domingo, 5 de abril de 2015

“O NOME QUE ESTÁ ACIMA DE TODO NOME” (Fl 2, 6-11)

O nome é algo marcante para toda pessoa; certamente, um casal ao saber que terão um filho e após ficarem sabendo qual será o sexo, é imediato especular qual será o nome que possuirá. Para o ser humano é diferente dos demais animais, pois para um cachorro que olha outro é só um cachorro, um gato que se depara com outro gato é somente um gato..., no entanto, ao ser humano o fato de  lhe acrescer um nome sai do comum para algo mais íntimo, mais próximo, o nome lhe eleva o patamar, sai do geral para o particular, deixa de ser qualquer um para ser diferenciado.
Assim, no meio de tantos “Joões”, o meu João não é qualquer um, é diferenciado, tem lugar especial na minha vida, na minha história, no meu existir...; da mesma forma com as tantas “Marias”, “Franciscos”...e é assim com Jesus, que para Deus tem lugar especial, primeiramente por ser seu Filho único (Jo 3, 16), por ter tido participação decisiva na história da humanidade, desde a Criação (Gn 1,26) até o Calvário (Jo 19, 30).
Deus, na sua relação com seus filhos, a partir de Adão gerou muitos nomes que ficarão para a eternidade, por seus méritos, e também pelos seus equívocos: o próprio Adão por ter sido o ser humano criado em toda plenitude, no entanto, será lembrado, também pela desobediência que trouxe ao mundo o pecado; Abraão por ter sido o escolhido para gerar uma descendência que seria tão numerosa quanto “as estrelas do céu” (Gn 15, 5); Moisés, por ter sido escolhido para libertar o povo hebreu da escravidão do Egito e levá-lo a uma “terra prometida”; Davi que foi o homem “segundo o coração de Deus” (At 13, 22); Ezequiel, o profeta que era tratado por Deus como “filho do homem” (Ez 2, 1); Maria que foi fiel ao dizer “faça-se em mim conforme a tua palavra” (Lc 1,38); Pedro, sobre quem seria “edificada” a Igreja (Mt 16, 18)...
Muitos outros nomes poderiam ser citados, cada qual com seus préstimos às ordenanças do Pai que tanto colaboraram para que o projeto salvífico do Senhor se realizasse; no entanto, haveria de vir “um nome”, que não é qualquer um, porque se trata do Filho de Deus, Nosso Senhor Jesus Cristo, prometido desde a queda de Adão com uma missão específica de “procurar e salvar o que estava perdido” (Mt 18, 11; Lc 19, 9-10), com a missão de devolver ao homem sua dignidade perdida, proporcionar-nos a “paz com Deus” (Rm 5, 1) perdida desde o Eden.
Todos os nomes antes citados tiveram seus nomes de certo modo exaltados por Deus, porém, Jesus, como descreve São Paulo em Filipenses 2, 9 teve seu nome “exaltado soberanamente”, ou seja, muito acima dos demais, visto que como explica na mesma passagem “E, sendo exteriormente reconhecido como homem, humilhou-se ainda mais, tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz.” (vers. 8), isso o levou a receber do Pai a outorga de ter “o nome que está acima de todos os nomes.” (vers. 9). Tal elevação mostra que Jesus está muito acima de Adão, pois nunca desobedeceu; está muito acima de Abraão, pois Dele sairá um novo povo que não nem judeu nem grego, mas filhos de Deus; está acima de Moisés, pois Jesus é aquele liberta da escravidão do pecado, pois é Ele mesmo que afirma que “Se o Filho do homem vos libertar, sereis verdadeiramente livres.” (Jo 8, 36); está muito acima de Davi, pois, venceu a batalha das batalhas contra um gigante muito maior que Golias, além de tornar-se o Rei dos reis; está muito acima de Ezequiel, pois Ele agora é não somente o Filho do homem, mas o Senhor há quem, como conclui São Paulo, “ao nome de Jesus se dobre todo joelho no céu, na terra e nos infernos. E toda língua confesse para a glória de Deus Pai, que Jesus Cristo é o Senhor.” (vers. 10-11)
O porém é que, no céu os joelhos se dobram e as línguas confessam Jesus como Senhor, nos infernos, também, mas aqui na Terra já não é bem assim. A cada geração cresce o número dos que reconhecem qualquer nome  e  se dobram em adoração a qualquer senhor, como ao dinheiro, fama, sucesso, status..., se dobram em adoração a pessoas carnais, pecadoras, falhas, e incrédulas (artistas de música, cinema, TV...), coisas e pessoas que não serão capazes de oferecer aquilo que somente Jesus pode nos oferecer: “vida em abundância” (Jo 10, 10); vida que não se trata de vida terrena, mas de vida eterna (a terra prometida), vida liberta da escravidão do pecado (Egito), vida em abundância que não se trata de prosperidade materialista, mas de abundância de graça e paz.
Nessa Quaresma e Semana Santa muitos vão passar sem ainda reconhecer esta realidade que São Paulo reconheceu e por isso professou em sua carta aos Filipenses que existe apenas um nome, que está acima de todos os nomes, digno de todo louvor, exaltação, adoração, glorificação, e de ser declarado Senhor: Jesus Cristo, mas que, infelizmente, por uma imensa maioria não será visto além de um personagem histórico (que para alguns ainda é motivo de ressalvas e até fruto de desconfiança se realmente existiu e que fez o que fez), que passou por um martírio cruel e nada mais.

Não seja o mesmo para você que se declara cristão de verdade, que este tempo de Semana Santa,  ao assistir mais uma vez os filmes, as encenações da Paixão e morte de Nosso Senhor Jesus Cristo, medita, contempla, reflete no grande ato de amor para com toda a humanidade e conclui: “Este homem não é qualquer homem, este nome não é qualquer nome”, este é o “meu Senhor e meu Deus!” (Jo 20, 28) como professou Tomé ao comprovar que era mesmo o Senhor ressuscitado. A Ele todo o meu reconhecimento e toda a minha adoração! Amém.
Deus te abençoe em nome do Nosso Senhor Jesus Cristo.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

A exceção, da exceção, da exceção chama-se Milagre!

Ao participar de uma formação para catequistas da paróquia a que pertenço, e sirvo, mais uma vez pude deparar-me com as maravilhas que o amor de Deus pode gerar, a beleza do que seu amor pode produzir, em contraponto àquilo que também o desamor pode gerar e que, infelizmente, é o que se supra-dimensiona nesses tempos de tantos absurdos realizados pelo homem secularizado e sem limites.
Nesta formação, marcou-me uma palestra ministrada por uma professora especialista em educação inclusiva de crianças, jovens, adultos, e portadores de necessidades especiais. À medida que transmitia o conteúdo fomos, primeiramente, impactados pelo fato de ela ser portadora de TDAH (Transtorno de Déficit de Aprendizagem e hiperatividade) onde o diagnóstico indica que tais pessoas não terão como alcançar certos patamares, de estudo e aprendizagem, por exemplo, e o que mais impressionou foi o fato de que a mesma é formada, com pós-graduação, além de ter cursos de canto (soprano, diga-se de passagem), artes plásticas, e até de mestre-de-obras.
Além do seu exemplo pessoal, ainda partilharia o fato de que seu primeiro filho seria diagnosticado tempos depois com síndrome de Asperger, um tipo de autismo, onde o neuropediatra que a informou sobre a síndrome deixou-lhe claro que não esperasse nada do filho, visto que as limitações seriam grandes. Ao final ela fecha dizendo que hoje seu filho de dezessete anos irá cursar o terceiro ano do ensino médio e no segundo ano atingiu uma nota altíssima no ENEM (exame de seleção para ingresso em universidades públicas ou privadas) e que só não cursará por que ela optou que o mesmo termine o curso regular.
Essas maravilhas, que se denomina formalmente, de "exceção à regra", são os exemplos para todo que analisa este mundo não somente com olhos humanos, concretos, cartesianos, empíricos, mas com um olhar e uma sensibilidade que percebe que essas "exceções" não são algo que se deva espantar, visto que existe "algo" que produz tal situação: esta algo se chama amor, se chama fé, este algo se chama Deus, até porque casos como dessa professora e seu filho não são exceção à regra.
O caso desta mãe e filho se irmanam, plenamente, àquilo que se verá em tantos casos relatados nas Sagradas Escrituras como, por exemplo, no caso do homem da mão seca (Mc 3, 1-6), cuja deficiência o levou a viver à margem da sociedade, visto como um incapacitado seria um alguém-ninguém em meio a uma sociedade que tem olhos apenas para os "perfeitos"; no entanto, naquela passagem, enquanto Jesus era questionado e criticado por curar no sábado, algo proibido pela Lei, o Senhor vai deixar mais uma lição aos fariseus, chamando o homem para o meio e curando-lhe a deficiência.
Ele foi uma exceção, da exceção, da exceção  à regra, porque aos critérios humanos já estava sacramentada sua condição de viver toda a sua vida portando uma deficiência que o incapacitaria para sempre; no entanto, Jesus é aquele que veio mostrar aos homens que existe um Deus que está além das limitações, e quando movido por amor e compaixão, faz a exceção, das exceções tornar-se milagre, e mostrou àqueles homens que Deus é capaz de agora o alguém-ninguém pode tornar-se alguém-alguém.
O exemplo desta mãe e seu filho nada mais é que isto, o amor movido pela compaixão e pela fé que será capaz de transformar situações já determinadas. Por isso que o cristianismo, por isso que Jesus permanecerá, a contragosto de muitos, sendo uma realidade presente em meio às famílias, povos e nações, porque somente Nele pode-se constatar tal maravilha: o amor suplantar as exceções e produzir milagres, não somente no que diz respeito às deficiências físicas, visíveis, mas também às deficiências da alma, que ressalte-se aqui, foi onde Ele mais operou milagres.
Deus te abençoe em nome do Nosso Senhor Jesus Cristo.

sábado, 17 de janeiro de 2015

A Palavra é o "arpão"...as pessoas, as "baleias"!

No encerramento do período letivo de 2014 enquanto deixava minha última mensagem nas turmas em que leciono, fazia menção ao fato de que em cada sala vários jovens, por livre vontade, preferiam não participar dos minutos iniciais onde a Palavra de Deus era partilhada, refletida, e por fim concluída com uma oração.
A resistência desses que não participam, visto que deixo claro que a intenção não é "impor" Deus a ninguém, mas "propor" Deus a todos, é claro sinal de que a juventude se torna, a cada geração, arredia à sã doutrina, e em face deste detalhe fiz este comentário fazendo menção a estes, mas também aos que mesmo optando por participar do momento mostram visível indiferença e alguns até desrespeito...Foi então, que fiz um comentário baseado em algo que vi e ouvi quando de uma participação de Padre Marcelo Rossi em um programa de TV.
Naquela oportunidade ele foi colocado diante de uma situação real, à qual não me lembro mais nos detalhes, mas, no entanto, me ficou gravada na mente o comparativo para explicar a tal situação. Padre Marcelo fez um comparativo com o que acontece numa caça às baleias que, infelizmente, ainda é praticada em algumas partes do mundo, logo, este texto não quer, de maneira nenhuma, abonar tal prática, ao contrário, como biólogo que sou, somo-me aos muitos que desaprovam tal prática.
No entanto, o que foi belíssimo, apesar de a cena em si ser terrível, foi o comparativo, pois se pararmos para analisar sobre outra ótica - a ótica da fé -, é isso o que realmente acontecerá: mesmo que não seja em cem por cento dos casos.
Padre Marcelo fazia menção ao fato de que a missão de anunciar Jesus às pessoas é como sair em caça às baleias que, quando avistadas, são atingidas por um arpão enorme que lhes penetra o corpo de forma profunda. Ora, ao impacto daquela arpoada e mediante a dor que sente a reação automática do animal é fugir, nadar desesperadamente.
Assim acontece em muitas almas quando a Palavra de Deus (o arpão) é lançada em suas vidas; ela irá penetrar "atingir a divisão da alma e do corpo, das juntas e medulas.." (Hb 4, 12), como bem declara o Apóstolo São Paulo fazendo uma analogia com uma "espada", no caso; e ao penetrar o íntimo da alma, aquela pessoa (a baleia) sentirá o impacto, e a reação de muitos é "fugir" (renegando, criticando, rechaçando...).
Porém, no caso da baleia os caçadores já tem a estratégia: um longo cabo de aço ligado ao arpão permitirá que o animal nade por uma longa distância, até que pelo grau do ferimento o mesmo se enfraquece, e quando demonstra não mais ter forças para nadar, começa, então, a ser puxado pelo cabo de aço ligado a um motor para o barco onde, então, é embarcada.
Da mesma maneira, ao sentirem a força da Palavra muitos fugirão, mas a estratégia é a mesma, ela está ligada a um "cabo de aço": o Amor de Deus, que lhe dá toda a liberdade de fugir o quanto queira, porém, num determinado momento essa pessoa irá cansar, pois a Palavra já a alcançou, já a feriu de amor, e ela não conseguirá mais resistir e fugir, é o momento, então, que o amor de Deus a trará de volta até o "barco" da Igreja, que na verdade são os "braços" da Santa Mãe Igreja, que na verdade são os braços de Jesus.
Apenas uma diferença acontecerá nessa metáfora: as baleias, ao serem içadas ao barco serão mortas, despedaçadas para serem comercializadas; já as vidas que serão "içadas" aos braços de Jesus serão curadas nas suas feridas como bem lembra a passagem do pastor que resgata a ovelha perdida, a põe nos ombros e cura suas feridas (Lc 15, 1-7); além disso, não serão despedaçadas, mas "reconstruídas", refeitas seja no corpo, seja na alma, seja no espírito, e por fim não serão comercializadas, porque agora são propriedade do próprio Deus e cujo valor é incalculável ao qual ninguém pode adquirir.
A missão é, portanto, sermos os "arpoadores" do amor de Deus nos corações, e que o Espírito Santo seja a força (o motor) que trará de volta essas vidas ao coração de Jesus. Esta foi a tarefa da Igreja de Jesus até agora, e que assim permaneça até a sua volta gloriosa.
Deus te abençoe em nome do Nosso Senhor Jesus Cristo.

sábado, 10 de janeiro de 2015

Em Jesus é possível renascer!

A passagem de Jo 3, 1-6 sobre o diálogo de Jesus com Nicodemos trás um detalhe que, para o fariseu daquele tempo, e para muitos deste tempo, parecia impossível: renascer. A partir daquele encontro o Senhor introduz esta possibilidade na história de todo homem, visto que, só se é possível nascer, visto que a realidade de toda pessoa é que no tempo e na história houve um dia, mês e ano que cada um veio à existência a partir do seu nascimento.
Mas o certo é que Jesus indica esta nova possibilidade: o homem pode renascer, de que maneira? O texto mostra que Nicodemos vai ao encontro de Jesus, à noite, às escondidas, como um mero curioso que não tinha outra pretensão senão de saber como o Mestre "fazia aqueles milagres", pois ele e os demais fariseus já estavam tendentes a reconhecer que Jesus realizava aqueles milagres da parte de Deus e não do demônio, como fora acusado em certa ocasião (Mt 9, 34).
O fato de ter "dado um passo" na direção de Jesus, de ir ao seu encontro, fez toda a diferença para que Nicodemos vivesse a grande experiência de renascer, e assim o que a Palavra nos indica é que, para que haja renascimento, há de se dar um passo na direção do Senhor, é necessário que se vá ao seu encontro, para que naquele encontro, assim como o foi com Zaqueu ao dar o passo de abrir as portas de sua casa; assim como o foi com a samaritana que deu o passo ao escutar Jesus, e tantos outros exemplos, possa-se ter esta experiência de renascer.
No entanto, o texto bíblico mostra que o Senhor Jesus ao perceber a mera curiosidade de Nicodemos, interrompe-o, abruptamente, e lhe declara: "Em verdade, em verdade te digo: quem não nascer de novo não poderá ver o Reino de Deus" (vers. 3). Nicodemos fica estupefato e questiona: "Como pode um homem renascer sendo velho? Porventura pode tornar a entrar no seio de sua mãe e nascer pela segunda vez?" (vers. 4). Nicodemos não percebera que Jesus falava de conversão. Por que necessitava ele de converter-se? Nicodemos, afinal, não era um fariseu, doutor da lei, conhecedor da Lei mosaica e, certamente, um praticante da mesma em toda sua plenitude, visto que  Paulo como fariseu que era ensinara certa vez que "quem desobedece um item da Lei peca contra toda a Lei"?
Jesus indicava que Nicodemos precisava de "renascer", ou seja, converter-se, porque era pecador, reconhecer os seus pecados e reconciliar-se com Deus, além do que lhe era necessário aquilo que Jesus deixaria claro no versículo 16: "...lhe deu seu Filho único, para que todo o que Nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna.". Nicodemos necessitava reconhecer e proclamar Jesus como seu salvador. Assim, a Palavra mostra que o renascimento é fruto do reconhecimento do pecado e de Jesus como Senhor e Salvador de sua vida.
No entanto, o fariseu não compreende estas palavras e o Senhor faz um acréscimo: "Em verdade, em verdade te digo: quem não renascer da água e do Espírito não poderá entrar no Reino de Deus" (vers. 5); esse "renascer" é possível pela ação do Espírito Santo. Jesus no seu diálogo com os discípulos na passagem de Jo 16, 6-8 diz: "Mas porque vos falei assim, a tristeza encheu o vosso coração. Entretanto, digo-vos a verdade: convém a vós que eu vá! Porque, se eu não for, o Paráclito não virá a vós; mas se Eu for, vo-lo enviarei. E, quando ele vier, convencerá o mundo a respeito do pecado, da justiça e do juízo". Quem convence sobre o pecado? O Espírito Santo, logo, o Senhor referia-se ao fato que necessitava de uma conversão de vida pela ação do Espírito Santo, pois é certo que retornar ao ventre de sua mãe e renascer uma segunda vez não era possível, no entanto, pela ação do Espírito Santo ele poderia ser, como foi, levado ao coração amoroso de Jesus, e ali imerso, não num líquido amniótico, mas no puro amor de Deus, e gestado neste amor, pôde assim renascer.
Nicodemos renasceu no coração-útero de Deus pela ação do Espírito Santo que agia em Jesus, e assim pôde comprovar que todo homem um dia nasce, mas ao aceitar Cristo tem a possibilidade de renascer, e renascer, e renascer, visto que o pecado é uma realidade que lança o homem nesta necessidade de ter que ir ao coração de Jesus por muitas vezes, coração esse que tem nome na Igreja: confessionário.
Renasça para uma vida nova; para isso dê um passo na direção de Jesus, reconheça seu pecado e aceite a Jesus, e peça o Espírito Santo que o conduza ao coração de Jesus por meio da Igreja que é guiada pelo Espírito Santo, e faça essa incrível experiência de ser um novo homem, uma nova mulher (Ef 4, 24) como tornou-se Nicodemos que depois aparecerá ao lado de José de Arimatéia sepultando Jesus (Jo 19, 39), pois tornara-se seu discípulo.
Deus te abençoe em nome do Nosso Senhor Jesus Cristo.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

Hoje nasceu o Salvador que é Cristo, Senhor!


Uma data sem igual,
É o dia de Natal,
Para os cristãos fundamental,
Pois a salvação tornou-se real,

O Deus-menino que chegava,
Era a profecia que se cumpria,
O mundo assim se iluminava,
E a humanidade resgataria,

O jugo dos ombros retiraria,
A vara do feitor quebraria,
Segundo o profeta assim faria,
E aos infelizes alegraria,

As portas todas se fecharam,
Menos a de uma humilde estrebaria,
Onde José e Maria se aconchegaram,
E ali o menino-Deus nasceria,

É uma mensagem maravilhosa,
Que todos devem compreender,
Jesus não exige uma “casa” suntuosa,
Mas, apenas um lugar que O queira receber,

Um coração receptivo e acolhedor,
É a “manjedoura” que deseja,
Que o receba com amor,
E que presente sempre esteja,

Simplicidade, humildade, é assim o nosso Deus,
Que mostra ao mundo sua riqueza maior,
Para deixar uma mensagem aos seus,
Que optar pelas boas virtudes é bem melhor,

A Família, as criaturas, reis, pastores,
Unidos em louvor glorificam ao Deus encarnado,
Ensinam a nós seus seguidores,
Que no Natal “Deus seja louvado”,

“Eis que vos anuncio uma grande alegria”,
Anunciavam os anjos aos pastores reunidos,
A mensagem que ao mundo mudaria,
E que por milênios nos tem alegrado.

“Glória a Deus nas alturas,
E paz na Terra aos homens por Ele amados” (Lc 2, 14) 

domingo, 21 de dezembro de 2014

Perseverar para alcançar a meta! Qual a nossa meta?

No dicionário o verbo perseverar tem como significados persistir, conservar-se firme e constante, logo, perseverar é uma ação, uma atitude relativa a uma tomada de decisão em prol de alcançar um intento pré-determinado.
Projetar alcançar um objetivo é inerente ao ser humano, visto que objetivos é que tornam a caminhada terrena plena de significado, pois se ao se questionar alguém sobre: qual meta você pretende alcançar? E essa pessoa responde: sei lá, acho que não tenho nenhuma!, essa pessoa vive uma vida vazia de significado, pois traçar objetivos e alcançá-los é o que nos move.
Um exemplo visível é o de um alpinista. A meta que o impulsiona é alcançar o cume da montanha, e quanto mais perigosa, mais se sente instigado a realizar tal intento e, certamente, não descansará enquanto não alcançá-lo.
Nesta vida muitos engendram esforços na direção de alcançar propósitos na área econômica, financeira, profissional...riqueza, fama, poder, sucesso, estabilidade financeira, enfim, são tantas as metas, no entanto, uma passa ao largo do rol de intenções da imensa maioria: a salvação, o céu.
Não diferente do alpinista que determinou a meta que deseja alcançar, o cristão, batizado, filho de Deus deve, ou deveria, ter como meta precípua na sua vida, acima de todas as anteriormente citadas, alcançar o céu, salvar-se, e perseverar nesta intenção, visto que é a própria Palavra de Deus que nos exorta: "Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça..." (Mt 6, 33), disse Jesus; "Se portanto, ressuscitastes com Cristo, buscai as coisa lá do alto, onde está Cristo sentado à direita de Deus. Afeiçoai-vos às coisas lá de cima, e não às da terra." (Cl 3, 1-2), diz o Apóstolo São Paulo.
Agora, após a meta ter sido definida, faz-se necessários os meios para atingi-la. O alpinista precisa de ferramentas e equipamentos adequados para atingir o topo da montanha, visto que somente a vontade de escalá-la não será possível. Da mesma maneira o cristão deve possuir os meios para também escalar esta "montanha" que leva ao céu. Quais meios então devem ser utilizados? O Livro dos Atos dos Apóstolos 2, 42 diz que eles (os apóstolos) "Perseveravam eles na doutrina dos apóstolos, nas reuniões em comum, na fração do pão e nas orações". Tem-se, então, quatro meios eficazes para que se consiga perseverar neste intuito de alcançar o céu. O primeiro: "a doutrina dos apóstolos", na verdade é a doutrina de Jesus, ou seja, seu Evangelho, seus ensinamentos, sua Palavra, que em Mt 7, 24 o Senhor exorta: "Aquele, pois, que ouve estas minhas palavras e as põe em prática é semelhante a um homem prudente, que edificou sua casa sobre a rocha.", portanto, um meio eficaz é a Palavra de Deus, não somente a palavra do Livro, mas a palavra que sai de sua boca, aquela que Ele fala direto ao coração quando se segue o itinerário de São Luis de Montfort: "Ora, cala e escuta!".
Segundo meio: "nas reuniões em comum", ou seja, a Santa Missa; todo cristão, católico, que tem essa firme intenção do céu não pode prescindir da Missa, pois ali é o lugar onde tem-se tudo o que se necessita para o fortalecimento do perseverar: o perdão de Deus (ato penitencial), o louvor (Hino de louvor), a Palavra de Deus e a Eucaristia.
A Eucaristia que é o terceiro meio: "a fração do pão", o alimento espiritual dos cristãos que estão em peregrinação por esta terra, neste exílio como dizia Santa Tereza D'Ávila, na sua jornada rumo ao céu, semelhante àquela passagem de Elias que foi alimentado no deserto e teve forças para chegar até o alto da montanha e contemplar o Senhor. A Eucaristia é, portanto, indispensável nessa jornada, juntamente com outros Sacramentos que são, segundo o Catecismo da Igreja Católica, meios eficazes de Cristo agir em nós, entre eles a Confissão ou Reconciliação.
O quarto meio: a oração. Não será possível perseverar sem oração. Jesus já recomendava aos discípulos: "Vigiai e orai..." (Mt 26, 41), pois é na oração que a fé se fortalece, o espírito se revigora, as forças se renovam, é por onde Deus exorta, ensina, recomenda, instrui...todos os santos da Igreja devotavam horas em oração; São Francisco de Assis subia uma montanha e ficava dias em retiro de oração, jejum e escuta; São Padre Pio rezava mais de trinta terços por dia, só para dar alguns exemplos, tudo isso por quê?
Por que tem-se que ter em mente que ao decidir-se pelo céu os desafios virão; o inimigo de Deus não aceitará isso de bom grado. Virão as tribulações, as lutas, as tempestades, as perseguições...Assim como o alpinista não escalará a montanha com facilidade, mas enfrentando adversidades, da mesma maneira será a caminhada rumo a glória celeste, e esses meios bem utilizados serão o auxílio que se terá para chegar lá, porém deve-se explicitar algo importantíssimo: oração, Sacramentos, Missa, Palavra de Deus serão efetivamente eficazes com o auxílio indispensável do ESPÍRITO SANTO. Sem o Espírito Santo aquela intenção de orar por determinado tempo todos os dias irá aos poucos esfriando até cessar; aquela intenção de buscar ler a Palavra de Deus, meditá-la e pô-la em prática também aos poucos desfalecerá; a intenção de ser fiel a Santa Missa e à vivência dos Sacramentos aos poucos será negligenciada. Por isso, deve-se, sem sombra de dúvidas, buscar o auxílio do Espírito Santo sempre, pois foi ele que ajudou Jesus a cumprir sua meta até o fim, assim como os Apóstolos, os Santos, e todos aqueles que se decidiram pelo céu.
Assim sendo, definida a meta (o céu), utilizando os meios com auxílio do Espírito Santo é por-se em marcha, enfrentando as dificuldades que virão, mas que hão de serem superadas com o auxílio e providência divina e assim se seguirá rumo a alcançar aquilo que o Senhor Jesus Cristo prometeu: "Mas o que perseverar até o fim será salvo." (Mc 13, 13) e "...te darei a coroa da vida." (Ap 2, 10).
Decida-se pelo céu, utilize os meios eficazes, persevere e verás a glória do Senhor. Deus te abençoe em nome do Nosso Senhor Jesus Cristo.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Alimento

Quarto escuro,
Jogo duro,
Um monturo,
Qual é o futuro?

Uma batalha,
Que estraçalha,
Tudo atrapalha,
A dor se espalha,

Não queria isso,
Curiosidade dá nisso,
Pago o preço disso,
Não tive compromisso,

Quando passa o efeito,
Vem a dor no peito,
Olho insatisfeito,
O que tenho feito?

Não me reconheço,
Tem sido alto o preço,
Sem paz, sem endereço,
É isso o que mereço?

Ser olhado e não ser visto,
É tudo o que avisto,
O desprezo é o que conquisto,
Ser miserável causa isto?

Após a noite segue o dia,
Após o choro a alegria,
Já não aguento a agonia,
Acaso alguém me ajudaria?

Descrente e conformado,
Eis que ao meu lado,
Alguém bem arrumado,
Pergunta: aceita um ensopado?

Faminto aceito sem demora,
Sem droga a fome devora,
Um sorriso no rosto aflora,
Tudo veio em boa hora,

Para mim foi preciosa a intenção,
Em meio a tanta omissão,
Alguém que vê a situação,
E age por ter amor no coração,

Foi-se prometendo que voltaria,
O que logo cumpriria,
Uma proposta, então, me faria,
E toda minha história mudaria,

Estendeu-me a mão, me ajudou,
Desde então minha vida mudou,
Do vício me recuperou,
Outro rumo minha história tomou,

O quarto escuro, o monturo, foi superado,
As perdas, os prejuízos, tudo recuperado,
A alegria, o amor restaurado,
A partir de um alimento partilhado,

Cristo foi o alimento,
Que pôs fim ao sofrimento,
E que seja eu também instrumento,
Para tantos que passam o mesmo tormento.