terça-feira, 29 de novembro de 2011

Quando silenciamos Jesus age (Mt 15, 21-28; Jo 8, 1-11)

No mundo atual de tanto barulho sobra pouco tempo e oportunidade para se exercitar algo que deveria ser prática, e parte, da vida do homem: o silêncio e a escuta, principalmente de Deus, pois o Senhor Jesus mostra que esta é uma das maneiras eficazes para que Ele haja em todas as situações quando solicitado. Porém, a correria e a falta de parar, de ter um momento para se exercitar este silêncio e escuta pouco ou quase nunca é vivido.
A Bíblia, no entanto, mostra em duas passagens, por exemplo, como silenciar e escutar a Deus torna o Seu agir eficaz em determinada situação. A primeira passagem é da mulher cananéia de Mt 15, 21-28 onde a narração diz que ela gritava: "Senhor, filho de Davi, tem piedade de mim! Minha filha está cruelmente atormentada por um demônio" (vers. 22), no entanto, a Palavra diz que "Jesus não lhe respondeu palavra alguma" (vers. 23). Isto por quê? Por que a gritaria, o alvoroço, o escândalo não chama a atenção de Jesus.
Mas na sequência o texto narra que "Seus discípulos vieram a Ele e lhe disseram com insistência: Despede-a, ela nos persegue com seus gritos" (vers. 23). Jesus, então, pressionado argumenta: "Não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel" (vers. 24), e se cala novamente. Mas a Palavra diz que "aquela mulher veio prostrar-se diante dele dizendo: "Senhor, ajuda-me"" (vers. 25). Neste instante o texto mostra que a exaltação daquela mulher diminui e dá pra perceber que ali, provavelmente, estabelece-se um silêncio. Jesus, então, fala: "Não convém jogar aos cachorrinhos o pão dos filhos" (vers. 26), e a mulher, concordando, responde: "Certamente, Senhor, mas os cachorrinhos ao menos comem as migalhas que caem da mesa dos seus donos..." (vers. 27). Certamente, um breve silêncio se faz, e o Senhor Jesus, então, sem manifesta sua sentença: "Ó mulher, grande é a tua fé! Seja-te feito como desejas. E na mesma hora sua filha ficou curada" (vers. 28).
O início deste diálogo se dá com a cananéia vindo a Jesus aos gritos, pressionando o Senhor, e dele só obtém o silêncio. Mas a partir do momento que se acalma, silencia e humildemente troca todas as palavras desesperadas por uma única frase: "Senhor ajuda-me" seguida do silêncio, Jesus fala. E ao ter sua fé provada recebe do Senhor a ajuda que necessitava.
Em Jo 8, 1-11 vemos uma outra passagem tendo, também, uma mulher como personagem principal, onde Jesus é novamente interpelado por uma turba de fariseus e escribas que aos gritos e berros trazem ao Senhor uma mulher flagrada em adultério (vers. 3) e, certamente, de forma alterada interpelam Jesus: "Mestre, agora mesmo esta mulher foi apanhada em adultério. Moisés mandou-nos na lei que apedrejássemos tais mulheres. Que dizeis tu a isso?" (vers. 4-5).
Narra a Palavra que "perguntavam-lhe isso, a fim de pô-lo a prova e poderem acusá-lo", Jesus, porém, se inclinou para a frente e escrevia com o dedo na terra" (vers. 6). O Senhor mediante a gritaria, a pressão, silencia. Mas ao insistirem Ele responde: "Quem de vós estiver sem pecado, seja o primeiro a lhe atirar uma pedra" (vers. 7). Silencia e volta a escrever na terra (vers. 8).
O texto mostra que a gritaria começa a cessar e aos poucos aqueles homens "sentido-se acusados pela sua própria consciência, eles se foram retirando-se um por um, até o último..." (vers. 9). Jesus, então, ficou sozinho com a mulher diante dele (ver. 9). Silêncio total. E sem pressão, nem desvairio, escândalos, o Senhor agora fala: "Mulher onde estão os que te acusavam? Ninguém te condenou?" (vers. 10), e ela responde: "Ninguém, Senhor". Disse-lhe então Jesus: "Nem Eu te condeno. Vai e não tornes a pecar" (vers. 11). O silêncio aconteceu, Jesus agiu à sua maneira em favor da situação livrando aquela mulher.
Estas duas passagens mostram que o Senhor não age na gritaria, pressão, escândalo, desespero, mas é no silêncio e na escuta que Ele age, talvez por isso que muitos não obtém o que buscam, porque vão a Jesus como a cananéia ou como fariseus, pressionando o Senhor a fazer-lhes a vontade instantaneamente e Jesus é Senhor, não está para se submeter às vontades humanas, mas está para fazer a Sua vontade da maneira, do jeito, e ao tempo que lhe achar conveniente. Por isso que muitos se frustram, porque não suportam as demoras de Deus, porém a causa está neste detalhe: não há silêncio, e sem silêncio não se escuta as decisões e direcionamentos do Senhor, daí vem as decisões precipitadas e que muitas vezes serão frustrantes.
Ao orar confiantemente, silenciar e escutar permite-se que Deus seja Deus, que Ele haja e faça a Sua vontade. Por isso que a maioria dos Santos da Igreja tinham essa virtude tão elevada e uma prática constante nas suas vidas: por que entenderam que é assim que o Senhor age. São Luis de Montfort seguia uma regra a risca: "Ora, cala e escuta". Assim devemos ser todos nós: orar, calar, escutar e confiar.
Deus te abençoe em nome do Nosso Senhor Jesus Cristo.

domingo, 27 de novembro de 2011

O pecado do receio nos impede de lançar as redes.

"Muitos são chamados, mas poucos são os escolhidos" (Mt 22, 14). Jesus faz referência àqueles que receberam um convite de Deus, mas não aceitaram; porém, existem os que são chamados a convidar e não aceitam, ou por duvidarem de sua capacidade, ou por não desejarem mesmo.
Estes que se julgam incapazes, e duvidam que podem ser missionários da Palavra de Deus são citados por Jesus nas Sagradas Escrituras na Parábola dos Talentos (Mt 25, 14-30) quando faz referência àquele servo que recebeu um talento e o enterrou por dúvida, medo, timidez... Incorreu num pecado que acomete grade parte do povo de Deus: o receio.
A parábola é muito clara: a todos é dado um talento, uma capacidade, um dom, para alcançar vidas para o Reino de Deus; é certo que a alguns mais (cinco, dois), a outros, aparentemente, menos (um talento). Aparentemente, por quê? Porque um talento equivalia no tempo de Jesus a trinta quilos de ouro. É pouca coisa? Se calculássemos isso em reais equivaleria a mais de trezentos mil reais. É pouca coisa?
Não. Mas o receio de ter um valor tão alto nas mãos e não dar conta de fazê-lo render leva o servo a retrair-se e preferir fazer a devolução do valor. Essa atitude irritou profundamente o "senhor", pois os talentos na verdade são as pessoas, os filhos desgarrados e distantes, que mesmo distantes são o "ouro", o tesouro precioso de Deus. Aquele servo infiel olhou para o valor menor (o dinheiro), não percebeu que o que importava era o valor maior (as pessoas).
O que faltou, então, àquele servo? Um desejo maior de fazer o investimento do "senhor" multiplicar, como fizeram os outros. O receio, a dúvida, o sentimento de incapacidade, ou a falta de vontade mesmo, não despertaram nele o desejo de utilizar daquele valor para produzir meios de fazer render.
A desculpa dada pelo servo de que teve receio é tão fortemente rejeitada pelo "senhor" devido à sua fraqueza que ele diz: "Devias, pois, levar meu dinheiro ao banco, e à minha volta, eu receberia com juros o que é meu" (Mt 25, 27). Um banco é o local onde estão pessoas treinadas, habilitadas, e dispostas, em fazer lucrar. Logo, o que poderia ter feito aquele servo receoso e sem estratégias? Ter investido em pessoas dispostas e empenhadas que pudessem, então, fazer o trabalho, e assim aquele talento multiplicaria.
Trazendo para nós o que a parábola quer, provavelmente mostrar é que este servo poderia ao menos investir este talento em pessoas que poderiam, assim fazer cumprir a tarefa que ele, no seu receio e medo não conseguiu desempenhar. Por exemplo: tenho talento para cantar, mas não tenho coragem de usar este talento para alcançar vidas, então, deveria investir em formar cantores que, ao contrário dele, iriam ao cumprimento da missão; assim também, com aquele que tem o talento para pregar...
De certo é que Deus não aceita desculpas. A todos são dados dons, e a todos é exigido exercê-los, pois a partir do Batismo, e principalmente do Crisma, somos chamados a ser discípulos de Jesus e da sua Santa Igreja; chamados a evangelizar, a ir às encruzilhadas, aos guetos, aos presídios, enfim, a todos os lugares lançando as redes, anunciando o amor de Deus e o Seu convite ao banquete, a experimentar o melhor que tem para nós.
Portanto, renunciemos ao pecado do receio que produz medo, paralisia, incapacidade, temor de lançar as redes, de fazer os talentos de Deus multiplicarem para a glória do Seu Nome e para o bem da Santa Igreja.
Deus te abençoe em nome do Nosso Senhor Jesus Cristo.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Pedro (Lc 5, 5) e a multidão (Jo 6, 26)

Ao refletir sobre a liberalidade de Jesus, no sentido de mostrar como as graças de Deus são em abundância, veio-me à mente duas passagens do Senhor: a primeira com São Pedro à beira do lago, quando observa a ele e os demais pescadores consertando as redes depois de uma noite infrutífera.
Ao aproximar-se de Pedro dá-lhe uma ordem: "lançai as redes" (Lc 5, 4), e Pedro mesmo relutante obedece ao pedido respondendo: "passamos a noite toda e não pescamos nada, mas por causa da Tua Palavra lançaremos as redes" (Lc 5, 5). O resultado foi uma pesca tão abundante que narra as Escrituras "as redes se rompiam" (Lc 5, 6) devido a quantidade de peixes.
Pedro agradeceu aquele milagre reconhecendo que não era merecedor de tanto "pois era homem pecador" (Lc 5, 8). A humildade de Pedro o levou a ser convidado a tornar-se "pescador de homens" (Lc 5, 10-11) juntamente com os outros.
A segunda passagem é a de Jo 6, quando, após a multiplicação dos pães pela segunda vez, é seguido pela multidão e quando se defronta com aquele povo todo Jesus diz: "Em verdade, em verdade vos digo: buscai-me não porque viste os milagres, mas porque comestes dos pães e ficastes fartos" (Jo 6, 26), e a partir dali realiza uma pregação tão surpreendente que toda a multidão e a maioria dos discípulos O abandona.
Qual a diferença? Nas duas passagens vemos o Senhor mostrando que é um Deus de fartura, um Deus que provê em abundância, porém comportando-se de forma diferente satisfeita em um, insatisfeita na outra. A resposta está no fato de que na passagem de São Pedro este não teve nenhuma segunda intenção com Jesus, não se aproveitou do homem de poder para se beneficiar, pois sua atitude de obedecer centrou-se na pessoa de Jesus, e não nos peixes.
Já na passagem da multiplicação foi o inverso, e as palavras de Jesus não deixa dúvidas: aquelas pessoas estavam a seguir o Senhor com segundas intenções, de serem saciados, visto que comer até se fartar, e de graça quem não quer? Logo, aquela multidão estava centrada no alimento, e não em Jesus.
Quando Jesus termina seu discurso sobram apenas quem ao seu redor? Pedro e os discípulos que testemunharam o milagre da pesca milagrosa. Mas ficaram por quê? Jesus perguntou: "Quereis vós também retirar-vos?" (Jo 6, 67), e a resposta de São Pedro é: "Senhor, a quem iríamos nós? Tu tens as palavras da vida eterna. E nós cremos e sabemos que Tu és o Santo de Deus!" (Jo 6, 68-69). Ficaram porque já tinham desejo de vida eterna.
Porém, até hoje observa-se que muitos ainda agem para com Jesus como a multidão: interessados primeiramente no que o Senhor pode lhes proporcionar nas suas satisfações pessoais, e não numa comunhão, numa intimidade com Jesus. Talvez por isso tantos estejam lotando templos por aí, onde se oferece primeiro o Deus que faz prosperar, e não o Deus que quer ter intimidade, amizade, capaz de proporcionar bens muito maiores, onde o principal é a salvação.
A abundância de Jesus está, portanto, em tê-lo como pessoa íntima e não como mero provedor de necessidades e somente o Espírito Santo é capaz de fazer compreender estas coisas.
Deus te abençoe em nome do Nosso Senhor Jesus Cristo.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

"Aos que chamam para que Eu os ajude exijo a fé; mas aos que Eu chamo para que me ajudem exijo o amor"

Essa palavras me vieram perante Jesus Sacramentado quando Ele profetizava a todos os servos da Renovação Carismática de Imperatriz por ocasião do Congresso Diocesano. Na profecia o Senhor pedia Amor a obra, amor à missão, e ao ouvir a voz do Senhor nesta exortação me vinha ao coração esta frase.
Das muitas passagens das Sagradas Escrituras que me vinham à mente estava a daquele homem que tinha o filho acometido de um espírito imundo (Mc 9, 17-27) onde o pai acorreu ao Senhor Jesus exclamando: "Se Tu, porém, podes alguma coisa ajuda-nos, compadece-te de nós" (vers. 22), e Jesus responde: "Se podes alguma coisa!...Tudo é possível ao que crê" (vers. 23). O Senhor cobra daquele homem sua fé para que a graça aconteça, e compreendendo a palavra o mesmo responde: "Creio! Vem em socorro à minha fé" (vers. 24).
É uma clara evidência que ir a Jesus com o intuito de receber benção, milagre, vitória, todos podem, mesmo que aos berros, mas só alcançam aqueles que tem fé, pois é ela quem move a resposta de Jesus. Naquela multidão que comprimia Jesus em busca de um milagre, somente uma o tocou verdadeiramente: aquela mulher do fluxo de sangue (Lc 8, 44), porquê? Porque demonstrou fé viva, tanto que Jesus se apercebe do fato e pergunta: "quem me tocou? (Lc 8, 45). Foi um toque diferenciado: foi o toque da fé.
Isto para aqueles que busca o auxílio de Jesus. Porém, aqueles que Jesus chama a auxiliá-lo, a servi-lo, há estes é exigido o amor. Veio-me, então, a passagem do encontro do Senhor com São Pedro após a Ressurreição quando estavam os discípulos a pescar. Após Jesus ter reeditado a experiência da pesca milagrosa (Lc 5, 6) e reconhecerem que era Jesus que estava ali, o Senhor dirige-se, então, a Pedro e lhe pergunta por três vezes: "Pedro, tu me amas?" (Jo 21, 15-17) e a resposta positiva de Pedro Jesus replicava: "Apascenta meus cordeiros".
O Senhor Jesus lhe exigia, portanto, amor à missão. Amor a Deus, primeiramente, como também amor aos cordeiros, ao povo, à Igreja ao qual sobre sí seria edificada, mesmo lhe custando a própria vida, como foi com o Mestre.
Assim, o amor é o preceito principal e essencial para todo o que ouve e acolhe o chamado de Jesus ao serviço da Igreja e do próximo. Apascentar é cuidar, zelar, defender, proteger, ensinar, exortar, é empenhar-se por conduzir aquela vida nos caminhos retos do Senhor no intuito de vê-la crescer na fé, buscar a conversão e perseverar na obediência ao Evangelho de Cristo.
Não pode ser autêntico servo de Jesus quem não assumir um chamado com amor, pois Jesus, nosso modelo, fez tudo por amor. E será sempre o amor o diferencial para que uma vida se decida por Jesus. São João foi quem melhor compreendeu isso, tanto que no seu Evangelho, como na sua Primeira Epístola ele deixa patente essa verdade, chegando ao ponto de afirmar que o que não é filho de Deus: "aquele que não pratica a justiça e não ama seu irmão" (I Jo 3, 10).
Desta forma, servir e amar, são sinônimos para os que Jesus chama a evangelizar.
Deus te abençoe em nome do Nosso Senhor Jesus Cristo.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Deus não esquece aquilo que é parte Dele.

O texto de Isaías 49, 14-16 é apropriado para expor a relação homem-Deus. O homem e relação a Deus: um ser desobediente, que facilmente se afasta do seu Criador, que nunca se lembra do mesmo quando tudo está bem, que não o ama verdadeiramente, e que só O enxerga no tempo da aflição, da tribulação. Deus em relação ao homem: fiel, que está sempre presente, que nunca abandona, que tem amor pessoal, incondicional e eterno.
Desde o pecado original quando Adão e Eva se esconderam da face de Deus por vergonha, o homem vem mantendo essa característica: esconde-se, afasta-se de Deus, por que a sua natureza pecadora o faz esquecer, e até recusar, aquilo que é parte dele: o fato de ser imagem e semelhança do Pai. Ao não lembrar que trás em si a divindade paterna, mergulha na sua carnalidade maléfica.
Desta forma vai buscar fazer o que lhe agrada. E o que lhe agrada é desagradável a Deus. Era o que acontecia com os israelitas: não queriam de forma alguma fazer a vontade do Senhor, e quando os castigos lhe sobrevinham aí lembravam-se do seu Deus, então murmuravam: "O Senhor abandonou-me, o Senhor esqueceu-me" (vers. 14). E com quantos de nós não é assim? O orgulho e a vaidade, fruto dessa nossa natureza pecadora que nos arrasta para esta situação: fazer a minha vontade.
E quando vem as consequências, não mais por castigo divino, mas como consequência natural de uma atitude inconsequente, lembramos, então que Deus existe. E o maravilhoso de tudo é a resposta com que o Pai se apresenta àquele povo, e a cada um de nós desobedientes e rebeldes: "Pode uma mulher esquecer-se daquele que amamenta? Não ter ternura pelo fruto das suas entranhas?" (vers. 15). É profunda demais essa comparação que Deus faz, primeiro mostrando que o amor mais sublime é o amor de mãe, por que gera e sustenta a vida; e aquilo que foi gestado, alimentado, formado, cria um laço de intimidade profunda porque um é parte do outro: o filho é parte da mãe, a mãe é parte do filho.
Deus que nos gerou é parte de nós, e nós somos parte de Deus, por isto este amor pessoal por cada criatura, pois todos somos parte de Dele. Ele se vê em nós, por isso que no segundo momento este Pai maravilhoso vai acrescentar: "mesmo que ela o esquecesse, Eu não o esqueceria". Deus quer dizer que mesmo o amor materno sendo o amor que mais se aproxima do Dele por nós, mesmo assim está a mercê da sua carnalidade, e por isso é incompleto e finito, pode diminuir até acabar, chegando ao ponto de esquecer desse vínculo. Porém, o amor de Deus é completo e infinito, daí afirmar: "Eu não te esqueceria".
Por isso que falou a Moisés: "Eu ouvi o clamor do meu povo"; por isso falou por meio de Jesus: "Estarei convosco até a consumação dos tempos". Deus jamais esquecerá de nós porque somos parte Dele, por que Ele tem interesse na nossa felicidade e salvação, porque somos filhos diletos que estamos "escritos na palma de sua mão" (vers. 16).
Somente o eterno amor de Deus (Jr 31, 3), que não impõe condições para nos amar é que, verdadeiramente, nossa vida toma sentido, pois o amor do mundo é amor passageiro, que não dura; e neste processo de desamorização pelo qual o mundo passa, onde a dimensão dessa palavra tem se relativizado, e onde se observa pessoas cada vez mais superficiais e vazias, vão-se utilizando desta palavra apenas para impressionar os ouvidos, fazer despertar um sentimento, mas que muito rapidamente vão tratá-lo com relativo desprezo, lançando o outro na frustração, na decepção e até na depressão.
O amor propagado neste mundo, definitivamente, não é o amor proposto e expresso pelo nosso Deus, pois não há doação pelo outro, mas meramente em favor próprio; por isso que tantas mães facilmente abandonam os seus "pequenos dependentes", por que o tempo que vão "perder" doando-se a eles é o tempo que querem gastar consigo mesmo.
O egoísmo faz esquecer que aquele "pequeno ser" é parte dela, daí não ter nenhuma dor na consciência em jogá-lo numa lata de lixo, de cima de um prédio, num córrego...Somente o amor que sai de sí para viver o outro é capaz de aproximar-se e compreender o amor de Deus, amor que não é somente palavra, mas ato, gesto concreto.
Deus faz isso não somente porque é bom, misericordioso, mas porque não esquece que somos parte Dele. Quando descobrirmos esta verdade, com o auxílio do Espírito Santo, veremos a cura das nossa frustrações, decepções e mágoas, pois até ali achamos que a melhor parte de nós são marido, esposa, filhos, bom emprego, fama..., e a melhor parte de nós é Deus, e a melhor parte de Deus é o homem, por isso Ele não desiste de nós.
Deus te abençoe em nome do Nosso Senhor Jesus Cristo.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Precisamos descobrir o outro (Cont. de Que amor é esse?)

O episódio de Brasília do professor que mata a aluna e ao entregar-se justifica que foi por amor, percebi como o homem necessita redescobrir a sua essência, o seu princípio.
E o nosso princípio é Deus, pois Dele viemos; e se Dele viemos a nossa essência deveria ser a mesma do Pai: o amor. Porém, esta é desvirtuada pelo pecado que é parte da nossa natureza carnal.
Para redescobrir e viver aquilo que deve ser a parte melhor de nós: o amor, por isso precisamos redescobrir a Deus e vivenciá-lo, mas "ninguém viu a Deus senão o Filho", portanto "quem vê o Filho vê a Deus", mas ninguém vê o Pai e o Filho (fisicamente), há não ser no outro.
Eis o segredo: amar o outro, pois amando o outro, ama-se ao Filho, e este será amado por Deus, e então tornar-se-á, verdadeiramente, um filho de Deus. Por isso que São João é enfático "Todo o que não pratica a justiça não é de Deus, como também aquele que não ama seu irmão" (I Jo 3, 10).
O mesmo São João diz: "...fomos transladados da morte para a vida, porque amamos nossos irmãos" (I Jo 3, 13). É profundo demais observar-se que o outro é a parte que permite deixar um caminho de morte para um caminho de vida, e sabendo o inimigo de Deus dessa verdade, é que ele se utiliza dessas pessoas, como este professor, para ceifar vidas com o subterfúgio ridículo que foi por amor.
Nesta pessoa não habitava amor, mas o ódio; e São João afirma: "Quem odeia seu irmão é assassino" (I Jo 3, 15), quem não descobrir em si esta verdade é um potencial assassino, não somente no sentido concreto de extirpar a vida de alguém fisicamente, mas de tirar a vida do outro com palavras, por exemplo, palavras que tem "matado" a fé, a esperança, a alegria, a auto-estima, a coragem..., e lançam essas vidas numa morte interior, espiritual.
Este mundo mesquinho e individualista precisa descobrir o verdadeiro amor e São João mostra a resposta e o desafio: "Nisto temos conhecido o amor: (Jesus) deu sua vida por nós, também nós outros devemos dar a nossa vida pelos nossos irmãos" (I Jo 3, 16).
Precisamos descobrir o outro para nos redescobrirmos e compreendermos que é nele e por ele que, então, poderemos ter "confiança diante de Deus, pois a nossa consciência de nada nos censura" (I Jo 3, 21), mas para isso é necessário que se observe os mandamentos: "Crer no nome de Jesus e amar uns aos outros como Ele nos amou" (I Jo 3, 23).
Caminhar nesta vida prescindindo do outro, do próximo, do irmão, é renegar a Deus e "se nós O renegarmos Ele nos renegará" (II Tm 2, 13), mas se perseverarmos até o fim "Ele nos dará a coroa da vida" (Ap 2, 10).
Deus te abençoe em nome do Nosso Senhor Jesus Cristo.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Que amor é esse?

Notícia do dia: "Professor mata aluna e depois se entrega". Este professor de Direito, que se envolveu com uma de suas alunas, ao se entregar na Delegacia, com a jovem morta com três tiros no banco do carona, ao ser perguntado qual o motivo, responde: "foi por amor!".
Vê-se neste triste caso ser evidenciado como motivador da tragédia o amor. Percebe-se, então, como esta palavra, como este sentimento, o mais nobre de todos, pois é a definição mais bela de Deus, constatada pelo Apóstolo São João em I Jo 4, 8. 16: "Deus é amor", está longe de ser aquilo que é a essência de Deus nas ações do homem.
A Palavra de Deus sempre mostra o amor de Deus como forma de propiciar o melhor para o outro. Deus criou o homem por amor; Deus livrou seu povo do cativeiro do Egito por amor; sustentou-os no deserto por quarenta anos por amor; introduziu-os numa terra extraordinária por amor; livrou-os de todos os perigos e os fez vencer e subjugar nações por amor; prometeu e cumpriu a vinda do Salvador, seu Filho único, por amor; prometeu que permaneceria conosco até a consumação dos séculos, por amor.
Portanto, a Palavra mostra que amar é dedicar-se, empenhar-se pela felicidade do outro, mesmo que isso lhe custe a própria vida, e foi o que o Senhor Jesus Cristo deixou claro com sua morte de cruz e São João vai reiterar em sua Epístola: "Nisto temos conhecido o amor: (Jesus) deu a vida por nós. Também nós outros devemos dar a vida por nossos irmãos". (I Jo 3, 16), portanto, assistir uma pessoa tirar a vida de alguém e justificar-se dizendo que foi por "amor", é contrário ao que pressupõe a Palavra de Deus.
Na verdade sabe-se que o motivador foi orgulho e mágoa, mesclado a sentimento de posse, típicos de pessoas que não entendem que o amor verdadeiro só pode subsistir na liberdade e não no aprisionamento, além de ser, também, inconcebível para estas pessoas o fato que o amor verdadeiro sobrevive à rejeição, como o de Jesus, mas nem por isso se transforma em ódio e vingança, mas num desejo ainda maior de ver a felicidade e o êxito do outro.
Por fim constata-se, ainda, que este desfecho trágico foi fruto daquilo que o homem ainda não aprendeu, também: o amor verdadeiro não cobra recíproca, e o amor do mundo é baseado nesta via de mão dupla: "Eu te amo se você me ama". O amor de Deus, de quem realmente vive uma experiência de Deus, age como dizia Santa Tereza D'Ávila: "Amar sem esperar nada em recompensa"; ou como dizia São João da Cruz: "O amor não cansa nem se cansa"; ou São Francisco de Sales: "A medida do amor é amar sem medida"...
O mundo, os homens precisam reconhecer a verdadeira dimensão do que é amar; saber que muito mais que sentimento, amar é ato concreto, muitas vezes até ser necessário o rebaixamento e Jesus deixou isto claro na passagem do lava-pés. Este amor que é propalado nas canções, filmes, novelas, é mero palavrório, nada de profundo, por isso dá nisso: frustração, decepção, tragédia!
Deus nos ajude a amar com amor divino, proveniente do Espírito Santo, pois a Palavra de Deus diz: "Porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado" (Rm 5, 5).
Deus te abençoe em nome do Nosso Senhor Jesus Cristo.