Filho vos libertar, sereis verdadeiramente livres" (Jo 8, 36).
Contra todo relativismo enganador, contra todo pecado, arma eficiente do inimigo para matar e destruir (Jo 10, ), somente Jesus, que ao ser aceito como Senhor e Salvador tem poder para libertar de todo pecado, livrar da morte eterna, converter e salvar.
Liberte-se das ideias enganadoras, liberte-se de todo pecado, acolha Jesus em sua vida e seja muito mais feliz.
Deus te abençoe em nome do Nosso Senhor Jesus Cristo.
quarta-feira, 8 de julho de 2015
Odres novos para um vinho novo
"Não se coloca tampouco vinho novo em odres velhos..." (Mt 9, 17), assim ensina Nosso Senhor Jesus Cristo ao fazer menção a uma mudança de vida, de conversão, necessária e fundamental para todo aquele (a) que se propõe a viver uma vida, verdadeiramente, cristã.
A metáfora do odre e do vinho no contexto da mensagem pode ser compreendida tomando-se como base a passagem do Evangelho de São João 2, 1-12 quando, nas bodas de Caná, Jesus é, em certo momento da festa, alertado por Maria, sua mãe, que o vinho acabara e que os noivos passariam vergonha (vers. 3).
Jesus, a princípio, argumenta não ter chegado a sua hora (vers.4), no entanto, mediante o materno apelo de Maria Santíssima, determina aos serventes que providenciem encher as talhas (odres) que se achavam vazios com água (vers. 6-7). As talhas eram de pedra e em número de seis o que leva a duas reflexões: primeiro, as talhas são qualquer pessoa, e isso pode ser compreendido a partir da passagem de Mt 16, 13-19, em particular na profissão de Simão que ao ser questionado, juntamente com os discípulos, pelo Senhor: "E vós quem dizeis que Eu sou?" (vers. 15), responde: "Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo" (vers. 16), e escuta de Jesus: "Feliz és tu Simão, filho de Jonas, por que não foi a carne nem o sangue que te revelou isto, mas meu Pai que está nos céus" (vers. 17), e completa: "Eu te declaro: tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja.." (vers. 18).
Pedro é comparado a uma "pedra menor", a ser assentada sobre a "pedra maior": Jesus; assim, as "talhas" (pedras) são os homens que aderem a Cristo e são incorporados a sua Igreja (CIC, 1267), mas que são dependentes Daquele que é a "talha maior" capaz de preencher as "talhas vazias", primeiramente com água, a água do Batismo, que na verdade é a "água viva" que foi oferecida à samaritana (talha vazia) de Jo 4, 10-15, e posteriormente com vinho.
Mas que vinho? A resposta está na passagem de Ef 5, 18 onde São Paulo recomenda à comunidade de Éfeso: "Não vos embriagueis com vinho, que é fonte de devassidão, mas enchei-vos do Espírito". O vinho melhor é o Espírito Santo que tem várias características, por exemplo: enebria, daí o fato de na passagem de Pentecostes (At 2, 1-4) os discípulos e demais que estavam no cenáculo, ao receberem a efusão do Espírio Santo terem sido acusados pelos que estavam fora de estarem todos embriagados (At 2, 13).
"Vinho" que dá coragem, principalmente ao tímidos, e é como se encontravam aqueles discípulos trancados e com medo dos fariseus e romanos após a morte de Jesus (Jo 20, 19), mas que ao receberem o sopro do Espírito Santo (vers. 22) passaram a proclamar o Evangelho do Senhor com coragem e intrepidez (At 4, 31).
A segunda reflexão é quanto ao fato de serem seis talhas, que só puderam ser cheias por uma talha maior (a sétima), mostrando aquilo que se ensina sobre o número sete ser a plenitude de Deus. Cada ser humano, toda a humanidade será incompleta se não tiver Deus, na pessoa de Jesus, por meio do seu Santo Espírito a completá-las, a elevá-las, a enchê-las do "vinho novo" do Espírito Santo e fazê-las não somente odres novos, mas homens novos (Ef 4, 24) como diz São Paulo, pois assim o foi com a samaritana que já havia tido cinco maridos, e o atual não lhe pertencia (sexto), mas um dia encontrou-se com o sétimo: Jesus (Jo 4, 7) que naquele diálogo pôde encher o odre velho, a talha vazia de sua vida com a "água da vida" e o vinho novo do Espírito Santo, e assim, aquela "talha" vazia, que não se enchia nunca, pois como bem diz a canção "não dá pra preencher vazio com vazio", pôde ela ver-se agora cheia, plena, transbordante e capaz de partilhar o seu vinho novo com outros (Jo 4, 28-29).
Deixe ser preenchido o odre, a talha da sua vida com o saboroso vinho do Espírito Santo, e experimente o que experimentaram Maria Santíssima, os apóstolos, a samaritana e tantos outros homens e mulheres que ao longo da história da Igreja fizeram essa experiência e tiveram suas vidas transformadas.
Deus te abençoe em nome do Nosso Senhor Jesus Cristo.
A metáfora do odre e do vinho no contexto da mensagem pode ser compreendida tomando-se como base a passagem do Evangelho de São João 2, 1-12 quando, nas bodas de Caná, Jesus é, em certo momento da festa, alertado por Maria, sua mãe, que o vinho acabara e que os noivos passariam vergonha (vers. 3).
Jesus, a princípio, argumenta não ter chegado a sua hora (vers.4), no entanto, mediante o materno apelo de Maria Santíssima, determina aos serventes que providenciem encher as talhas (odres) que se achavam vazios com água (vers. 6-7). As talhas eram de pedra e em número de seis o que leva a duas reflexões: primeiro, as talhas são qualquer pessoa, e isso pode ser compreendido a partir da passagem de Mt 16, 13-19, em particular na profissão de Simão que ao ser questionado, juntamente com os discípulos, pelo Senhor: "E vós quem dizeis que Eu sou?" (vers. 15), responde: "Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo" (vers. 16), e escuta de Jesus: "Feliz és tu Simão, filho de Jonas, por que não foi a carne nem o sangue que te revelou isto, mas meu Pai que está nos céus" (vers. 17), e completa: "Eu te declaro: tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja.." (vers. 18).
Pedro é comparado a uma "pedra menor", a ser assentada sobre a "pedra maior": Jesus; assim, as "talhas" (pedras) são os homens que aderem a Cristo e são incorporados a sua Igreja (CIC, 1267), mas que são dependentes Daquele que é a "talha maior" capaz de preencher as "talhas vazias", primeiramente com água, a água do Batismo, que na verdade é a "água viva" que foi oferecida à samaritana (talha vazia) de Jo 4, 10-15, e posteriormente com vinho.
Mas que vinho? A resposta está na passagem de Ef 5, 18 onde São Paulo recomenda à comunidade de Éfeso: "Não vos embriagueis com vinho, que é fonte de devassidão, mas enchei-vos do Espírito". O vinho melhor é o Espírito Santo que tem várias características, por exemplo: enebria, daí o fato de na passagem de Pentecostes (At 2, 1-4) os discípulos e demais que estavam no cenáculo, ao receberem a efusão do Espírio Santo terem sido acusados pelos que estavam fora de estarem todos embriagados (At 2, 13).
"Vinho" que dá coragem, principalmente ao tímidos, e é como se encontravam aqueles discípulos trancados e com medo dos fariseus e romanos após a morte de Jesus (Jo 20, 19), mas que ao receberem o sopro do Espírito Santo (vers. 22) passaram a proclamar o Evangelho do Senhor com coragem e intrepidez (At 4, 31).
A segunda reflexão é quanto ao fato de serem seis talhas, que só puderam ser cheias por uma talha maior (a sétima), mostrando aquilo que se ensina sobre o número sete ser a plenitude de Deus. Cada ser humano, toda a humanidade será incompleta se não tiver Deus, na pessoa de Jesus, por meio do seu Santo Espírito a completá-las, a elevá-las, a enchê-las do "vinho novo" do Espírito Santo e fazê-las não somente odres novos, mas homens novos (Ef 4, 24) como diz São Paulo, pois assim o foi com a samaritana que já havia tido cinco maridos, e o atual não lhe pertencia (sexto), mas um dia encontrou-se com o sétimo: Jesus (Jo 4, 7) que naquele diálogo pôde encher o odre velho, a talha vazia de sua vida com a "água da vida" e o vinho novo do Espírito Santo, e assim, aquela "talha" vazia, que não se enchia nunca, pois como bem diz a canção "não dá pra preencher vazio com vazio", pôde ela ver-se agora cheia, plena, transbordante e capaz de partilhar o seu vinho novo com outros (Jo 4, 28-29).
Deixe ser preenchido o odre, a talha da sua vida com o saboroso vinho do Espírito Santo, e experimente o que experimentaram Maria Santíssima, os apóstolos, a samaritana e tantos outros homens e mulheres que ao longo da história da Igreja fizeram essa experiência e tiveram suas vidas transformadas.
Deus te abençoe em nome do Nosso Senhor Jesus Cristo.
quarta-feira, 1 de julho de 2015
"Não julgueis, e não sereis julgados" (Mt 7, 1)
"Eis a vontade de Deus a vosso respeito: a vossa santificação..." (1 Ts 4, 3). O desejo de Deus para todo homem não é outro, senão, de "sermos santos como o Pai é Santo" (1 Pe 1, 16), pois o desejo de Deus é que alcancemos o céu, e o céu é para santos, e viver santidade é combater contra o pecado e rejeitá-lo todos os dias.
Dentre os tantos pecados que temos que renunciar todos os dias está o pecado do julgamento, por isso que no Sermão da montanha (ou das bem-aventuranças) Jesus deixa explícito a condenação ao julgamento do outro quando diz: "Não julgueis, e não sereis julgados...", e vais mais fundo quando completa: "..., com a medida com que tiverdes medido, também vós sereis medidos" (Mt 7, 2).
O ato de julgar, e condenar, é uma prática de todo ser humano em virtude da nossa natureza decaída, no entanto, esta prática parece exarcebar-se entre aqueles que tem uma vida de caminhada com Deus. Assim como os fariseus do tempo de Jesus, que foram por Ele duramente criticados neste sentido como está manifesto na passagem de Mt 23, 1-36, aqueles que pelo fato de viverem uma intimidade com a Palavra de Deus, terem vida de oração regular, serem fiéis à Santa Missa e a Eucaristia..., dignam-se apontar, julgar e condenar aqueles que não vivem a mesma realidade colocando-se num patamar superior.
O pecado de julgar trás sérias consequências como: a depreciação da misericórdia e da caridade, pois a misericórdia é o ato amoroso de dar uma nova chance, de acreditar que existe uma possibilidade de mudança, pois a passagem de Jesus e a mulher adúltera (Jo 8, 1-11) demonstra muito claramente isso. Quem vive a prática do julgamento vai contra o ensino de Jesus no Sermão da montanha quando declara: "Bem-aventurados os misericordiosos pois alcançarão misericórdia" (Mt 5, 7); demonstra que não compreendeu as palavras do salmista expostas na passagem do Salmos 102, 13-14 que diz: "Como um pai tem piedade de seus filhos, assim o Senhor tem compaixão dos que o temem, porque ele sabe de que é que somos feitos, e não se esquece de que somos pó". Quando se entende que o outro cai, peca, falha é porque é vulnerável à tentação e ao pecado, tem-se misericórdia e a atitude e estender a mão e não apontar-lhe o dedo.
O ato de julgar também deprecia a caridade que é esta atitude cristã de colocar-se a serviço da edificação, do resgate, do bem do outro, se preciso for, até com a doação da própria vida; por isso que São Paulo em 1 Cor 13, 13 deixa explícito que de todas as virtudes a maior é a caridade, pois foi aquela que Jesus explicitou ao extremo na sua Paixão e morte. Isto, porém, não é possível para aquele que se põe diante do próximo com tal postura julgadora, pois já assumiu uma postura destruidora e não edificadora.
A prática de julgar trás uma outra consequência grave que é a de assumir o lugar de Deus, contrariando o que se lê na passagem de 2 Tm 4, 8 onde São Paulo aponta apenas Jesus como o "Justo juiz", ou seja, o único capaz de julgar com retidão, com justiça, com imparcialidade, e quando se alguém se arvora em colocar-se no lugar Daquele que é o único e capaz de julgar corretamente, atrai para sí a pior das consequências: a condenação eterna, o inferno, visto que assim Nossa Senhora de Fátima ensinou certa vez aos pastorinhos: "Quando você julga, Deus se cala, e você se condena!".
Somente o Senhor Jesus é o justo juiz, a nós cabe servir e amar, principalmente se somos de "caminhada", pois se insistimos em tal prática correremos o risco de viver o que São Paulo viveu quando ainda era o fariseu Saulo que julgava, condenava e executava os cristãos e quando convertido pagou por aquilo que praticou, ou seja, recebeu a medida da medida do que fazia.
Agir como juízes é agir segundo a maneira deste mundo condenando e executando, no entanto, somos chamados não a lançar pedras, não a destruir, matar, mas a lançar sementes, a edificar, e isso só acontecerá mediante o auxílio do Espírito Santo que nos leva a "orar e vigiar" (Mt 26, 41) para não cair na tentação desse terrível pecado de julgar que há tantos tem matado em corpo e alma.
Deus te abençoe em nome do Nosso Senhor Jesus Cristo.
Dentre os tantos pecados que temos que renunciar todos os dias está o pecado do julgamento, por isso que no Sermão da montanha (ou das bem-aventuranças) Jesus deixa explícito a condenação ao julgamento do outro quando diz: "Não julgueis, e não sereis julgados...", e vais mais fundo quando completa: "..., com a medida com que tiverdes medido, também vós sereis medidos" (Mt 7, 2).
O ato de julgar, e condenar, é uma prática de todo ser humano em virtude da nossa natureza decaída, no entanto, esta prática parece exarcebar-se entre aqueles que tem uma vida de caminhada com Deus. Assim como os fariseus do tempo de Jesus, que foram por Ele duramente criticados neste sentido como está manifesto na passagem de Mt 23, 1-36, aqueles que pelo fato de viverem uma intimidade com a Palavra de Deus, terem vida de oração regular, serem fiéis à Santa Missa e a Eucaristia..., dignam-se apontar, julgar e condenar aqueles que não vivem a mesma realidade colocando-se num patamar superior.
O pecado de julgar trás sérias consequências como: a depreciação da misericórdia e da caridade, pois a misericórdia é o ato amoroso de dar uma nova chance, de acreditar que existe uma possibilidade de mudança, pois a passagem de Jesus e a mulher adúltera (Jo 8, 1-11) demonstra muito claramente isso. Quem vive a prática do julgamento vai contra o ensino de Jesus no Sermão da montanha quando declara: "Bem-aventurados os misericordiosos pois alcançarão misericórdia" (Mt 5, 7); demonstra que não compreendeu as palavras do salmista expostas na passagem do Salmos 102, 13-14 que diz: "Como um pai tem piedade de seus filhos, assim o Senhor tem compaixão dos que o temem, porque ele sabe de que é que somos feitos, e não se esquece de que somos pó". Quando se entende que o outro cai, peca, falha é porque é vulnerável à tentação e ao pecado, tem-se misericórdia e a atitude e estender a mão e não apontar-lhe o dedo.
O ato de julgar também deprecia a caridade que é esta atitude cristã de colocar-se a serviço da edificação, do resgate, do bem do outro, se preciso for, até com a doação da própria vida; por isso que São Paulo em 1 Cor 13, 13 deixa explícito que de todas as virtudes a maior é a caridade, pois foi aquela que Jesus explicitou ao extremo na sua Paixão e morte. Isto, porém, não é possível para aquele que se põe diante do próximo com tal postura julgadora, pois já assumiu uma postura destruidora e não edificadora.
A prática de julgar trás uma outra consequência grave que é a de assumir o lugar de Deus, contrariando o que se lê na passagem de 2 Tm 4, 8 onde São Paulo aponta apenas Jesus como o "Justo juiz", ou seja, o único capaz de julgar com retidão, com justiça, com imparcialidade, e quando se alguém se arvora em colocar-se no lugar Daquele que é o único e capaz de julgar corretamente, atrai para sí a pior das consequências: a condenação eterna, o inferno, visto que assim Nossa Senhora de Fátima ensinou certa vez aos pastorinhos: "Quando você julga, Deus se cala, e você se condena!".
Somente o Senhor Jesus é o justo juiz, a nós cabe servir e amar, principalmente se somos de "caminhada", pois se insistimos em tal prática correremos o risco de viver o que São Paulo viveu quando ainda era o fariseu Saulo que julgava, condenava e executava os cristãos e quando convertido pagou por aquilo que praticou, ou seja, recebeu a medida da medida do que fazia.
Agir como juízes é agir segundo a maneira deste mundo condenando e executando, no entanto, somos chamados não a lançar pedras, não a destruir, matar, mas a lançar sementes, a edificar, e isso só acontecerá mediante o auxílio do Espírito Santo que nos leva a "orar e vigiar" (Mt 26, 41) para não cair na tentação desse terrível pecado de julgar que há tantos tem matado em corpo e alma.
Deus te abençoe em nome do Nosso Senhor Jesus Cristo.
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