A passagem de Jo 3, 1-6 sobre o diálogo de Jesus com Nicodemos trás um detalhe que, para o fariseu daquele tempo, e para muitos deste tempo, parecia impossível: renascer. A partir daquele encontro o Senhor introduz esta possibilidade na história de todo homem, visto que, só se é possível nascer, visto que a realidade de toda pessoa é que no tempo e na história houve um dia, mês e ano que cada um veio à existência a partir do seu nascimento.
Mas o certo é que Jesus indica esta nova possibilidade: o homem pode renascer, de que maneira? O texto mostra que Nicodemos vai ao encontro de Jesus, à noite, às escondidas, como um mero curioso que não tinha outra pretensão senão de saber como o Mestre "fazia aqueles milagres", pois ele e os demais fariseus já estavam tendentes a reconhecer que Jesus realizava aqueles milagres da parte de Deus e não do demônio, como fora acusado em certa ocasião (Mt 9, 34).
O fato de ter "dado um passo" na direção de Jesus, de ir ao seu encontro, fez toda a diferença para que Nicodemos vivesse a grande experiência de renascer, e assim o que a Palavra nos indica é que, para que haja renascimento, há de se dar um passo na direção do Senhor, é necessário que se vá ao seu encontro, para que naquele encontro, assim como o foi com Zaqueu ao dar o passo de abrir as portas de sua casa; assim como o foi com a samaritana que deu o passo ao escutar Jesus, e tantos outros exemplos, possa-se ter esta experiência de renascer.
No entanto, o texto bíblico mostra que o Senhor Jesus ao perceber a mera curiosidade de Nicodemos, interrompe-o, abruptamente, e lhe declara: "Em verdade, em verdade te digo: quem não nascer de novo não poderá ver o Reino de Deus" (vers. 3). Nicodemos fica estupefato e questiona: "Como pode um homem renascer sendo velho? Porventura pode tornar a entrar no seio de sua mãe e nascer pela segunda vez?" (vers. 4). Nicodemos não percebera que Jesus falava de conversão. Por que necessitava ele de converter-se? Nicodemos, afinal, não era um fariseu, doutor da lei, conhecedor da Lei mosaica e, certamente, um praticante da mesma em toda sua plenitude, visto que Paulo como fariseu que era ensinara certa vez que "quem desobedece um item da Lei peca contra toda a Lei"?
Jesus indicava que Nicodemos precisava de "renascer", ou seja, converter-se, porque era pecador, reconhecer os seus pecados e reconciliar-se com Deus, além do que lhe era necessário aquilo que Jesus deixaria claro no versículo 16: "...lhe deu seu Filho único, para que todo o que Nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna.". Nicodemos necessitava reconhecer e proclamar Jesus como seu salvador. Assim, a Palavra mostra que o renascimento é fruto do reconhecimento do pecado e de Jesus como Senhor e Salvador de sua vida.
No entanto, o fariseu não compreende estas palavras e o Senhor faz um acréscimo: "Em verdade, em verdade te digo: quem não renascer da água e do Espírito não poderá entrar no Reino de Deus" (vers. 5); esse "renascer" é possível pela ação do Espírito Santo. Jesus no seu diálogo com os discípulos na passagem de Jo 16, 6-8 diz: "Mas porque vos falei assim, a tristeza encheu o vosso coração. Entretanto, digo-vos a verdade: convém a vós que eu vá! Porque, se eu não for, o Paráclito não virá a vós; mas se Eu for, vo-lo enviarei. E, quando ele vier, convencerá o mundo a respeito do pecado, da justiça e do juízo". Quem convence sobre o pecado? O Espírito Santo, logo, o Senhor referia-se ao fato que necessitava de uma conversão de vida pela ação do Espírito Santo, pois é certo que retornar ao ventre de sua mãe e renascer uma segunda vez não era possível, no entanto, pela ação do Espírito Santo ele poderia ser, como foi, levado ao coração amoroso de Jesus, e ali imerso, não num líquido amniótico, mas no puro amor de Deus, e gestado neste amor, pôde assim renascer.
Nicodemos renasceu no coração-útero de Deus pela ação do Espírito Santo que agia em Jesus, e assim pôde comprovar que todo homem um dia nasce, mas ao aceitar Cristo tem a possibilidade de renascer, e renascer, e renascer, visto que o pecado é uma realidade que lança o homem nesta necessidade de ter que ir ao coração de Jesus por muitas vezes, coração esse que tem nome na Igreja: confessionário.
Renasça para uma vida nova; para isso dê um passo na direção de Jesus, reconheça seu pecado e aceite a Jesus, e peça o Espírito Santo que o conduza ao coração de Jesus por meio da Igreja que é guiada pelo Espírito Santo, e faça essa incrível experiência de ser um novo homem, uma nova mulher (Ef 4, 24) como tornou-se Nicodemos que depois aparecerá ao lado de José de Arimatéia sepultando Jesus (Jo 19, 39), pois tornara-se seu discípulo.
Deus te abençoe em nome do Nosso Senhor Jesus Cristo.
sábado, 10 de janeiro de 2015
quinta-feira, 25 de dezembro de 2014
Hoje nasceu o Salvador que é Cristo, Senhor!
Uma data sem igual,
É o dia de Natal,
Para os cristãos fundamental,
Pois a salvação tornou-se real,
O Deus-menino que chegava,
Era a profecia que se cumpria,
O mundo assim se iluminava,
E a humanidade resgataria,
O jugo dos ombros retiraria,
A vara do feitor quebraria,
Segundo o profeta assim faria,
E aos infelizes alegraria,
As portas todas se fecharam,
Menos a de uma humilde estrebaria,
Onde José e Maria se aconchegaram,
E ali o menino-Deus nasceria,
É uma mensagem maravilhosa,
Que todos devem compreender,
Jesus não exige uma “casa” suntuosa,
Mas, apenas um lugar que O queira receber,
Um coração receptivo e acolhedor,
É a “manjedoura” que deseja,
Que o receba com amor,
E que presente sempre esteja,
Simplicidade, humildade, é assim o nosso Deus,
Que mostra ao mundo sua riqueza maior,
Para deixar uma mensagem aos seus,
Que optar pelas boas virtudes é bem melhor,
A Família, as criaturas, reis, pastores,
Unidos em louvor glorificam ao Deus encarnado,
Ensinam a nós seus seguidores,
Que no Natal “Deus seja louvado”,
“Eis que vos anuncio uma grande alegria”,
Anunciavam os anjos aos pastores reunidos,
A mensagem que ao mundo mudaria,
E que por milênios nos tem alegrado.
“Glória a Deus nas alturas,
E paz na Terra aos homens por Ele amados” (Lc 2,
14)
domingo, 21 de dezembro de 2014
Perseverar para alcançar a meta! Qual a nossa meta?
No dicionário o verbo perseverar tem como significados persistir, conservar-se firme e constante, logo, perseverar é uma ação, uma atitude relativa a uma tomada de decisão em prol de alcançar um intento pré-determinado.
Projetar alcançar um objetivo é inerente ao ser humano, visto que objetivos é que tornam a caminhada terrena plena de significado, pois se ao se questionar alguém sobre: qual meta você pretende alcançar? E essa pessoa responde: sei lá, acho que não tenho nenhuma!, essa pessoa vive uma vida vazia de significado, pois traçar objetivos e alcançá-los é o que nos move.
Um exemplo visível é o de um alpinista. A meta que o impulsiona é alcançar o cume da montanha, e quanto mais perigosa, mais se sente instigado a realizar tal intento e, certamente, não descansará enquanto não alcançá-lo.
Nesta vida muitos engendram esforços na direção de alcançar propósitos na área econômica, financeira, profissional...riqueza, fama, poder, sucesso, estabilidade financeira, enfim, são tantas as metas, no entanto, uma passa ao largo do rol de intenções da imensa maioria: a salvação, o céu.
Não diferente do alpinista que determinou a meta que deseja alcançar, o cristão, batizado, filho de Deus deve, ou deveria, ter como meta precípua na sua vida, acima de todas as anteriormente citadas, alcançar o céu, salvar-se, e perseverar nesta intenção, visto que é a própria Palavra de Deus que nos exorta: "Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça..." (Mt 6, 33), disse Jesus; "Se portanto, ressuscitastes com Cristo, buscai as coisa lá do alto, onde está Cristo sentado à direita de Deus. Afeiçoai-vos às coisas lá de cima, e não às da terra." (Cl 3, 1-2), diz o Apóstolo São Paulo.
Agora, após a meta ter sido definida, faz-se necessários os meios para atingi-la. O alpinista precisa de ferramentas e equipamentos adequados para atingir o topo da montanha, visto que somente a vontade de escalá-la não será possível. Da mesma maneira o cristão deve possuir os meios para também escalar esta "montanha" que leva ao céu. Quais meios então devem ser utilizados? O Livro dos Atos dos Apóstolos 2, 42 diz que eles (os apóstolos) "Perseveravam eles na doutrina dos apóstolos, nas reuniões em comum, na fração do pão e nas orações". Tem-se, então, quatro meios eficazes para que se consiga perseverar neste intuito de alcançar o céu. O primeiro: "a doutrina dos apóstolos", na verdade é a doutrina de Jesus, ou seja, seu Evangelho, seus ensinamentos, sua Palavra, que em Mt 7, 24 o Senhor exorta: "Aquele, pois, que ouve estas minhas palavras e as põe em prática é semelhante a um homem prudente, que edificou sua casa sobre a rocha.", portanto, um meio eficaz é a Palavra de Deus, não somente a palavra do Livro, mas a palavra que sai de sua boca, aquela que Ele fala direto ao coração quando se segue o itinerário de São Luis de Montfort: "Ora, cala e escuta!".
Segundo meio: "nas reuniões em comum", ou seja, a Santa Missa; todo cristão, católico, que tem essa firme intenção do céu não pode prescindir da Missa, pois ali é o lugar onde tem-se tudo o que se necessita para o fortalecimento do perseverar: o perdão de Deus (ato penitencial), o louvor (Hino de louvor), a Palavra de Deus e a Eucaristia.
A Eucaristia que é o terceiro meio: "a fração do pão", o alimento espiritual dos cristãos que estão em peregrinação por esta terra, neste exílio como dizia Santa Tereza D'Ávila, na sua jornada rumo ao céu, semelhante àquela passagem de Elias que foi alimentado no deserto e teve forças para chegar até o alto da montanha e contemplar o Senhor. A Eucaristia é, portanto, indispensável nessa jornada, juntamente com outros Sacramentos que são, segundo o Catecismo da Igreja Católica, meios eficazes de Cristo agir em nós, entre eles a Confissão ou Reconciliação.
O quarto meio: a oração. Não será possível perseverar sem oração. Jesus já recomendava aos discípulos: "Vigiai e orai..." (Mt 26, 41), pois é na oração que a fé se fortalece, o espírito se revigora, as forças se renovam, é por onde Deus exorta, ensina, recomenda, instrui...todos os santos da Igreja devotavam horas em oração; São Francisco de Assis subia uma montanha e ficava dias em retiro de oração, jejum e escuta; São Padre Pio rezava mais de trinta terços por dia, só para dar alguns exemplos, tudo isso por quê?
Por que tem-se que ter em mente que ao decidir-se pelo céu os desafios virão; o inimigo de Deus não aceitará isso de bom grado. Virão as tribulações, as lutas, as tempestades, as perseguições...Assim como o alpinista não escalará a montanha com facilidade, mas enfrentando adversidades, da mesma maneira será a caminhada rumo a glória celeste, e esses meios bem utilizados serão o auxílio que se terá para chegar lá, porém deve-se explicitar algo importantíssimo: oração, Sacramentos, Missa, Palavra de Deus serão efetivamente eficazes com o auxílio indispensável do ESPÍRITO SANTO. Sem o Espírito Santo aquela intenção de orar por determinado tempo todos os dias irá aos poucos esfriando até cessar; aquela intenção de buscar ler a Palavra de Deus, meditá-la e pô-la em prática também aos poucos desfalecerá; a intenção de ser fiel a Santa Missa e à vivência dos Sacramentos aos poucos será negligenciada. Por isso, deve-se, sem sombra de dúvidas, buscar o auxílio do Espírito Santo sempre, pois foi ele que ajudou Jesus a cumprir sua meta até o fim, assim como os Apóstolos, os Santos, e todos aqueles que se decidiram pelo céu.
Assim sendo, definida a meta (o céu), utilizando os meios com auxílio do Espírito Santo é por-se em marcha, enfrentando as dificuldades que virão, mas que hão de serem superadas com o auxílio e providência divina e assim se seguirá rumo a alcançar aquilo que o Senhor Jesus Cristo prometeu: "Mas o que perseverar até o fim será salvo." (Mc 13, 13) e "...te darei a coroa da vida." (Ap 2, 10).
Decida-se pelo céu, utilize os meios eficazes, persevere e verás a glória do Senhor. Deus te abençoe em nome do Nosso Senhor Jesus Cristo.
Projetar alcançar um objetivo é inerente ao ser humano, visto que objetivos é que tornam a caminhada terrena plena de significado, pois se ao se questionar alguém sobre: qual meta você pretende alcançar? E essa pessoa responde: sei lá, acho que não tenho nenhuma!, essa pessoa vive uma vida vazia de significado, pois traçar objetivos e alcançá-los é o que nos move.
Um exemplo visível é o de um alpinista. A meta que o impulsiona é alcançar o cume da montanha, e quanto mais perigosa, mais se sente instigado a realizar tal intento e, certamente, não descansará enquanto não alcançá-lo.
Nesta vida muitos engendram esforços na direção de alcançar propósitos na área econômica, financeira, profissional...riqueza, fama, poder, sucesso, estabilidade financeira, enfim, são tantas as metas, no entanto, uma passa ao largo do rol de intenções da imensa maioria: a salvação, o céu.
Não diferente do alpinista que determinou a meta que deseja alcançar, o cristão, batizado, filho de Deus deve, ou deveria, ter como meta precípua na sua vida, acima de todas as anteriormente citadas, alcançar o céu, salvar-se, e perseverar nesta intenção, visto que é a própria Palavra de Deus que nos exorta: "Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça..." (Mt 6, 33), disse Jesus; "Se portanto, ressuscitastes com Cristo, buscai as coisa lá do alto, onde está Cristo sentado à direita de Deus. Afeiçoai-vos às coisas lá de cima, e não às da terra." (Cl 3, 1-2), diz o Apóstolo São Paulo.
Agora, após a meta ter sido definida, faz-se necessários os meios para atingi-la. O alpinista precisa de ferramentas e equipamentos adequados para atingir o topo da montanha, visto que somente a vontade de escalá-la não será possível. Da mesma maneira o cristão deve possuir os meios para também escalar esta "montanha" que leva ao céu. Quais meios então devem ser utilizados? O Livro dos Atos dos Apóstolos 2, 42 diz que eles (os apóstolos) "Perseveravam eles na doutrina dos apóstolos, nas reuniões em comum, na fração do pão e nas orações". Tem-se, então, quatro meios eficazes para que se consiga perseverar neste intuito de alcançar o céu. O primeiro: "a doutrina dos apóstolos", na verdade é a doutrina de Jesus, ou seja, seu Evangelho, seus ensinamentos, sua Palavra, que em Mt 7, 24 o Senhor exorta: "Aquele, pois, que ouve estas minhas palavras e as põe em prática é semelhante a um homem prudente, que edificou sua casa sobre a rocha.", portanto, um meio eficaz é a Palavra de Deus, não somente a palavra do Livro, mas a palavra que sai de sua boca, aquela que Ele fala direto ao coração quando se segue o itinerário de São Luis de Montfort: "Ora, cala e escuta!".
Segundo meio: "nas reuniões em comum", ou seja, a Santa Missa; todo cristão, católico, que tem essa firme intenção do céu não pode prescindir da Missa, pois ali é o lugar onde tem-se tudo o que se necessita para o fortalecimento do perseverar: o perdão de Deus (ato penitencial), o louvor (Hino de louvor), a Palavra de Deus e a Eucaristia.
A Eucaristia que é o terceiro meio: "a fração do pão", o alimento espiritual dos cristãos que estão em peregrinação por esta terra, neste exílio como dizia Santa Tereza D'Ávila, na sua jornada rumo ao céu, semelhante àquela passagem de Elias que foi alimentado no deserto e teve forças para chegar até o alto da montanha e contemplar o Senhor. A Eucaristia é, portanto, indispensável nessa jornada, juntamente com outros Sacramentos que são, segundo o Catecismo da Igreja Católica, meios eficazes de Cristo agir em nós, entre eles a Confissão ou Reconciliação.
O quarto meio: a oração. Não será possível perseverar sem oração. Jesus já recomendava aos discípulos: "Vigiai e orai..." (Mt 26, 41), pois é na oração que a fé se fortalece, o espírito se revigora, as forças se renovam, é por onde Deus exorta, ensina, recomenda, instrui...todos os santos da Igreja devotavam horas em oração; São Francisco de Assis subia uma montanha e ficava dias em retiro de oração, jejum e escuta; São Padre Pio rezava mais de trinta terços por dia, só para dar alguns exemplos, tudo isso por quê?
Por que tem-se que ter em mente que ao decidir-se pelo céu os desafios virão; o inimigo de Deus não aceitará isso de bom grado. Virão as tribulações, as lutas, as tempestades, as perseguições...Assim como o alpinista não escalará a montanha com facilidade, mas enfrentando adversidades, da mesma maneira será a caminhada rumo a glória celeste, e esses meios bem utilizados serão o auxílio que se terá para chegar lá, porém deve-se explicitar algo importantíssimo: oração, Sacramentos, Missa, Palavra de Deus serão efetivamente eficazes com o auxílio indispensável do ESPÍRITO SANTO. Sem o Espírito Santo aquela intenção de orar por determinado tempo todos os dias irá aos poucos esfriando até cessar; aquela intenção de buscar ler a Palavra de Deus, meditá-la e pô-la em prática também aos poucos desfalecerá; a intenção de ser fiel a Santa Missa e à vivência dos Sacramentos aos poucos será negligenciada. Por isso, deve-se, sem sombra de dúvidas, buscar o auxílio do Espírito Santo sempre, pois foi ele que ajudou Jesus a cumprir sua meta até o fim, assim como os Apóstolos, os Santos, e todos aqueles que se decidiram pelo céu.
Assim sendo, definida a meta (o céu), utilizando os meios com auxílio do Espírito Santo é por-se em marcha, enfrentando as dificuldades que virão, mas que hão de serem superadas com o auxílio e providência divina e assim se seguirá rumo a alcançar aquilo que o Senhor Jesus Cristo prometeu: "Mas o que perseverar até o fim será salvo." (Mc 13, 13) e "...te darei a coroa da vida." (Ap 2, 10).
Decida-se pelo céu, utilize os meios eficazes, persevere e verás a glória do Senhor. Deus te abençoe em nome do Nosso Senhor Jesus Cristo.
quarta-feira, 10 de dezembro de 2014
Alimento
Quarto escuro,
Jogo duro,
Um monturo,
Qual é o futuro?
Uma batalha,
Que estraçalha,
Tudo atrapalha,
A dor se espalha,
Não queria isso,
Curiosidade dá nisso,
Pago o preço disso,
Não tive compromisso,
Quando passa o efeito,
Vem a dor no peito,
Olho insatisfeito,
O que tenho feito?
Não me reconheço,
Tem sido alto o preço,
Sem paz, sem endereço,
É isso o que mereço?
Ser olhado e não ser visto,
É tudo o que avisto,
O desprezo é o que conquisto,
Ser miserável causa isto?
Após a noite segue o dia,
Após o choro a alegria,
Já não aguento a agonia,
Acaso alguém me ajudaria?
Descrente e conformado,
Eis que ao meu lado,
Alguém bem arrumado,
Pergunta: aceita um ensopado?
Faminto aceito sem demora,
Sem droga a fome devora,
Um sorriso no rosto aflora,
Tudo veio em boa hora,
Para mim foi preciosa a intenção,
Em meio a tanta omissão,
Alguém que vê a situação,
E age por ter amor no coração,
Foi-se prometendo que voltaria,
O que logo cumpriria,
Uma proposta, então, me faria,
E toda minha história mudaria,
Estendeu-me a mão, me ajudou,
Desde então minha vida mudou,
Do vício me recuperou,
Outro rumo minha história tomou,
O quarto escuro, o monturo, foi superado,
As perdas, os prejuízos, tudo recuperado,
A alegria, o amor restaurado,
A partir de um alimento partilhado,
Cristo foi o alimento,
Que pôs fim ao sofrimento,
E que seja eu também instrumento,
Para tantos que passam o mesmo tormento.
Jogo duro,
Um monturo,
Qual é o futuro?
Uma batalha,
Que estraçalha,
Tudo atrapalha,
A dor se espalha,
Não queria isso,
Curiosidade dá nisso,
Pago o preço disso,
Não tive compromisso,
Quando passa o efeito,
Vem a dor no peito,
Olho insatisfeito,
O que tenho feito?
Não me reconheço,
Tem sido alto o preço,
Sem paz, sem endereço,
É isso o que mereço?
Ser olhado e não ser visto,
É tudo o que avisto,
O desprezo é o que conquisto,
Ser miserável causa isto?
Após a noite segue o dia,
Após o choro a alegria,
Já não aguento a agonia,
Acaso alguém me ajudaria?
Descrente e conformado,
Eis que ao meu lado,
Alguém bem arrumado,
Pergunta: aceita um ensopado?
Faminto aceito sem demora,
Sem droga a fome devora,
Um sorriso no rosto aflora,
Tudo veio em boa hora,
Para mim foi preciosa a intenção,
Em meio a tanta omissão,
Alguém que vê a situação,
E age por ter amor no coração,
Foi-se prometendo que voltaria,
O que logo cumpriria,
Uma proposta, então, me faria,
E toda minha história mudaria,
Estendeu-me a mão, me ajudou,
Desde então minha vida mudou,
Do vício me recuperou,
Outro rumo minha história tomou,
O quarto escuro, o monturo, foi superado,
As perdas, os prejuízos, tudo recuperado,
A alegria, o amor restaurado,
A partir de um alimento partilhado,
Cristo foi o alimento,
Que pôs fim ao sofrimento,
E que seja eu também instrumento,
Para tantos que passam o mesmo tormento.
quinta-feira, 27 de novembro de 2014
Por quê está difícil ganhar almas?
A diminuição vertiginosa de católicos nas últimas décadas no mundo, e no Brasil, é algo que chama a atenção da Igreja e, infelizmente, é um fato que continuará em pleno avanço, há não ser que atitudes de reação a esta realidade sejam implementadas.
Sempre procuro deixar evidente que os textos que publico são opinião pessoal que se propõem a lançar uma proposta de reflexão, sem intenção nenhuma de demonstrar aqui atitudes de sublevação contra a Santa Igreja, mas buscando sempre demonstrar minha total submissão e obediência ao que orienta Roma.
Quando faço menção a "atitudes de reação", creio que as atitudes advém, antes, de uma reflexão sobre o que se fez, o que se estar a fazer, e pesar sobre os resultados. Assim, ao adentrar a realidade do Evangelho, e ao que se fez durante muito tempo na história da Igreja, percebi que um fato importante foi deixado de lado com o tempo: o fato de que para ganhar uma alma, uma vida, deve-se observar dois aspectos relevantes: o lugar do "embate" e a preparação necessária.
No que diz respeito ao "lugar do embate" busco recordar as palavras de São Paulo em 6, 10-18 (armadura do Cristão) onde deixa claro que existe um embate entre o bem e o mal pelas almas.
Desta forma, reflito, primeiramente, sobre em que lugar se tem maior chance de sair exitoso em um combate: no seu território, ou no território do inimigo? O Antigo Testamento mostra algumas passagens onde o exército de Israel, que quase sempre era em menor número de combatentes, não ia ao confronto no território do adversário, mas procurava atraí-lo para o seu território onde poderia ter êxito, e realmente o tinha.
Da mesma maneira, pode-se perceber essa realidade, pelo menos ao meu ver, em algumas passagens evangélicas com o próprio Jesus, onde cito aqui pelo menos duas. A primeira no encontro com Nicodemos (Jo 3, 1-21) onde o texto mostra que o "embate" entre o Senhor e Nicodemos se deu no território de Jesus, e não no território do fariseu (o Sinédrio). Jesus poderia tê-lo confrontado lá, no entanto, a possibilidade de êxito seria muito menor, ou nem mesmo acontecer.
Um segundo exemplo, também no Evangelho de São João, é o que se dá entre Jesus e a Samaritana (Jo 4, 1-42). Observa-se, claramente, que Jesus ao propor o diálogo (o "embate"), a samaritana tenta levar o Senhor para o seu território (da mera discussão humana sobre discriminação, a Lei...), porém, Jesus sabiamente, a atrai para o seu território (ao sair do discurso humano para abordar um discurso espiritual mais elevado).
Observe que Jesus em nenhum dos Evangelhos tentou evangelizar nos palácios, nos sinédrios, ou seja no território inimigo, mas preferia pregar na Sinagoga, no Templo, nas casas que era convidado a entrar, enfim, em lugares onde teria maior chance de vitória. Esse ensinamento foi aprendido pelos Apóstolos, e de certa maneira, por muitos santos e santas nestes milênios da Igreja.
Agora, o que fazia de Jesus, e de tantos santos e santas de Deus exitosos no "embate"? Este é o segundo ponto: a preparação necessária. E de onde provém esta "preparação necessária"? Da ação do Espírito Santo. A Palavra de Deus é clara ao mostrar que Jesus agia sob ação do Espírito Santo por meio dos Carismas (utilizou-se de todos, porém três são mais ressaltados: Sabedoria, Ciência, Cura e libertação).
O que proporcionou Jesus "vencer", convencer e converter Nicodemos que utilizava-se de argumentos humanos, e um raciocínio humano? O Espírito Santo que através da palavra de Sabedoria levou o fariseu a compreender que "renascer de novo" significava converter-se, aceitando Jesus como seu Senhor e Salvador. O que proporcionou Jesus "vencer", convencer e converter a samaritana? O Espírito Santo que através da palavra de Sabedoria e do dom de Ciência, fizeram-na compreender que a falsa liberdade que tinha e que proporcionava ter quantos homens quisesse, na verdade era uma escravidão que não a fazia feliz, no entanto, ao acolher as palavras de Jesus e seu Evangelho e aceitá-Lo como Senhor e Salvador pôde experimentar a verdadeira liberdade e felicidade.
Onde fica, então, o "território" ideal para que almas sejam ganhas? Bem, Jesus conquistou almas nas ruas, nas casas, à beira do poço, às margens do Tiberíades, no Monte das Oliveiras, no entanto, o lugar, o território que preferia estar era nas Sinagogas (Mt 12, 9; Mc 1, 21; Mc 3, 1; Mc 6, 2; Lc 4, 16), nas escolas, no lugar do ensino da Lei. Assim, o lugar ideal para que almas sejam ganhas deve ser em primeiro a Igreja (a Santa Missa), e em segundo a catequese, lugares de encontro com o Evangelho que promove o encontro com o Cristo com o auxílio fundamental do Espírito Santo. Entretanto, o que se observa? A necessidade de uma "preparação necessária" por parte de todos os entes envolvidos, principalmente do segmento leigo que é o auxílio da Igreja junto à comunidade na catequese, nos grupos, movimentos, pastorais, e que carece dessa intimidade sempre maior com o Espírito Santo que potencializa a pregação, o ensino, a oração, os carismas e que os tornam plenamente eficazes.
Toda esta reflexão humilde, que repito, não tem outra pretensão senão de lançar uma opinião sobre algo que incomoda aos que verdadeiramente amam e vivem sua missão de batizados que é evangelizar e levar vidas a um encontro pessoal com sua essência, com seu significado maior: saber que são filhos de Deus, amados e preciosos aos seus olhos (Is 43, 4).
A partir desta reflexão que possamos entender que ao recebermos uma vida em qualquer âmbito da Igreja, tenhamos a consciência que adentrou ao território de Deus, e que estejamos munidos da "preparação necessária" para não deixarmos que volte ao "mundo" do jeito que chegou, mas que seja transformada pela presença de Jesus Cristo que vive em nós, fala em nós, brilha em nós. Deus te abençoe em nome do Nosso Senhor Jesus Cristo.
Sempre procuro deixar evidente que os textos que publico são opinião pessoal que se propõem a lançar uma proposta de reflexão, sem intenção nenhuma de demonstrar aqui atitudes de sublevação contra a Santa Igreja, mas buscando sempre demonstrar minha total submissão e obediência ao que orienta Roma.
Quando faço menção a "atitudes de reação", creio que as atitudes advém, antes, de uma reflexão sobre o que se fez, o que se estar a fazer, e pesar sobre os resultados. Assim, ao adentrar a realidade do Evangelho, e ao que se fez durante muito tempo na história da Igreja, percebi que um fato importante foi deixado de lado com o tempo: o fato de que para ganhar uma alma, uma vida, deve-se observar dois aspectos relevantes: o lugar do "embate" e a preparação necessária.
No que diz respeito ao "lugar do embate" busco recordar as palavras de São Paulo em 6, 10-18 (armadura do Cristão) onde deixa claro que existe um embate entre o bem e o mal pelas almas.
Desta forma, reflito, primeiramente, sobre em que lugar se tem maior chance de sair exitoso em um combate: no seu território, ou no território do inimigo? O Antigo Testamento mostra algumas passagens onde o exército de Israel, que quase sempre era em menor número de combatentes, não ia ao confronto no território do adversário, mas procurava atraí-lo para o seu território onde poderia ter êxito, e realmente o tinha.
Da mesma maneira, pode-se perceber essa realidade, pelo menos ao meu ver, em algumas passagens evangélicas com o próprio Jesus, onde cito aqui pelo menos duas. A primeira no encontro com Nicodemos (Jo 3, 1-21) onde o texto mostra que o "embate" entre o Senhor e Nicodemos se deu no território de Jesus, e não no território do fariseu (o Sinédrio). Jesus poderia tê-lo confrontado lá, no entanto, a possibilidade de êxito seria muito menor, ou nem mesmo acontecer.
Um segundo exemplo, também no Evangelho de São João, é o que se dá entre Jesus e a Samaritana (Jo 4, 1-42). Observa-se, claramente, que Jesus ao propor o diálogo (o "embate"), a samaritana tenta levar o Senhor para o seu território (da mera discussão humana sobre discriminação, a Lei...), porém, Jesus sabiamente, a atrai para o seu território (ao sair do discurso humano para abordar um discurso espiritual mais elevado).
Observe que Jesus em nenhum dos Evangelhos tentou evangelizar nos palácios, nos sinédrios, ou seja no território inimigo, mas preferia pregar na Sinagoga, no Templo, nas casas que era convidado a entrar, enfim, em lugares onde teria maior chance de vitória. Esse ensinamento foi aprendido pelos Apóstolos, e de certa maneira, por muitos santos e santas nestes milênios da Igreja.
Agora, o que fazia de Jesus, e de tantos santos e santas de Deus exitosos no "embate"? Este é o segundo ponto: a preparação necessária. E de onde provém esta "preparação necessária"? Da ação do Espírito Santo. A Palavra de Deus é clara ao mostrar que Jesus agia sob ação do Espírito Santo por meio dos Carismas (utilizou-se de todos, porém três são mais ressaltados: Sabedoria, Ciência, Cura e libertação).
O que proporcionou Jesus "vencer", convencer e converter Nicodemos que utilizava-se de argumentos humanos, e um raciocínio humano? O Espírito Santo que através da palavra de Sabedoria levou o fariseu a compreender que "renascer de novo" significava converter-se, aceitando Jesus como seu Senhor e Salvador. O que proporcionou Jesus "vencer", convencer e converter a samaritana? O Espírito Santo que através da palavra de Sabedoria e do dom de Ciência, fizeram-na compreender que a falsa liberdade que tinha e que proporcionava ter quantos homens quisesse, na verdade era uma escravidão que não a fazia feliz, no entanto, ao acolher as palavras de Jesus e seu Evangelho e aceitá-Lo como Senhor e Salvador pôde experimentar a verdadeira liberdade e felicidade.
Onde fica, então, o "território" ideal para que almas sejam ganhas? Bem, Jesus conquistou almas nas ruas, nas casas, à beira do poço, às margens do Tiberíades, no Monte das Oliveiras, no entanto, o lugar, o território que preferia estar era nas Sinagogas (Mt 12, 9; Mc 1, 21; Mc 3, 1; Mc 6, 2; Lc 4, 16), nas escolas, no lugar do ensino da Lei. Assim, o lugar ideal para que almas sejam ganhas deve ser em primeiro a Igreja (a Santa Missa), e em segundo a catequese, lugares de encontro com o Evangelho que promove o encontro com o Cristo com o auxílio fundamental do Espírito Santo. Entretanto, o que se observa? A necessidade de uma "preparação necessária" por parte de todos os entes envolvidos, principalmente do segmento leigo que é o auxílio da Igreja junto à comunidade na catequese, nos grupos, movimentos, pastorais, e que carece dessa intimidade sempre maior com o Espírito Santo que potencializa a pregação, o ensino, a oração, os carismas e que os tornam plenamente eficazes.
Toda esta reflexão humilde, que repito, não tem outra pretensão senão de lançar uma opinião sobre algo que incomoda aos que verdadeiramente amam e vivem sua missão de batizados que é evangelizar e levar vidas a um encontro pessoal com sua essência, com seu significado maior: saber que são filhos de Deus, amados e preciosos aos seus olhos (Is 43, 4).
A partir desta reflexão que possamos entender que ao recebermos uma vida em qualquer âmbito da Igreja, tenhamos a consciência que adentrou ao território de Deus, e que estejamos munidos da "preparação necessária" para não deixarmos que volte ao "mundo" do jeito que chegou, mas que seja transformada pela presença de Jesus Cristo que vive em nós, fala em nós, brilha em nós. Deus te abençoe em nome do Nosso Senhor Jesus Cristo.
quarta-feira, 12 de novembro de 2014
O social ou o homem?
O Papa Francisco no encontro com os movimentos sociais declarou: "Nenhum trabalhador sem direitos! Nenhuma família sem moradia! Nenhum camponês sem terra! Realmente, a opressão, a expropriação, o alijamento de direitos, o subjugamento de um ser humano por outro é algo inaceitável, pois gera descalabros e desigualdades que, principalmente para os que carregam na sua vida os parâmetros evangélicos, como o Santo Padre, mostram-se inaceitáveis, e por isso ser compreensível tal anseio exposto em suas palavras.
No entanto, a reflexão que postulo externar neste texto, com o desejo de para além de polêmicas, ou de más interpretações, mas com o intuito de apenas balizar um pensamento que me advém à mente, é que o social foi alvo, sim, da ação generosa e amorosa de Nosso Senhor Jesus Cristo quando da sua vida pública; porém, o meu questionamento é: Jesus preocupou-se mais com o social ou com o homem?
Algumas passagens dos Evangelhos podem nortear este meu questionamento e, quiçá, possam elas corroborarem ao argumento que aqui apresento. Um primeiro exemplo é a passagem da conversão de Zaqueu: o texto narra claramente que em Jericó havia um cobrador de impostos, Zaqueu (burguês, rico, opressor) que subjugava o povo ao se utilizar do seu poder para exigir o dinheiro devido, que o enriquecia, e fortalecia o poder maior: o império romano, e assim produzia uma profunda desigualdade, um forte sentimento de "exclusão", uma tensão de classes, e um desejo da parte sofrida que aquele sistema opressor em que estavam mergulhados fosse posto abaixo e uma nova sociedade, justa, fraterna, solidária, tomasse seu lugar. Quem faria eles já sabiam: o Messias de Deus.
E o Messias veio, e passou por Jericó e teve um encontro com Zaqueu; e naquele encontro, somente os dois, frente a frente, sem acusações ou censuras, emergiu daquele diálogo um novo Zaqueu transformado, não de fora para dentro, mas de dentro para fora, que passou a ter, a partir dali a plena consciência que o outro é relevante, que o próximo tem valor inestimável, daí a sua atitude: "Senhor, vou dar a metade dos meus bens aos pobres e se tiver defraudado alguém, restituirei o quádruplo" (Lc 19, 8). A transformação daquele cobrador de impostos começaria a mudar toda uma conjuntura naquele âmbito social; o ódio, a aversão, a intolerância que pairava naquela relação estava posta abaixo, pela ação de Deus agindo no homem que é o agente social principal.
Um segundo exemplo é o da passagem da multiplicação dos pães (Jo 6): ali o texto sagrado deixa evidente a decepção de Jesus com uma multidão que o seguia, pura e simplesmente, para ter a possibilidade de comida fácil e farta, o que suscita, então, a reclamação do Senhor: "Em verdade, em verdade vos digo, buscais-me, não porque vistes os milagres, mas porque comestes dos pães ficastes fartos. Trabalhai, não pela comida que perece, mas pela que dura até à vida eterna que o Filho do homem vos dará." (Jo 6, 26-27)
A necessidade do pão na mesa, ou seja do alimento, verdadeiramente, é uma das situações mais deprimentes e inquietantes para qualquer pessoa ou família, juntamente com a perca da saúde, tanto é que o que mais Jesus fez foi curar e alimentar (mais espiritualmente que fisicamente, diga-se de passagem), e era justamente do "alimento espiritual" que reclamava naquele momento. O Senhor não fazia pouco caso, ou era indiferente a situação daquela massa que o seguia, um povo que sofria o flagelo da falta de oportunidades, de emprego digno, de terra para lavrar, de condições mínimas que permitissem uma vida digna para si e suas famílias, e que erma formadas na maioria pela soma dos "excluídos" da época: órfãos, viúvas, estrangeiros, mendigos, enfermos, endividados, enfim aquilo que forma o maior contingente, mas que no entanto, olhavam apenas para sua condição social concreta, imediata, e no entanto, o Senhor fazia alusão há algo maior: a fome que já haviam até esquecido, a fome de Deus.
Quando Jesus expõe sua proposta de Ele mesmo agora ser o "Pão" a ser comido, e o "vinho" a ser bebido, entendem como absurdo e simplesmente vão embora. Qual o por quê disso? O apego à materialidade, enquanto que acima disso está a transcedentalidade: eu tenho fome de alimento físico, mas tenho fome maior de céu, de salvação. E isso só acontece numa transformação interior, e os discípulos, principalmente Pedro, já haviam despertado para isso quando ao serem indagados pelo Senhor se não desejavam ir com a multidão Pedro responde a Jesus: "Senhor, a quem iremos iríamos nós? Tu tens as palavras da vida eterna." (Jo 6, 68). O que será mais eficaz: um benefício que possibilita o "pão" à mesa, ou uma Palavra de Vida Eterna que põe salvação na alma?
O Santo Padre não explicita nada mais do que aquilo que é a missão da Igreja de Jesus: proclamar, e rememorar a todos que não abre mão da DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA. Terra, teto e trabalho são fundamentais, pois trazem embutidos em si os dois princípios dessa dignidade: Liberdade e felicidade. Todavia, isso não pode ser mera construção do esforço humano, embasado em ideologias ou filosofias, mas acima de tudo, e principalmente, tem que ser fruto da ação de Deus que, repito, transforma de dentro para fora, pela ação do Espírito Santo, e não de fora para dentro como mero mecanismo de mudança de mentalidade ou comportamento.
Deus nos ajude por meio do seu Santo Espírito a sermos particularmente restaurados em corpo, mente, alma e coração, para assim sermos agentes transformadores ao nosso derredor para que assim essa visão se espalhe, e quando menos se pensar será uma sociedade mais justa, fraterna, e santa, sendo produzida.
Deus te abençoe em nome do Nosso Senhor Jesus Cristo.
No entanto, a reflexão que postulo externar neste texto, com o desejo de para além de polêmicas, ou de más interpretações, mas com o intuito de apenas balizar um pensamento que me advém à mente, é que o social foi alvo, sim, da ação generosa e amorosa de Nosso Senhor Jesus Cristo quando da sua vida pública; porém, o meu questionamento é: Jesus preocupou-se mais com o social ou com o homem?
Algumas passagens dos Evangelhos podem nortear este meu questionamento e, quiçá, possam elas corroborarem ao argumento que aqui apresento. Um primeiro exemplo é a passagem da conversão de Zaqueu: o texto narra claramente que em Jericó havia um cobrador de impostos, Zaqueu (burguês, rico, opressor) que subjugava o povo ao se utilizar do seu poder para exigir o dinheiro devido, que o enriquecia, e fortalecia o poder maior: o império romano, e assim produzia uma profunda desigualdade, um forte sentimento de "exclusão", uma tensão de classes, e um desejo da parte sofrida que aquele sistema opressor em que estavam mergulhados fosse posto abaixo e uma nova sociedade, justa, fraterna, solidária, tomasse seu lugar. Quem faria eles já sabiam: o Messias de Deus.
E o Messias veio, e passou por Jericó e teve um encontro com Zaqueu; e naquele encontro, somente os dois, frente a frente, sem acusações ou censuras, emergiu daquele diálogo um novo Zaqueu transformado, não de fora para dentro, mas de dentro para fora, que passou a ter, a partir dali a plena consciência que o outro é relevante, que o próximo tem valor inestimável, daí a sua atitude: "Senhor, vou dar a metade dos meus bens aos pobres e se tiver defraudado alguém, restituirei o quádruplo" (Lc 19, 8). A transformação daquele cobrador de impostos começaria a mudar toda uma conjuntura naquele âmbito social; o ódio, a aversão, a intolerância que pairava naquela relação estava posta abaixo, pela ação de Deus agindo no homem que é o agente social principal.
Um segundo exemplo é o da passagem da multiplicação dos pães (Jo 6): ali o texto sagrado deixa evidente a decepção de Jesus com uma multidão que o seguia, pura e simplesmente, para ter a possibilidade de comida fácil e farta, o que suscita, então, a reclamação do Senhor: "Em verdade, em verdade vos digo, buscais-me, não porque vistes os milagres, mas porque comestes dos pães ficastes fartos. Trabalhai, não pela comida que perece, mas pela que dura até à vida eterna que o Filho do homem vos dará." (Jo 6, 26-27)
A necessidade do pão na mesa, ou seja do alimento, verdadeiramente, é uma das situações mais deprimentes e inquietantes para qualquer pessoa ou família, juntamente com a perca da saúde, tanto é que o que mais Jesus fez foi curar e alimentar (mais espiritualmente que fisicamente, diga-se de passagem), e era justamente do "alimento espiritual" que reclamava naquele momento. O Senhor não fazia pouco caso, ou era indiferente a situação daquela massa que o seguia, um povo que sofria o flagelo da falta de oportunidades, de emprego digno, de terra para lavrar, de condições mínimas que permitissem uma vida digna para si e suas famílias, e que erma formadas na maioria pela soma dos "excluídos" da época: órfãos, viúvas, estrangeiros, mendigos, enfermos, endividados, enfim aquilo que forma o maior contingente, mas que no entanto, olhavam apenas para sua condição social concreta, imediata, e no entanto, o Senhor fazia alusão há algo maior: a fome que já haviam até esquecido, a fome de Deus.
Quando Jesus expõe sua proposta de Ele mesmo agora ser o "Pão" a ser comido, e o "vinho" a ser bebido, entendem como absurdo e simplesmente vão embora. Qual o por quê disso? O apego à materialidade, enquanto que acima disso está a transcedentalidade: eu tenho fome de alimento físico, mas tenho fome maior de céu, de salvação. E isso só acontece numa transformação interior, e os discípulos, principalmente Pedro, já haviam despertado para isso quando ao serem indagados pelo Senhor se não desejavam ir com a multidão Pedro responde a Jesus: "Senhor, a quem iremos iríamos nós? Tu tens as palavras da vida eterna." (Jo 6, 68). O que será mais eficaz: um benefício que possibilita o "pão" à mesa, ou uma Palavra de Vida Eterna que põe salvação na alma?
O Santo Padre não explicita nada mais do que aquilo que é a missão da Igreja de Jesus: proclamar, e rememorar a todos que não abre mão da DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA. Terra, teto e trabalho são fundamentais, pois trazem embutidos em si os dois princípios dessa dignidade: Liberdade e felicidade. Todavia, isso não pode ser mera construção do esforço humano, embasado em ideologias ou filosofias, mas acima de tudo, e principalmente, tem que ser fruto da ação de Deus que, repito, transforma de dentro para fora, pela ação do Espírito Santo, e não de fora para dentro como mero mecanismo de mudança de mentalidade ou comportamento.
Deus nos ajude por meio do seu Santo Espírito a sermos particularmente restaurados em corpo, mente, alma e coração, para assim sermos agentes transformadores ao nosso derredor para que assim essa visão se espalhe, e quando menos se pensar será uma sociedade mais justa, fraterna, e santa, sendo produzida.
Deus te abençoe em nome do Nosso Senhor Jesus Cristo.
segunda-feira, 3 de novembro de 2014
"Sede santos, sede irrepreensíveis, sede perfeitos"
Verdadeiramente, o seguimento de Nosso Senhor Jesus Cristo não é, e não será, via fácil de percorrer. Ele mesmo deixou isso claro quando aconselhava: "Entrai pela porta estreita..." (Mt 7, 13); "..., tome sua cruz e siga-me" (Mt 16, 24), dentre outras exortações, tudo como princípio inexcusável para todo o que tem como propósito de vida a glória celeste, o reino dos céus.
Não menos desafiadora é a exigência que se faz a todo cristão que pretende alcançar o céu por uma procedência de vida santa, reta, justa, perfeita. Os dois grandes apóstolos São Pedro e São Paulo fazem menção a essa necessidade, logo, necessita de uma decisão firme e determinada.
São Pedro em sua Primeira Carta exorta: "A exemplo da santidade Daquele que vos chamou, sede também vós santos..." (I Pe 1, 15); assim, o desafio que se põe diante de cada um é viver a santidade (radical obediência a Deus e renuncia total ao pecado) no patamar da santidade do Pai, óbvio que não ao ponto de igualá-lo, pois somente Jesus o pôde, mas aproximar-se o máximo possível. Isso implica, então, tomando-se como exemplo a passagem dos Salmos 11, 7 que diz "As palavras do Senhor são palavras sinceras, puras como a prata acrisolada, isenta de ganga, sete vezes depurada", que a fala do Senhor não possui falsidade, astúcia, duplicidade, sendo, portanto, totalmente crível, o que indica que a nossa palavra deve, obrigatoriamente, seguir o mesmo princípio.
São Paulo em I Cor 3, 13 diz: "Que Ele confirme os vossos corações, e os torne irrepreensíveis e santos na presença de Deus, nosso Pai, por ocasião da vinda de Nosso Senhor Jesus com todos os seus santos!", faz assim perceber que além de santos, deve-se estar irrepreensível, ou seja, que o Senhor não encontre nada de reprovável em nós, seja em atitudes, pensamentos, palavras, ou outro aspecto qualquer, nada, absolutamente nada.
Por fim, o próprio Senhor Jesus no sermão da montanha conclama a todos: " Portanto, sede perfeitos, assim como vosso Pai celeste é perfeito." (Mt 5, 48), e dessa forma evoca um aspecto que ao homem é desafiador por demais: a perfeição, visto estar impregnado pela falsa verdade daquele adágio que diz: "perfeição não existe", ou "ninguém é perfeito"; e, no entanto, existe e muitos a alcançaram como revela o Pai a Santa Catarina de Sena mostrando tais características: "O homem perfeito sabe que nada acontece sem eu querer, sem o mistério, sem minha providência. Menos o pecado, que é uma negação. Odeia, então, o pecado e respeita todo o resto. É firme, seguro em sua decisão de caminhar na verdade. Serve com fidelidade ao próximo, pouco lhe importando a ignorância e ingratidão alheias. Quando um maldoso o injuria e acusa por seu comportamento, logo se dirige a mi, orando por aquela pessoa. Fica mais ressentido porque a pessoa me ofende e se prejudica, do que pela injúria pessoal. Afirma, com meu glorioso apóstolo Paulo: "O mundo nos amaldiçoa e nós bendizemos; nos persegue e nós agradecemos; nos expulsa como lixo e escória do mundo, e nós com paciência suportamos.(I Cor 4, 13)" (Santa Catarina de Sena, O Diálogo, pgs. 159-160). Por isso a busca da mesma requer empenho, esforço, oração, por isso mesmo ser o cominho para o céu pedregoso e espinhoso.
No entanto, por mais duro que seja, por mais desafiador que possa parecer, é possível a partir do momento que a decisão pelo reino dos céus torna-se parte principal da jornada terrena, e esta deve nascer, que fique bem claro, não de uma mera decisão humana, mas de um encontro pessoal com Jesus que, ao arrebatar o coração, faça surgir um desejo de viver eternamente esse amor.
Ser santo, irrepreensível, perfeito, não significam degraus a conquistar, pois todos são no fundo representação de um mesmo propósito: "Amar o Senhor teu Deus" (Mt 22, 37); há Ele ser fiel até o fim; a Ele render glórias e louvores em todas as circunstâncias; a Ele bendizer e adorar como único digno de adoração; a Ele buscar incessantemente mesmo sabendo que nesta vida só O teremos em pequena fração, suspirando pelo dia que O veremos por completo em toda a sua majestade.
"Vejam-te meus olhos doce e bom Senhor, vejam-te meus olhos e morra eu de amor." (Santa Tereza D'Ávila); que seja assim em cada um de nós que um dia tendo tido este encontro pessoal com Jesus percorramos nosso trilhar neste anseio pelo encontro definitivo que passa, porém, por um empenho em sermos santos, irrepreensíveis, perfeitos.
Deus te abençoe em nome do Nosso Senhor Jesus Cristo.
Não menos desafiadora é a exigência que se faz a todo cristão que pretende alcançar o céu por uma procedência de vida santa, reta, justa, perfeita. Os dois grandes apóstolos São Pedro e São Paulo fazem menção a essa necessidade, logo, necessita de uma decisão firme e determinada.
São Pedro em sua Primeira Carta exorta: "A exemplo da santidade Daquele que vos chamou, sede também vós santos..." (I Pe 1, 15); assim, o desafio que se põe diante de cada um é viver a santidade (radical obediência a Deus e renuncia total ao pecado) no patamar da santidade do Pai, óbvio que não ao ponto de igualá-lo, pois somente Jesus o pôde, mas aproximar-se o máximo possível. Isso implica, então, tomando-se como exemplo a passagem dos Salmos 11, 7 que diz "As palavras do Senhor são palavras sinceras, puras como a prata acrisolada, isenta de ganga, sete vezes depurada", que a fala do Senhor não possui falsidade, astúcia, duplicidade, sendo, portanto, totalmente crível, o que indica que a nossa palavra deve, obrigatoriamente, seguir o mesmo princípio.
São Paulo em I Cor 3, 13 diz: "Que Ele confirme os vossos corações, e os torne irrepreensíveis e santos na presença de Deus, nosso Pai, por ocasião da vinda de Nosso Senhor Jesus com todos os seus santos!", faz assim perceber que além de santos, deve-se estar irrepreensível, ou seja, que o Senhor não encontre nada de reprovável em nós, seja em atitudes, pensamentos, palavras, ou outro aspecto qualquer, nada, absolutamente nada.
Por fim, o próprio Senhor Jesus no sermão da montanha conclama a todos: " Portanto, sede perfeitos, assim como vosso Pai celeste é perfeito." (Mt 5, 48), e dessa forma evoca um aspecto que ao homem é desafiador por demais: a perfeição, visto estar impregnado pela falsa verdade daquele adágio que diz: "perfeição não existe", ou "ninguém é perfeito"; e, no entanto, existe e muitos a alcançaram como revela o Pai a Santa Catarina de Sena mostrando tais características: "O homem perfeito sabe que nada acontece sem eu querer, sem o mistério, sem minha providência. Menos o pecado, que é uma negação. Odeia, então, o pecado e respeita todo o resto. É firme, seguro em sua decisão de caminhar na verdade. Serve com fidelidade ao próximo, pouco lhe importando a ignorância e ingratidão alheias. Quando um maldoso o injuria e acusa por seu comportamento, logo se dirige a mi, orando por aquela pessoa. Fica mais ressentido porque a pessoa me ofende e se prejudica, do que pela injúria pessoal. Afirma, com meu glorioso apóstolo Paulo: "O mundo nos amaldiçoa e nós bendizemos; nos persegue e nós agradecemos; nos expulsa como lixo e escória do mundo, e nós com paciência suportamos.(I Cor 4, 13)" (Santa Catarina de Sena, O Diálogo, pgs. 159-160). Por isso a busca da mesma requer empenho, esforço, oração, por isso mesmo ser o cominho para o céu pedregoso e espinhoso.
No entanto, por mais duro que seja, por mais desafiador que possa parecer, é possível a partir do momento que a decisão pelo reino dos céus torna-se parte principal da jornada terrena, e esta deve nascer, que fique bem claro, não de uma mera decisão humana, mas de um encontro pessoal com Jesus que, ao arrebatar o coração, faça surgir um desejo de viver eternamente esse amor.
Ser santo, irrepreensível, perfeito, não significam degraus a conquistar, pois todos são no fundo representação de um mesmo propósito: "Amar o Senhor teu Deus" (Mt 22, 37); há Ele ser fiel até o fim; a Ele render glórias e louvores em todas as circunstâncias; a Ele bendizer e adorar como único digno de adoração; a Ele buscar incessantemente mesmo sabendo que nesta vida só O teremos em pequena fração, suspirando pelo dia que O veremos por completo em toda a sua majestade.
"Vejam-te meus olhos doce e bom Senhor, vejam-te meus olhos e morra eu de amor." (Santa Tereza D'Ávila); que seja assim em cada um de nós que um dia tendo tido este encontro pessoal com Jesus percorramos nosso trilhar neste anseio pelo encontro definitivo que passa, porém, por um empenho em sermos santos, irrepreensíveis, perfeitos.
Deus te abençoe em nome do Nosso Senhor Jesus Cristo.
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